sexta-feira, 13 de maio de 2011

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL - 7



Quinta, 12 de maio de 2011

Querido Diário Macabro:

Por que certas coisas só acontecem comigo???
Aposto e ganho que você nunca viu sua BEST FRIEND virar uma espécie de vira-lata gigante e se atracar com um vampiro sanguinário bem diante de seus olhos.
Viu só? Essas coisas só acontecem COMIGO!
Ainda bem que eu não sou do tipo que fica paralisada por mais de alguns segundos após uma cena inusitada como essa. Agi. Parti para a batalha.
Ajudei Selly/loba a acabar com o vamp. E Ross também, claro.
Mas deixa a mamãe aqui começar do início, OK?
Ross e eu interpretamos a cena de maneira errada quando chegamos. André estava ensopado de sangue, na frente da casa da Selena, diante de uma janela quebrada...
Cara... Achei que minha melhor amiga tivesse morrido nas mãos de um vampiro que eu deveria proteger.
Porém a história não é bem essa.
André estava conversando com Selly, segundo ele.
Você vai engolir essa?
Eu não.
Já que eu não estava lá (como disse anteriormente, nessa hora eu estava dando um amasso no gostoso do Ross Christie...) vou contar o que eu acho dos fatos que soube de segunda mão.
André estava flertando com Selena, da janela.
Tava lá, vampirão, olhos verdes, e a bobona se derretendo...
Então, rá!
Apareceu Jasper, malandrão, olhos de assassino...
Ele e André BAHN!
E depois, PÁH PUM!
E então, THAN THAN!!!
Resumindo: André rasgou um pedaço do braço de Jasper, após ter sido atacado por este.
Quando Jasper percebeu nossa presença, se escondeu na floresta, porque sabia que eu e Ross iríamos pensar que André havia atacado Selly...
Mas é claro que ele (nem eu!) contava com uma coisa: Selena Johnson, a Baby Doll, é uma garota loba!
Quando ela saltou sobre Jasper, Ross e eu pensamos juntos: É agora que o desgraçado morre!
E foram duas estacas... No coração e nas costelas do bandido.
Uma das melhores coisas na hora em que se mata um vampiro é que ele vira cinzas. Nenhuma preocupação em enterrar, queimar ou esconder o corpo...
E Jasper McCallough é um item a menos em nossa lista de problemas! Rá!
E então veio a explicação de Selena.
A loba cinzenta, assim que viu o vampiro se transformar em pó, se tornou de novo a coisa que eu considero minha melhor amiga desde a quinta série.
Deixa eu explicar direitinho: a loba. Virou Selena. Do nada.
Selena, com as roupas super alinhadas como sempre, o cabelo escuro perfeitamente penteado, sorriso enorme no rosto... Comecei a tremer, apontei um dedo para ela, quase tocando-a no nariz...
- Mas que BELA DROGA!
Todo mundo olhou pra mim.
Selena fez uma careta, e André me encarou, apoiado na parede, visivelmente machucado.
Até Ross, que observava pensativamente o resultado (em pó) do nosso primeiro homicídio em conjunto, se voltou para mim, surpreso.
- Eu... – Começa Selena.
- PSIU! Não diga nada sua orrrrdinárrrria!
Selly fez um biquinho.
- Pegue leve, Stacy! – Pede ela. – Eu também tinha meu segredo, tá legal? Como acha que eu pude aceitar tão de boa sua origem vampírica?
Ela tinha razão.
Mas sou Stacy Ricce.
Sou uma cabeça dura.
Não vou admitir isso tão fácil!
- Bebo um copo ou outro de sangue de vez em quando... – Digo, procurando as palavras certas. – E mordi aquele garoto ali quando ele me deu o melhor beijo da minha vida... Mas você consegue se transformar em uma vira-lata tamanho família e nunca me disse nada!
Selly bateu os pés.
- LOBA! – Disse ela, quase aos berros.
- Como aconteceu? – Indago, louca de curiosidade e acreditando cada vez mais que tudo foi um sonho estranho.
Mas nesse momento ela faz uma coisa (e só agora percebo que nos últimos tempos, Selena nada fazendo muito esse gesto): ergueu o rosto e franziu levemente o nariz.
- Meus pai estão chegando. – Diz ela, voltando a me encarar. – É melhor... Hmm... Tirarem o André daqui. Já vai ser difícil explicar a janela quebrada...
- Você farejou o ar? - Pergunto, incrédula. – Selena...!
Ela não respondeu, só fez um sinal apressado na direção de André.
O vampiro estava quase desacordado, mais pálido que o normal, apoiado na parede da casa.
Com esforço, passei o braço dele por cima do meu ombro.
Olhei para Ross.
- Será que você pode me dar uma força aqui?
Ele me encarou e fez uma expressão de desgosto, mas resolveu colaborar.
Fomos juntos, carregando André pra minha casa.

***
Hoje André acordou bem melhor, e eu também.
Selena me ligou.
A tapada achou que eu não aceitaria o negócio de virar loba.
 Eu bebo sangue e ela tem pulgas, paciência. Uma amizade é feita assim...
O incrível mesmo é como ela deixou de ser Baby Doll para ser uma cachorrinha em período integral.
Selena é o que a Liga do Escorpião chama de Filha da Lua.
É um caso bem raro, e tudo o que eu sei aprendi lendo os artigos do web site da Liga.
Acontece com adolescentes que tem forte sensibilidade espiritual. Porque a Lua é o elemento do equilíbrio, o lobo representa a pureza, a natureza isso e aquilo e blá-blá-blá...
Isso tudo é tão “Selena”!
Mas ainda estou tentando não surtar.
Minha amiga é uma loba... Mas posso levar de boa.
Sei que posso.

***

Mais tarde bateram na porta do meu quarto.
Era André.
Ele se curou bem rápido, pois isso está na natureza de um vampiro.
- Eu queria te agradecer. – Diz ele, passando a mão no cabelo castanho. – Por ontem.
Olhei para ele.
André Adornetto parecia ser só um vampiro folgado e depravado, mas eu não o conhecia. E ele sempre acabava me surpreendendo.
- Qual é, cara? Eu que quero agradecer. – Digo, por fim. – Talvez Jasper houvesse feito Selly em pedaços...
- Ou o contrário. – Diz ele, piscando um olho. – Selena é uma garota incrível. Espero poder conhecê-la melhor.
Senti cada músculo do meu corpo se retrair.
- Não quero você perto dela, André. – Digo, com a voz inesperadamente áspera. – Selena já teve experiências ruins o suficiente com vampiros.
Ele suspirou, e as sombras do seu rosto se acentuaram um pouco.
- Não pode proteger Selena para sempre. – Diz ele. – E nem mesmo Fatalville.
- Sou uma guardiã. – Respondi. – E essa é a minha cidade, oras, tudo o que eu conheço, tudo o que eu aprendi a curtir... Está aqui.
Ele me dá as costas, indo até a janela do quarto.
- É isso que me preocupa em você, Stacy. – Diz ele. – Acha que pode salvar o mundo, mas não pode. As pessoas vêm e vão. Você não pode impedir que algumas coisas aconteçam, às vezes.
- Morrerei tentando. – Insisto.
Ele se voltou pra mim.
- O tempo está se esgotando, Stacy. – Diz ele. – E com ele o seu tempo no mundo humano: logo fará sua escolha, e será uma vampira, como nós.
-Quem é“nós”? – Indago.
- Nós, os seres da noite, vampiros, lobos... Também precisamos de você, Stacy.
Eu ia perguntar o que ele queria dizer, mas ele se voltou de repente, focando-se em alguma coisa além da vidraça da janela. O sol estava se pondo, e a tarde, muito gelada. Na pouca luz eu podia ver seus traços perfeitos e simétricos.
- Mas, por enquanto, aproveite sua liberdade humana. – Disse André, dando de ombros e indicando a janela com a cabeça. – Seu namorado caçador a espera.
Olhei pela janela depois que ele saiu do quarto.
Ross estava lá.

***
Fui até ele me sentindo estranha.
Ontem, quando nos beijamos, eu achei que havia rolado alguma coisa especial, mas, sei lá... Não sei quem é Ross Christie.
É uma coisa totalmente sem noção estar apaixonada do nada, depois de um beijo ou outro. Estou sendo uma adolescente idiota e irracional, empolgadinha por ter um caso com um cara bonito. Típico.
- Voltou para mim, Ross Christie. – Digo, ao me aproximar, em um tom sacana. – Você disse que eu sou má. Má, mas você volta, não? Sabia que você não resistiria.
Mas ele parecia distante, e eu tinha a ilusão de que sua mente estava a quilômetros.
- Stacy. – A voz dele era um sussurro. – Stacy, eu sinto muito...
- Pelo que? –Pergunto, com uma sobrancelha erguida.
Ele me encarou e segurou minhas mãos.
- Juro que não há outra saída.
Os olhos dele eram terrivelmente tristes.
- Ross, que diabos...?
Não pude terminar.
Eles eram seis ou sete, e vieram de todos os lados.
Tinham facas e punhais, além de armas de todo tipo, e me agarraram pelos pulsos.
As mãos de Ross foram arrancadas das minhas.
- Quem são vocês? – Perguntei, quase em desespero.
Um cara alto e grandalhão se aproximou de mim.
Usava um chapéu e fumava um charuto.
- Não nos conhece, Stacy Ricce? – Ele fez uma pausa. – Éramos seus irmãos. Mas agora sabemos quem você realmente é, graças ao nosso membro recém promovido. Quase nos enganou, mocinha!
Vi uma coisa dourada faiscar na aba do chapéu: era um broche de ouro, com o formato de um escorpião.
Olhei para Ross.
Ele estava ali parado, sem ousar me encarar. Parecia outra pessoa.
Quando apertaram ainda mais os meus pulsos, gritei: mas ninguém escutou.

O dia se transformava em noite, e, enquanto eu era arrastada pelos membros da Liga do Escorpião, reconheci Ross Christie como um traidor.
CONTINUA

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