segunda-feira, 9 de maio de 2011

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL - 4



Segunda, 09 de maio de 2011

Querido Diário Macabro,

Existe uma coisa sobre mim, sobre quem eu sou, que nunca contei a ninguém: Sou uma meio-sangue.
Cara... É tão difícil falar sobre isso...
Não sou uma garota comum (Jura? Percebe-se, Sra. Demônio!). Minha mãe é humana, mas meu pai... bem, ele é um vampiro.
É claro que ele não é um monstro bebedor de sangue como os que eu costumo destroçar em período integral: meu pai é a melhor pessoa do mundo.
Há muito tempo ele renunciou às sombras para ficar com a minha mãe, por amá-la. Ele bebe sangue, claro, mas sangue animal.
Eu, como meia-vampira, bebo um gole ou outro do sangue estocado no freezer, para completar minha alimentação humana. Mas... Caramba... Não acredito no que aconteceu ontem!
Eu mordi Ross.
Eu sei. Sou um horror.
Mas começou de uma maneira bem inocente (tá... nem tããão inocente assim) quando nos beijamos no parque. Estávamos lá, só nós dois, unidos, como se fôssemos os donos do mundo... Até eu meter os dentes na garganta do cara.
Não foi racional. Era mais forte do que eu.
O calor dele, o desejo de posse... Tudo me levou ao sangue. Fala sério, diário: você não entendeu bulhufas.
Ross também não.
Eu pensei em fazer uma piadinha do tipo:
“Olha, que demais! Você não foi o primeiro cara que eu beijei, mas essa foi a minha primeira mordida. Bacana, não?”
Mas não deu tempo.
O cretino me deu um fora.
Me empurrou como se eu fosse um monstro, um ser terrível.
- Você me enganou. – Murmurou ele, levando a mão ao pescoço.
Ele atirou as palavras em mim, junto com um olhar de acusação que me marcou pra sempre.
- Não, Ross. – Eu disse, tentando escolher as palavras, uma maneira de contar tudo a ele...
- Desde quando você é como eles?
 Ai, ai... Onde está o “nós”, os caçadores de vamps, os donos do mundo? Agora eu sou um “deles”.
- Nasci assim, oras. – Digo, fazendo o possível para me defender. – Eu ia contar, mas você não me deixou: Sua língua estava na minha garganta.
- E em resposta você me mordeu? – Indaga ele, cerrando os punhos como se quisesse me socar.
- Eu não queria... – Comecei.
- Meio - sangue. – Disse ele, revirando os olhos de repente. – Deus! Como não percebi antes? Seus reflexos não são rápidos por acaso...
- A maioria dos caras com quem eu saio não percebe. – Digo, com uma nota alta de sarcasmo na voz. – Ross, cara... Deixa eu te ajudar. Posso fazer um curativo e...
- Não me toque. – Diz ele, recuando.
Engulo em seco, encarando-o com as mãos na cintura.
- Então agora é assim? Onde está o papo “sinto como se já conhecesse você”? – Digo, com uma voz ridícula de escárnio. – Me conhecia nas horas de amasso, não é? Você é como todos os outros caras, falou?
- Eu te achei atraente. – Admitiu ele, após uma pausa. – E engraçada. Achei que poderia me entender. Mas isso – ele aponta para o sangue no pescoço. – Prova que somos de mundos bem diferentes, e vai contra os meus princípios, apesar de você não ser tão perigosa.
- Ui, princípios! – Digo, agitando as mãos. – Que lindo. Vai nessa. Você é mesmo melhor do que eu por ser humano. Vai me caçar agora?
- Não. – diz ele, secamente. – Mas quando a Liga souber, irá enviar novos membros. Quanto ao monstro do seu pai... Deve esperar pela minha visita.
O encaro de olhos semicerrados. Ninguém insulta meus pais. Ninguém.
- Pois tente. – Murmuro. Minhas mãos ficam tentadas a apertá-lo pelo pescoço. – Tente, Ross Christie. Tente tocar em um único membro da minha família. Você é um covarde. Não vai conseguir. Sabe que eu secaria seu coração até a última gota.
Dei as costas a ele, louca de raiva.
Não podia voltar pra casa antes de me acalmar. Não queria, de maneira alguma, que meus pais ficassem preocupados.
E também não queria (e nem pensar) ter que ver meu pai e Ross se enfrentando, em uma batalha em que o perdedor levaria a morte como prêmio de consolação.
É, sou dramática as vezes.
Bati na casa de Selena, que tomou um susto quando me viu na porta.
- Stacy, amiga! O que aconteceu? – Indagou ela. – Isso na sua boca é sangue?
- Ai, Selly! – Disse eu, abraçando-a – Preciso tanto de uma amiga!
Ela ficou surpresa nos primeiros segundos, mas logo senti seus braços nas minhas costas, me consolando.
Cara... Eu já disse que amo a Selly? Bem, estou dizendo agora.
Ela é meiga, doce... Dividiu um pote de sorvete de chocolate comigo e (melhor de tudo) não me acha um monstro (ao contrário de certas pessoas) e aceitou de boa que sua BEST FRIEND é meio vamp!
- Você é jóia, Stacy! - Disse ela. – E... Oh my God! Te adoro, garota. Independente do fato de você curtir dar um “chupão” em caras sensuais de vez em quando.
Selly, Selly, Selly...
O que eu faria sem você?
Voltei pra casa.

***

Hoje o dia passou depressa. Fui pra aula, conversei com Selly e Courtney... Mas não vi nenhum sinal do Ross.
Quando meus pais foram dormir, me sentei em uma poltrona na sala, para ficar de sentinela com um canivete.
Meus pais não sabiam de nada, e eu não queria ser surpreendida por Ross ou algum outro membro da Liga do Escorpião. Eu poderia ser vencida, mas antes, lutaria.
Quando era quase meia-noite e minhas pálpebras estavam pesadas de cansaço, ouvi um barulho em uma das janelas da frente.
Fiquei em pé em apenas um pulo, vislumbrando uma silhueta por detrás da cortina.
Mais rápido do que o pânico me permitiu acompanhar, já que meu coração martelava freneticamente, uma silhueta masculina deslizou para dentro da minha casa.
Não era Ross.
Felizmente, também não era Jasper.
Era um vampiro que eu não conhecia.
- Quem diabos é você? E o que quer aqui?
O vampiro sorriu.
Era bem alto, cabelo castanho, quase bronze, olhos verdes e pele muito clara. De boa, parecia um verdadeiro anjo da noite daqueles filmes de loucos.
- André Adornetto. – Respondeu ele, me encarando. – Stacy...
PORCARIA!
Porque toda vez que encontro um vampiro ou cara misterioso ele sabe meu nome?
- O que você quer? – Repito, impaciente, sem nenhuma estaca ao meu alcance.
André olhou nos meus olhos, e o desconhecido me dominou. Já vi pessoas que possuíam bonitos olhos verdes, como Selena, por exemplo... Mas André parecia esconder segredos milenares no olhar.
- Não sabe o quanto procurei por você. – sussurrou ele.
Ele veio até mim em uma velocidade inacreditável, e atirou meu canivete longe. Abri a boca para chamar meu pai, acreditando que ele estava pronto para me matar.
Mas não tive tempo.
Antes que eu pudesse reagir, o vampiro me beijou.

CONTINUA

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