sábado, 14 de maio de 2011

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL - 9



Sábado, 14 de março de 2011

Queridíssimo Diário Macabríssimo!

Sim, eu voltei.
Sim, estou viva.
Mas nada aconteceu como eu imaginei, pelo contrário: as coisas tomaram um rumo bem diferente.
Cara... Tive dois dias de cão! Vamos rebobinar minha vida e voltar para quinta-feira, 12 de maio.
Parei na parte em que a Liga do Escorpião apareceu para me capturar, depois de Ross Christie me dedurar.
Eu acho que gritei e tentei me livrar desesperadamente dos braços que me seguravam. Acho. A verdade dolorosa de que Ross me entregara parecia um tapa na cara, que me bloqueou todos os sentidos.
Nunca tive uma sensação de irrealidade tão intensa em todas as loucuras que já tive que agüentar na minha vida...
Mas acho que gritei, pois André apareceu para tentar me livrar.
Só que eles eram muitos, muitos mesmo.
Primeiro, como eu já disse, apareceram seis ou sete.
Mas depois vieram muito mais.
Apareciam como magia, vindos de todos os lados, cercando o único que podia me ajudar. Parecia a cena daquele desenho da Disney, “Alice no País das Maravilhas”, quando as cartas da Rainha de Copas saltam do nada, ordenadas e organizadas, sabendo exatamente o que deveriam fazer.
André foi capturado, e me lembro de ter sido jogada na traseira de um carro que por fora parecia uma ambulância, mas por dentro parecia mais um carro funerário.
Foi aí que a minha vista escureceu, e, pensando bem, acho que levei uma pancada forte na cabeça.
Não vi mais nada.
***
Na sexta-feira acordei com a sensação de ter lavado uma surra, cabeça latejando e dores insuportáveis em cada articulação.
Acho que ainda era de madrugada, porque tudo estava bem escuro, e meus olhos demoraram a se acostumar, já que a única luz do ambiente vinha de uma pequena vela há alguns metros.
Eu estava numa cela.
Mas, cara... Não me lembrava de ter ido “em cana”.
 Nesse momento ouvi passos e o desgraçado da noite passada, o cara do chapéu e do charuto, se aproximou da cela onde eu estava presa.
- Ora, ora... Vejam quem acordou! Stacy Ricce, a meio-sangue.
Me levantei com dificuldade, tentando recuperar um pouco do meu orgulho.
- Fique na sua, babaca. – Disse eu, com um fio de voz. – Você não passa de um babaca com um broche brega.
Ele riu.
- Brega? É o símbolo primordial da Liga do Escorpião, Srta. Ricce. Se for uma menina comportada, talvez um dia tenha um desse...
- Essa Liga pra mim é passado, se quiser saber. – Digo, em tom de afronta. – Vocês não são nada. E Liga do Escorpião... É um nome muuuuuito tosco.
O sorriso dele se apagou rapidinho.
- Acho que a senhorita não está em posição de nos insultar. – Diz ele. – Vim aqui para negociar.
- E quem é você?
Ele sorriu de novo. Droga.
- James P. Scorpion. Líder e fundador da Liga.
- É uma liga de seqüestro, então. – Digo, tentando fazer com que minhas mãos parassem de tremer.
- Você está aqui para o seu próprio bem, Stacy. – Disse o cara. – Não é todo dia que eu deixo uma meio-sangue ter essa chance, mas você poderá ter a oportunidade de provar que está do nosso lado.
- E por que diabos eu faria isso?
Ele ajeitou o chapéu.
- Bem... Ouso supor que você queira ter sua liberdade outra vez. – Sussurrou ele. – E salvar seu amigo vampiro...
Tive um sobressalto tão grande ao me lembrar de André que tive que me segurar nas barras de aço da cela para não cair. Que droga!
- Onde ele está?
James Scorpion riu.
O babaca filho da mãe estava muito feliz em me ver nas mãos dele.
- Bom... Antes precisa dizer se vai aceitar meu desafio...
- Que desafio? – Indago, desconfiada.
- Até que ponto você está disposta a salvar o vampiro?
Não respondo, e ele continua com a provocação.
- Arriscaria sua própria vida por seu amiguinho, Stacy?
Falei um palavrão nessa hora. Não me lembro qual.
- Você sabe que sim, seu grande escorpião barato.
Ele sorriu ainda mais.
Ordinárrrrrio.
- Então terá que jogar meu jogo... Com as minhas regras.
- Seu... – Comecei.
- Se quiser sair inteira daqui com seu amigo sanguessuga.
Senti tanto ódio que, se não houvesse a barra de aço da cela, teria arrancado os olhos daquele idiota ali mesmo.
- O que eu tenho que fazer? – Perguntei, com os dentes trincados.
- Boa garota. – Respondeu ele, antes de pedir para que um dos seus capangas abrisse o portão gradeado.

***
Fui empurrada para dentro de um galpão escuro e enorme, sozinha. Não conseguia ouvir mais nada além da minha própria respiração.
Então algumas luzes fracas se acenderam, e eu quase gritei: na verdade, o galpão era uma espécie de labirinto enorme.
Parecia um deserto cortado por muros, e eu achei que estava sozinha, até avistar uma mancha no chão, caída a poucos metros de mim.
Era André.
Corri para ele.
Estava muito pior do que no dia em que havia sido atacado por Jasper: a pele estava quase transparente, e ele estava inconsciente. Sua testa estava úmida, o que devia ser um péssimo sinal, já que os vampiros não transpiram.
Ele estava simplesmente definhando, e eu não sabia o que fazer...
- Como vai, Stacy? – Disse a voz de James Scorpion, vinda de algum lugar próximo.
No mínimo haviam câmeras e microfones instalados por ali. Parecia até uma cena de Jogos Mortais.
- Seu amigo não passa nada bem... – Continuou a voz. – Tomamos a liberdade de tirar um pouco do sangue dele, para podermos brincar... Mas você pode salvá-lo.
- Como? – Grito, sem saber o que fazer.
- Há uma bolsa de sangue fresco no meio do labirinto. – Continuou Scorpion. – Encontre-a e alimente o vampiro. Mas não demore, boneca: ele não tem muito tempo.
Me levantei e encarei o mundo de muros cinzas que me aguardavam. Não havia maneira de marcar o caminho: eu ia ter que usar meus instintos de meio-sangue.
Prendendo a respiração, adentrei o labirinto, correndo.

***
Devo ter andado em círculos diversas vezes, e quando estava entrando em pânico, perto de me jogar no chão, gritar e esmurrar as paredes, saí em uma espécie de câmara circular: o centro do maldito labirinto.
Meu alívio não durou nada (acho que nem houve tempo para ficar aliviada), já que não havia bolsa de sangue nenhuma.
Ao invés disso, encontrei Ross Christie.
Ele estava amarrado e amordaçado, e arregalou os olhos ao me ver.
- Mas que porcaria é essa? – Grito.
O riso rouco de James Scorpion é a minha resposta.
- Ai está a bolsa de sangue, Stacy... – Diz ele. – Aquele que te traiu, entregue de bandeja!
Paro, ofegante.
- Esse não era o trato! – Digo, me sentindo uma idiota.
- O que há com você, Stacy? – Escuto a voz do maldito dizer. – Ross Christie traiu você. Merece morrer. O vampiro que tentou te ajudar não merece essa chance?
Dou dois passos na direção de Ross. E paro de novo.
- Vamos, seu amigo vampiro não tem muito tempo... Por acaso você está apaixonada por Ross Christie, minha cara?
- Cale a boca! – Berrei.
Para a minha surpresa, Scorpion obedece.
Analiso a cena: ao lado de Ross, à direita, havia uma bandeja contendo uma seringa.
Então tive certeza de que alguma coisa estava errada.
Estava tudo fácil demais!
Scorpion sabia que eu poderia muito bem levar um pouco do sangue de Ross sem matá-lo... Alguma coisa estava errada, sem dúvida.
Corro até Ross e arranco a mordaça da boca dele.
- Stacy, você está bem? – Pergunta ele, e quase lhe dou um tapa na cara.
- Não por sua causa. – Respondo. – Seu traidor mentiroso, imbecil e duas caras...
- Eu nunca trairia você. – Diz Ross. – Juro que vou te contar tudo quando escaparmos, mas agora você tem que acreditar em mim...
Dou uma gargalhada seca e forçada.
- Vá para o inferno, Ross! Vou matar você. Não aqui, não agora, por que é isso que o Scorpion quer... Mas um dia.
- Pode me matar – sussurra ele. – Mas escute o que eu tenho a dizer: Ele preparou uma armadilha, mas você pode vencer se...
Nesse momento a voz de Scorpion se elevou, parecendo vir de todas as direções:
- Não foi rápida o suficiente, Stacy Ricce...
Putz!
Então era isso: Ross Christie tinha me enrolado de novo!
- E agora vai ter que caçar um monstro, como um bom membro da Liga do Escorpião. – Continuou Scorpion. – Você sabe sobre os Filhos da Lua, não sabe?
Fico muda, minha mente tentando decifrar a armadilha por trás da voz dele...
 - Acabamos de soltar um dos Filhos da Lua, mas não em seu estágio pacífico: ele foi torturado e está faminto... E você sabe do que eles se alimentam quando chegam nesse ponto, não é? – Ele fez uma pausa, enquanto meus dentes trincavam.
- Carne humana. Ficam irracionais. – Grito, enfim. – E depois disso, se tornam lobisomens, como nas lendas.
- Sim! – Exclama Scorpion. – Você é uma menina esperta, Stacy Ricce... Agora faça o que tem que fazer.
Escutei o barulho nítido do uivo da fera, seu rosnado vindo em nossa direção, nos farejando...
- Não! – grita Ross, me assustando. – É Selena!
Minhas pernas travaram.
Se fosse Selena...
- Você está mentindo outra vez, para que eu ajude você! – Exclamo, fuzilando-o com os olhos.
Ross me encara.
- Por tudo que é mais sagrado, Stacy... Não estou mentindo! Se Selena me atacar, estará condenada para sempre!
Eu sabia disso.
Eu não podia sequer imaginar a hipótese de ver minha melhor amiga transformada em um monstro sanguinário das trevas, como os lobisomens...
- Como pode saber que é a Selena? – Indago, desesperada.
- Conheço os jogos de Scorpion. – Responde ele, com os olhos faiscando. – Só pode ser ela.
Eu não podia arriscar.
Soltei as cordas que prendiam Ross, peguei a seringa e sai correndo no sentido oposto aos sons do lobo (ou loba, que poderia ser Selena), com Ross na minha cola.
Foi difícil encontrar André, e os uivos e rosnados nas minhas costas só me apavoravam. Quando finalmente o encontrei, sabia que já estava ficando tarde.
Avancei contra Ross, empurrando-o contra a parede.
- Preciso de um pouco do seu sangue. – Digo, olhando em seus olhos.
- Faça como quiser, Stacy. – Responde ele, me encarando de maneira desafiadora.
Não ergo a seringa.
Apenas mordo.
Da outra vez que mordi Ross, mal senti o gosto do sangue. Bom, eu achei, no dia, que o sangue havia “jorrado” direto na minha boca e que foi maravilhoso e tal. Agora acho que aquela primeira mordida não passou de uma pequena mordiscada, perto dessa.
Dessa vez, senti meus caninos latejarem e crescerem alguns centímetros, como verdadeiras presas. Mordi pra valer: Ross até estremeceu e seus músculos se contraíram de dor.
Suguei com vontade, absorvendo força e calor.
Quando soltei Ross (que estava três - quartos mais pálido), já me sentia outra pessoa: a força corria dentro de mim.
Eu, Stacy Ricce, não sou mais uma meio-sangue:
Abri meus olhos para o mundo dos vampiros.
E encontrei um par de olhos de loba raivosa, mostrando os dentes pra mim.
Era Selena, minha BEST FRIEND.
Ela avançou, e eu também: ela lutava como uma fera, e eu como alguém que só precisava salvar o mundo.

***

Não quero descrever minha luta com Selena.
Primeiro, porque alguns detalhes me escaparam: minhas novas habilidades de vampira comandaram tudo. E, segundo, porque é doloroso demais recordar.
Achei que uma de nós duas não sobreviveria.
Vou continuar a contar do ponto em que consegui dominar a loba selvagem, e depois de dar um jeito de “apagá-la” por completo, vi Selena surgir nos meus braços, desacordada, maltratada e ferida.
- Meu Deus, Stacy! – Exclamou Ross. – Você está ferida?
Ignorei a falsidade dele. Não precisava daquilo agora.
Tinha pessoas leais de verdade contando comigo, então peguei a seringa que trouxe do centro do labirinto e tirei um pouco do sangue de Selena.
Em seguida, me inclinei sobre André e despejei o sangue entre os lábios dele.
Ah, por favor, acorde!
Ele não acordou, mais o rosto dele recuperou um pouco a cor no mesmo instante. Sangue de uma Filha da Lua. Isso devia ter um poder extraordinário...
Senti a mão de Ross no meu ombro.
- Você conseguiu, Stacy. – Disse ele, quando me voltei para encará-lo. – Salvou a todos. Porque você é... Você.
Eu queria cuspir umas verdades na cara daquele desgraçado, mas não consegui.
Apesar da recente força adquirida, a luta com a loba me deixara esgotada...
A porta do albergue se abriu com estrondo e James Scorpion apareceu, seguido pelos seus capangas: dessa vez ele não sorria, mas parecia furioso.
- Parabéns, Stacy Ricce. – Disse ele, friamente. – Conseguiu. Levem-na!
Quatro dos capangas da Liga me seguraram, e outros dois seguraram Ross, que tentou segurar minha mão.
- Não vou a lugar nenhum sem André e Selena! – Gritei, desesperada.
É claro que eles não me ouviram.
Me jogaram novamente na traseira de um carro e me atiraram no jardim da minha casa, no mesmo lugar onde, vinte e quatro horas atrás, haviam me carregado para o inferno.
O carro deu a volta e desapareceu, indiferente aos meus gritos.
E hoje, assim que acordei, fui procurar os meus amigos.


CONTINUA

Um comentário:

  1. Estou adorando a serie,conheci no site Sobrenatural,e me apaixonei,dou muita risada com algumas coisas q Stacy diz,ela tem o mesmo estilo que eu,me chamam de "Esposa do Capeta" rs.Mais a serie é muito boa,parabens!!!

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