sábado, 7 de maio de 2011

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL - 2


Sábado, 07 de maio de 2011

Querido Diário Macabro,

Como diria Selena: Oh my God!
É o seguinte: Sou uma caça-vampiros. Pare de rir! Estou falando sério, cara!
Começou há uns dois anos.
Moro em Fatalville desde que eu nasci, e apesar de ser uma cidade pacata, muito “tranqs” e o maior tédio nos finais de semana, parece que é o ponto de encontro dos vampiros.
Mas não me venha de novo com aquela história de “Forks” e “Crepúsculo”. Acredite, cara... Os vampiros daqui não têm nada de “Twilight Saga”.
São uns bebedores de sangue depravados (bonitos) e sádicos. Então a mamãe aqui mete a estaca em todos eles... Ameaças da noite, morcegos encrenqueiros.
Acontece que a maioria deles não parecem pessoas normais, e nem mesmo se misturam (essa idéia nem passa pela cabeça deles!) vivem ocultos nas sombras para rasgar gargantas desprevenidas.
Faço parte da Liga do Escorpião: eu sei que o nome é tosco, mas não conheço nenhum outro web site de caçadores de vampiros.
 Bem, foi estranha a maneira que os conheci... Uma garota da vizinhança (isso há dois anos) foi encontrada morta, com um rasgo no pescoço. Na época (veja bem, foi antes de Stephenie Meyer pintar na área - já que as coisas em Fatalville sempre chegam atrasadas - com seus vampiros que brilham no sol, o que, infelizmente, não é verdade nesse mundo) eu estava totalmente absorvida por livros como Entrevista com o Vampiro e Drácula.
O que parecia fantasia e brincadeira se tornou sério quando recebi um e-mail da Liga do Escorpião, com direito a um kit de caçador de vampiro: estacas, água benta e um crucifixo – que chegou dois dias depois pelo correio.
Eles, ao acaso, ficaram sabendo do crime mais espantoso que já ocorreu em Fatalville, e me “contrataram” para limpar a área: manter as pessoas livres da ameaça dos vamps.
E é o que eu faço.
Mas desde que Jasper McCallough pintou na área e fez com que minha ex-melhor amiga, Selena Johnson, ficasse caída por ele, as coisas desandaram.
Mas hoje (ah!) é dia de por ordem no barraco.
Vou invadir a festa da minha antiga BEST FIREND e salvá-la daquela besta sanguinária e sexy.
Jasper com certeza percebeu que eu já sei sobre ele. E quer se vingar na minha doce e ingênua (tosca e burra, na verdade) amiga Selly.
Cara... O problema é que vou precisar de ajuda para entrar nessa festa. Selena deixou claro que não quer me ver nunca mais.
E como eu não sei se o vampiro em questão vai meter os dentes no começo ou no fim da festa, preciso chegar cedo, me esconder e ficar à espreita, com uma estaca na mão, pronta para detonar Jasper quando ele se afastar com Selly.
E por isso chamei Courtney.
Courtney Fox não é um poço de inteligência, mas é a minha única amiga depois de Selly. E, para minha surpresa, ela armou um plano genial.
É claro que ela não sabe sobre os vampiros ou das minhas pretensões de matar Jasper (eu disse que queria surpreender Selena, para fazermos as pazes).
Courtney bateu aqui em casa duas horas antes da festa, com sacolas e caixas nos braços.
- Que diabo é isso? – Indago, com a sobrancelha erguida.
- Liguei para Selena e disse que levaria minha prima canadense, Lauren, para a festa.
- E o que eu tenho a ver com isso? – Insisto, começando a me arrepender de ter pedido a ajuda de Courtney.
- Não tenho primas. Esta noite, você será Lauren Fox.
Abro a boca.
- Courtney, não lesa... – Reclamo. – Todo mundo naquela maldita festa já me conhece.
- Não com um pequeno disfarce... – Diz ela, abrindo um sorriso meigo.
Uh. Impressionante.
E então começou a tortura.
Prender o cabelo com uns vinte mil grampos embaixo de uma peruca, lentes de contato, maquiagem que não acaba mais... Vestido de cetim rosa e branco, cores que eu NUNCA uso juntas, pois fico parecendo um sundae com pernas.
- Eca eca eca! – Exclamo.
- Oba oba oba! – Responde Courtney.
E no fim, deu certo.
- Nem a Baby Doll vai te reconhecer. Ficou perfeito, Stacy! – Diz Courtney.
Concordo com a cabeça diante do espelho: o cabelo escuro e liso está tão bem colocado que parece mesmo meu, olhos azuis para combinar, maquiagem que me deixou pálida... Pareço outra pessoa.
- Evite falar alto e no seu tom normal. – Recomenda Courtney, quando estamos chegando na casa de Selena.
Agradeço pelo conselho, segurando firme a bolsa pink onde escondo minhas estacas afiadas.
Devo uma para Courtney, penso, vendo-a tirar uma mecha do cabelo castanho e curto do olho. Ela era muito mais baixa do que eu, olhos cinzentos, vestidinho azul com pregas. Uma mocinha gentil, diferente da “lokona” que eu sou...
Selena abre a porta e eu prendo a respiração, mas ela me cumprimenta distraidamente. Basta um olhar para ver que ela estava ansiosa: andava de um lado para o outro, roendo as unhas e comendo o esmalte lilás.
A idiotinha estava esperando pelo vampiro, como uma tonta.
Ah, então vou esperar contigo...
Quando a festa já estava rolando, na quarta ou sexta música, e eu havia acabado de virar um copo de refrigerante, o maldito chegou.
Pulei para trás de uma planta (disposta em um vaso no hall de entrada), para observá-los.
- Hei, gostaria de dançar? – Perguntou um carinha, me cutucando.
Mal olhei para ele: só consegui perceber que era loiro, e o empurrei pra longe.
- Psiu! Dá um tempo!
Ouvi uma das inconfundíveis gargalhadas de Selena: a besta estava boba, corada, meio tonta, e o cafajeste do vampiro sorria, elogiando-a.
Ele lançou um olhar na minha direção, e eu quase morri, pensando que havia sido vista.
Mas, para o meu alívio, ele só estava verificando que ninguém além de Selena havia visto a chegada dele.
- E então... Gostaria de ir até o terraço? A noite está magnífica!
Selena ri, quase engasgando um “claro!” com voz melosa.
Era isso que eu estava esperando.
Sigo os dois bem quietinha, até o terraço. Bem, o vampiro não mentiu: a lua cheia lançava luz em todos os pontos, e não pude chegar muito perto. Quase não havia a porcaria das sombras.
Ele se inclinou sobre Selly, com um sorriso.
- Você poderia erguer um pouquinho o pescoço?
- Para que? – Indaga Selena, tentando parecer desconfiada, mas louquinha para fazer o que o cara dissesse.
- Sua pele é linda. – Sussurrou ele, mas eu pude ouvir. – E eu gostaria de vê-la à luz do luar.
Selena sorri, toda vermelha, e ergue a cabeça, de olhos fechados, esperando por um beijo.
É agora, Stacy, pensei, acabe com ele!!!
Jasper entreabre os lábios, fitando-a e se inclinando devagar...
Chego por trás dele, estaca erguida, abandonando as sombras. Então o inesperado aconteceu.
Ele se vira para mim tão rápido que fico zonza, e com uma bofetada só, jogou a estaca longe.
- Maldito! – Grito, batendo o pé. – Qual é o seu problema? Era para mim te matar!
- Stacy? – Indaga Selena, de olhos arregalados. – Stacy Ricce?
DROGA DROGA DROGA!
 O vampiro avançou pra mim.
- Você é muito inexperiente Stacy... Mas será uma experiência incrível provar o seu sangue, querida...
- Vai se engasgar, monstro! – Digo, mesmo tremendo como uma vara verde. – Sangue na veia de Bad Girl não corre, tira racha!
Ele ri de mim.
Mas e daí?
Acabou, mano. Ele vai me matar. Só espero que Selena escape. Vou morrer nas mãos de um sanguessuga e...
Anh???
Um vulto aparece, quase do nada, e joga água benta em Jasper, que recua, com fumaça saindo do rosto e dos braços fortes...
Eu estava muito grogue para registrar tudo, e aconteceu muito rápido: Jasper rolou, gritou alguma coisa e pulou do terraço para a escuridão da rua...
Selena olhava a cena, abismada, e eu olhava nos olhos do meu herói: o loirinho (que, por sinal, era muito gato) da pista de dança.
- Ross Christie. – Diz ele. – Membro da Liga do Escorpião.
Cara, como ele é quente!
Pois é, querido Diário Macabro...

Aconteceu tudo tão rápido, e estou tão cansada... Que termino de contar amanhã.

CONTINUA

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