terça-feira, 10 de maio de 2011

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL - 5


Terça, 10 de maio de 2011

Querido Diário Macabro,

Ontem à noite fui beijada por um vampiro.
Nunca tive uma experiência como essa antes. Foi... Estranho, gelado e me deixou com borboletas bêbadas no estômago.
Curti e odiei ao mesmo tempo.
Curti por que, mano, foi fantástico!
Odiei porque uma idéia se abateu sobre mim no mesmo momento: Não era como o beijo de Ross Christie.
DEUS!
Parece até que eu estou apaixonada por Ross! Isso é totalmente viagem, por que... Nem sei por que, caramba!
Bom, mas esse não é nem O COMEÇO da história!
André Adornetto, o vampiro lindo que me beijou, é AMIGO DA FAMÍLIA!
Bom... Amigo é um exagero.
Seguinte:
Meu pai chegou na sala com a minha mãe, após eu ter gritado com André, depois de ter me livrado no beijo de arrepiar que ele me deu.
- Surtou??? – Berrei pra ele.
Quando eu descobri que meus pais conheciam o vampiro pervertido que acabou de me dar um dos melhores beijos da minha vida, fiquei paralisada.
- André? – Indagou meu pai. – André Adornetto?
Ele assentiu, passando a mão no cabelo castanho, como se fosse o dono do pedaço.
- É um prazer vê-lo, Sr. Ricce. – Disse ele. – Como vai Sra. Ricce?
Minha mãe deu um sorriso nervoso.
- Bem, obrigada! – Ela fez uma pequena pausa. – Posso lhe servir alguma coisa?
Ele riu.
- Não é necessário, mas obrigado pela gentileza.
Meu pai deu um passo à frente.
- Estão atrás de você?
- Não. – Respondeu ele, parecendo muito à vontade. – Me rastrearam em uma cidade vizinha, então recorri a Fatalville.
- O porão fica lá embaixo. Duas portas a direita pelo corredor. – Disse meu pai, friamente.
Eu nunca o havia visto tão sério.
André assentiu, esboçando um sorriso, passando por mim. Mas, antes de sumir de vista, ele se voltou.
- A propósito, Sr. Ricce, tem uma linda filha.
Senti meu rosto esquentar como brasas. Malandro...
Meu pai cerrou os punhos.
- Fique longe da Stacy. – Murmurou.
Os olhos do vampiro faiscaram.
- Como quiser.
Quando fiquei a sós com meus pais, só consegui pensar em uma frase:
- Oh. My. God!
Não conte para Selena. Ela vai me chamar de plagiadora.
Continuando:
- O que aquele vampiro está fazendo na nossa casa???
Semicerrei os olhos. Meus pais me dariam uma explicação, e AGORA!
Eles captaram a mensagem, porque se sentaram e começaram a falar, enquanto eu andava de um lado para o outro, absorvendo a informação.
Meu pai só teve um amigo vampiro na vida: Jeff Adornetto. Os dois eram do tipo vampiros bons: sangue de animais e essas coisas.
Meu pai se apaixonou por minha mãe na mesma época em que Jeff também se apaixonou por uma humana, Elizzy. Meus pais tiverem a mim, e Jeff e Elizzy tiveram André, um meio-sangue como eu.
Éramos duas famílias felizes, até que começamos a ser perseguidos por caçadores de vampiros. Não eram como a Liga do Escorpião: eram caçadores cruéis que matavam os vampiros por simples prazer.
Eu era só um bebê na época, então não me lembro de nada.
Quando cercaram a casa onde as duas famílias estavam escondidas, Jeff os enfrentou e acabou se sacrificando por nós.
Mas antes ele pediu para que meu pai cuidasse de Elizzy e André. E foi isso que ele fez: deixou-os em um lugar seguro antes de nos mudarmos para Fatalville.
E hoje, dezesseis anos depois, André apareceu para pedir abrigo.
Mas o que nos incomodou de verdade é que André deixou sua posição de meio-sangue. Ele é totalmente vampiro.
Já conversamos sobre isso, meu pai e eu.
Eu poderia escolher entre dois caminhos: continuar bebendo sangue animal e ser uma meio-sangue, o que significa que eu envelheceria e morreria como qualquer um, ou me tornar uma vampira.
Beber sangue humano (o que não diz necessariamente matar), seguir imortal e parar de envelhecer.
Meu pai envelhece como qualquer pai mortal, pois, apesar de ser um vampiro, mordido e transformado aos vinte e sete anos, tinha deixado o sangue humano para trás há muito.
André, obviamente, andara se fartando de sangue humano há algum tempo, e agora era um vampiro completo.
Depois de saber da história toda, fui dormir, trancando muito bem a porta do quarto.
Nessa noite, sonhei com Ross.
(Quis morrer por causa disso, mas não controlo meus sonhos, oras).

***
- Oh my God! Oh my God! Oh my GOD!!! – Gritou Selly, histericamente, ou melhor, “selenamente”. – Não acredito que o vampiro te beijou!
- Psiu! – Cutuquei-a. – Dá pra ser um pouquinho menos “Selena Johnson”?
- Desculpe! – Sussurrou ela, juntando as mãos.
Estávamos na escola e ela poderia me fazer o favor de não pirar na batatinha e deixar as fofoqueiras do segundo ano escutar nossa conversa de malucas.
Selly estava vestindo uma camiseta com um macaquinho desenhado, short jeans, meia calça cinza e botinhas pretas de camurça.
Não é possível!
Como ela consegue ficar bem com qualquer roupa, por mais estranha que seja?
 Quando eu disse isso a ela, minha BEST FRIEND se limitou a sorrir.
- É estilo, Stacy! Você também tem o seu, garota.
Olhei para minhas próprias roupas. Não estavam mal. Calça jeans skinny preta, blusinha vermelha e uma bota também vermelha, com fivelas.
Parecíamos o contrário uma da outra.
Mas beleza. Dá pra levar.
Vimos Courtney vindo na nossa direção. Outro estilo oposto. Vestido rosa xadrez e sapatilha lilás. 
Que meigo.
Eu vomitaria.
- Vocês não vão adivinhar! – Disse ela, com os olhos cinzentos arregalados.
- Acho que não. – Disse eu, que estava com um péssimo humor.
- Bob Gardlan voltou!
Ela e Selena soltaram gritinhos animados. O tal Bob era um cara bonitinho que esteve em um intercâmbio na França e...
PARA TUDO!!!
Senti o mundo silenciar. Já não escutava nenhuma voz, não via mais nada.
Nada além de Ross Christie parado a poucos metros de mim, seus olhos fixados no meu.
Courtney falava comigo, mas eu não conseguia lhe dar atenção.
Ross me hipnotizava, me sugava, consumia...
Pode parecer ridículo, mas me senti assim.
Ele começou a andar na minha direção. Eu via tudo quase em câmera lenta. Como ele é gato, meu...
Dei meia volta e me encaminhei para o outro lado do refeitório, apressadamente. Podia fingir que não o tinha visto...
Trombei com alguém. Mordi o lábio inferior e me preparei para pedir desculpas.
Mas não disse nada. Era André.
- Que diabo! O que você está fazendo aqui?
- Stacy... Você precisa me ajudar!
Pela primeira vez, ele estava nervoso e quase assustado.
- Santo Deus! O que você quer?
Ele me segurou pelos ombros.
- O cara que estava me caçando ontem está aqui!
- O que? Onde?!
Os olhos de André se ergueram para algo atrás de mim.
Virei a cabeça.
Um rapaz vinha e nossa direção, com um olhar assassino. Eu ia tentar falar com ele, mas vislumbrei outro vulto familiar que também se dirigia a nós.
Senti minha cabeça girar.
O primeiro, que André fitava aterrorizado, era Ross.
O segundo, que me fez estremecer, era Jasper MaCallough.
DROGA DROGA DROGA!!!
CONTINUA

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