domingo, 15 de maio de 2011

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL - 10


Domingo, 15 de maio de 2011

Querido Diário Macabro;

Cara... Nem sei por onde começar.
Quando cheguei em casa na sexta, fraca, esfarrapada, parecendo um monstrinho, depois de ter desaparecido por 24 horas, meus pais quase enfartaram.
Me senti uma criança de 5 anos de novo: sendo vestida, alimentada e colocada na cama por meus pais.
Eles já sacaram, na hora em que me viram (percebi, apesar de não terem tocado no assunto): eu era uma vampira agora.
Eu sabia que já não era possível ser uma meio-sangue, e que ser uma vampira pacífica (como meu pai) ia ser cada vez mais difícil, já que o meu apetite por sangue humano começaria a crescer.
Senti a transformação quando bebi sangue humano direto da fonte, ávida, com vontade.
E foi... Torturante.
O sabor era fantástico, mas aquele era Ross Christie, o garoto que eu confiei tudo o que eu tinha e que no fim me traiu.
Mas não posso me dar ao luxo de ficar nesses detalhes: me deixe contar tudo o que eu fiz ontem, no sábado.
No sábado, sai cedo, antes que meus pais acordassem.
Meu pai havia ficado de vigília quase a noite toda, e disse que iria dar um jeito de salvar Selena e André, me fazendo prometer que não iria sair de casa, onde eu estava em segurança.
Mas é claro que eu quebrei a promessa.
Deixei um bilhete para os meus pais e sai de casa com apenas uma mochila e alguns trocados no bolso do jeans.
Eu não sabia exatamente onde ficava o esconderijo da Liga do Escorpião, mas se usasse meus instintos conseguiria encontrar.
Mas antes... Eu estava faminta.
Meu cérebro despertou para um novo foco: cada pessoa que passava por mim parecia exibir uma linda e cheirosa garganta, só para me deixar com água na boca, como quando se vê um pedaço de bacon bem fritinho e quentinho diante de você... Só que melhor.
De repente avistei uma garganta muito tentadora.
Era clara, delicada... Eu poderia aspirar o perfume de longe...
- Ei, Stacy! – Diz Courtney, me assustando. – Você está legal?
Droga! A dona da garganta era ela.
- Eu, ahn... – Começo, tentando desprender os olhos do pescoço da garota. – Estou ok. Ah... A gente se vê!
Dou as costas pra ela, com pressa.
Entro em um dos bares vazios da rua, virando uma esquina, e enfio os dentes na garganta do balconista, antes que ele pudesse reagir.

***
Deus... Que delícia.
Que foi?
Não matei ninguém, droga!
E o cara não se lembrará de nada... Nem teve tempo de me ver e gravar meu rosto!
Valeu a pena.
Eu estava forte para encarar a Liga.

***
Devo ter andado por umas três horas, mas encontrei o abrigo dos bandidos.
Era uma das velhas fábricas abandonadas na avenida que saia no mar, muito comuns em Fatalville.
Quando eu era criança e meus pais me levavam à praia, eu gostava de passar por ali de carro, observando a floresta praticamente impenetrável daquela região e imaginando histórias de prédios mal-assombrados.
Mas hoje era dia de aprontar, não de ficar recordando.
Vi dois caras grandes na entrada do velho prédio, de guarda.
Isso ia ser uma bela porcaria... Caraca!
Meu raciocínio foi interrompido quando vi alguém (era um vulto correndo no meio de arbustos e das árvores) passar pelos sentinelas, derrubando um deles, e fugir em desespero, arriscando se perder para sempre ao adentrar a mata.
Os guardas dispararam vários tiros, mas não obtiveram sucesso. Se prepararam para perseguir o fugitivo, mas um terceiro guarda os deteve.
- Deixe-o ir. Ele vai voltar.
Mal pensei sobre o que eu havia acabado de ouvir: agucei todos os meus instintos e segui na trilha do fugitivo.
Corri o mais rápido que podia, trombando nas árvores e me enroscando nos galhos: e se o fugitivo fosse André? Ou algum vampiro ou Filho da Lua que pudesse me ajudar?
Quando estava começando a ousar ter alguma esperança, tropecei em Ross Christie.
Fiquei chocada.
Ross estava um tanto maltratado. Seus pulsos estavam machucados (eu podia sentir o cheiro do sangue seco), e me encolhi quando nossos olhos se encontraram.
Aimeudeus... Ele ainda é tão lindo como na primeira vez que eu o vi.
- Stacy... – Bebi o som do meu nome dito na voz dele. – Stacy, você está aqui! Eles disseram que você estava morta...
A mão dele tocou o meu rosto, e eu despertei do transe: empurrei Ross para trás, com repulsa.
- Seu idiota filho da mãe... Era só o que me faltava! Fique longe de mim, Ross Christie: Mato você se me dedurar para os seus amigos babacas de novo!
- Amigos? – Ele ergueu uma sobrancelha. – Será que você não enxerga, Stacy? Eu fugi. E ontem, quando Scorpion fez aquele jogo no labirinto, ele queria me ver morto.
Assimilei as palavras.
Era verdade.
Não havia dúvidas de que Scorpion não considerava Ross nenhum queridinho. Estava claro que ele queria que eu o houvesse matado, ou, como última alternativa, que Selena o houvesse matado.
- Isso não muda nada. – Respondo, com a voz rouca. – Eu confiei em você. E você me traiu. Não merece minha confiança... Não merece compreensão de ninguém!
Deixei um soluço escapar.
Abri caminho, correndo, até o mar.
A floresta dava na areia de uma das pequenas praias de Fatalville. A água devia estar bem gelada, porque o vento estava frio e o sol era bem fraco.
Olhando para a imensidão azul e solitária, tive vontade de me jogar, dormir embaixo da água e nunca mais despertar.
Que droga!
Eu tinha acreditado em Ross.
Achava que ele me entenderia, que era uma pessoa especial. Um amigo leal e até mesmo algo mais...
E de repente eu estava completamente enganada.
O mundo desmorona sobre minha cabeça e a responsabilidade sobre as vidas de Selena e André é toda minha!
A única coisa que me faz viva agora é entender que, se for para morrer, morrerei tentando salvá-los.
Nesse instante, Ross me alcançou, ofegante.
As mãos dele apertaram meus ombros.
- Stacy, por favor... Me escuta!
As lágrimas começaram a rolar.
- Eu imploro: acredite em mim. Eu jamais trairia você!
Aquilo doia.
Não só porque tudo aquilo era muito injusto, ou porque eu estava morrendo de saudades de Selena, mas também porque queria acreditar nele.
- Não, Ross... – Comecei.
Minha voz estava embargada.
Eu queria poder ter alguém ao meu lado, mas não podia errar de novo, confiar em quem não merecia, se as vidas de duas pessoas estavam em risco.
Traidor, traidor, traidor...
Ele não me soltava, e acho que tropeçamos: estávamos caídos na areia morna.
Eu estava chorando e ele me olhava numa espécie de apelo silencioso e desesperado.
- Stacy, sabe por que me colocaram naquele labirinto?
Não respondi.
- Tentei soltar você, Selena e o vampiro.
- Se não tivesse nos denunciado, não teria esse trabalho! – Respondo, amarga.
- Por que acha que fui eu que denunciei você? – Ele indagou. – Eu nunca trai sua confiança, Stacy. E nunca trairia. Jamais. Gosto demais de você...
- Chega disso! – Exclamo. – Se não foi você, quem me denunciou? Quem? Vai dizer que foi Selena ou André? Ninguém mais sabia!
Nos sentamos, sem deixar de nos encarar.
- Jasper McCallough... – Começou ele.
- Morto! – Grito. – Ou ele veio do além?
- Não, não foi ele que te denunciou: Foi uma vampira que andava com ele. – Recomeçou Ross. – Ele não estava sozinho. Tinha companhia aqui em Fatalville. Nós o matamos, e ela quis vingança.
Deixei que ele continuasse.
Iria levar um soco no olho se não terminasse logo com essa história.
Ross desviou os olhos do meu rosto para o mar.
- Ela me capturou. Naquela mesma noite em que matamos Jasper. Queria saber onde você e Selena estavam. Eu não disse nada.
- Espere! – Digo, impaciente. – Como pode provar o que está dizendo?
Ross suspirou e, lentamente, ergueu a camiseta.
Fiquei boquiaberta.
Não por causa da barriga sarada dele, mas por causa das cicatrizes de mordidas e arranhões que marcavam todo o seu abdômen.
- Satisfeita? – indagou ele.
Não consegui dizer nada além de uma única palavra:
- Continue.
- Eu não disse nada sobre você ou Selena para ela, e isso a deixou furiosa. Quando consegui escapar dela para tentar te alertar, encontrei a Liga inteira posicionada ao redor da sua casa. – Ele me encarou. – Quando Scorpion me contou que havia recebido a ligação de uma vampira, negociando a captura de uma meio-sangue e uma Filha da Lua, tentei a todo custo convencê-lo a não fazer isso. Juro, Stacy. Tive que deixá-los te levar para que não me prendessem também. Mais tarde tentei soltar você, Selena e André. Me pegaram. Eu falhei.
Ele suspirou.
- Me perdoe.
Fiquei muda, paralisada.
- Diga alguma coisa, Stacy. Por favor!
- Não há nada para ser perdoado. – Digo, enfim. – Mas preciso saber quem é a vampira e o que ela realmente quer a ponto de entrar em contato com uma liga de caçadores de vampiros...
- O nome dela é Elizzy. Elizzy Adornetto.
???
...
PORCARIA.

***
Então é isso: Surpresa!
Elizzy Adornetto, a esposa de Jeff Adornetto e mãe de André é a vampira responsável pela minha desgraça.
Perfeito!
O que me faz pensar: André é inocente nessa ou sabia que a mamãe ex-humana andava pelas redondezas?
Meu cérebro deu um nó bem grande.
- Não posso acreditar! – Exclamei pela milésima vez.
Ross suspirou e segurou meu rosto entre as mãos.
- Isso tudo vai ter que esperar. Agora precisamos tirar Selena de lá.
- Você vai me ajudar? – Pergunto.
Eu tinha que acreditar em Ross agora. Ou não teria condições de prosseguir.
Ele me olhou com faíscas no olhar.
- Sempre que você precisar de ajuda, eu estarei com você, Stacy. Queira você ou não.
Senti meu coração se apertar.
Não podia ceder assim e acreditar cegamente em Ross.
Mas imaginar que ele havia passado por tanta coisa só para me proteger... Era de matar.
- Scorpion já está nos esperando. Quer atacar agora?
- Não. – Respondo. – Primeiro temos que planejar tudo. Atacaremos assim que escurecer.
Olho para o céu.
O sol ainda estava a pino.
- Afinal, os vampiros ficam mais fortes à noite.

***
Foi meio complicado chegarmos até o telhado, mas deu tudo certo.
Tivemos que surrar (em silêncio) dois guardas que estavam vigiando por ali.
Eu ia parar para jantar um deles, mas não tínhamos tempo: se nos pegassem, já era.
Ross não conhecia bem as coisas por ali.
Eu, muito menos.
Mas o universo estava conspirando ao nosso favor: encontramos um velho túnel, provavelmente uma chaminé pequena da velha fábrica, que nos levou até o corredor das celas dos prisioneiros.
Enquanto nós rastejávamos, tentando não provocar nenhum ruído, percebi uma espécie de fuligem escura por toda parte.
- O que é tudo isso? – Indago.
- Poeira das chaminés, acho. – respondeu Ross. – Mas é melhor não pensar em ascender um isqueiro: pode ser inflamável.
Quando chegamos ao corredor das celas, percebi que elas eram improvisadas: as barras de metal haviam sido recentemente colocadas de forma que bloqueassem as passagens para velhas saletas.
Mas todas estavam vazias.
Cerrei os pulsos, nervosa.
- Acha que eles... – Não completei meu pensamento.
Ouvimos passos.
Peguei minha adaga (uma arma que poderia ser útil tanto contra humanos como contra vampiros) e aguardei.
Ross sacou uma pistola.
- Onde arranjou isso, garrrroto? – digo, morrendo de inveja.
Ele me dá uma piscadela.
- Roubei na fuga.
Quando eu ia investir contra dois vultos indistintos que vinham até nós no corredor pouco iluminado, escutei um gritinho agudo e familiar.
- Stacy! Oh. My. God!
Selena.
Abracei minha amiga, sentindo meu corpo todo estremecer de alívio e... Alívio! Minha BEST FRIEND...
Me preparei para abraçar o outro vulto, acreditando que era André, mas me deparei com um estranho.
Era um cara bem alto, e devia ter uns vinte anos. Usava jaqueta e botas de motoqueiro, o cabelo tinha um tom acinzentado e as mãos estavam no bolso da jaqueta. Hmm... Gatão.
- Este é John Ray. – Diz Selena, com um sorriso abestalhado. – Ele está com a gente.
O cara se limitou a fazer um breve aceno com a cabeça na nossa direção.
- Como você se recuperou? – Pergunto a ela. – Da última vez que nos vimos você estava com a macaca... Ou melhor, com a loba.
- Me deram comida. – Diz ela. – Acho que planejavam fazer experiências comigo. Mas hoje capturaram o John, e conseguimos escapar das celas e dar um jeito nos guardas da área.
- E cadê o André? – Pergunto.
- Levaram ele há algumas horas. – Responde Selena. – Scorpion e uma mulher. – Ela faz uma pausa. – Mas ele não parecia em apuros. Parecia que já conhecia a tal fulana.
Não tive tempo de abrir a boca.
Scorpion vinha na nossa direção.
- Olhem que quarteto feliz! – Exclama ele. – Stacy Ricce voltou, e trouxe o namorado fujão com ela!
Seis ou sete capangas vinham com ele, todos carregando armas.
- Matem todos. – Ordenou Scorpion, com voz entediada.
Nenhum de nós hesitou.
Fui com a adaga na direção de Scorpion, e consegui rasgar um pedaço do ombro dele.
John Ray me deixou boquiaberta ao virar um lobo enorme, do tamanho de um urso, e atacar três caras de uma vez.
Selly, também transformada em loba, estava quase arrancando a perna de um deles, enquanto Ross trocava tiros com outros dois.
Foi tudo um caos, e, inacreditavelmente, conseguimos escapar.
Quando derrubamos a porta da frente, com homens gritando e correndo em nosso encalço, me voltei, abrindo a bolsa.
- O que está fazendo, Stacy? – Indagou Ross, nervoso. – Vamos logo!
 - Não antes do meu toque final! – Respondi.
Ascendi um fósforo e o deixei cair no chão, que era coberto pela mesma fuligem da chaminé.
Segundos depois, enquanto corríamos para a noite, a fábrica inteira estava em chamas.

***

Novamente, cheguei em casa maltrapilha, e meus pais ficaram aliviados em me ver.
A diferença era que, dessa vez, eu não procurava vingança, nem estava zangada ou com medo.
Eu estava mais do que feliz.

***
Meu domingo foi um dia... Normal.
Almocei na casa de Selena e conversamos por algumas horas, sem parar.
Alguns minutos foram sobre assuntos como “Liga do Escorpião” e “Onde está André?”.
O resto foi sobre os meus sentimentos por Ross e sobre o quanto ela estava gamada por John. Ele prometeu ligar.
Mais tarde, quando eu estava voltando para casa, encontrei Ross me esperando no jardim.
Ele sorriu ao me ver.
- Vim me despedir.
Meu coração doeu.
- Você vai se mandar? – Indago, descrente.
- Não. Eu não ousaria sair de Fatalville ou deixar você sozinha. – Ele faz uma pausa. – Stacy, acho que é melhor não ficarmos juntos... Por enquanto.
- Por quê? – Perguntei, chateada.
- Você incendiou a maior liga de caça vampiros conhecida, e eu sou um dos caçadores mais procurado por feras sanguessugas... Seremos um alvo para muitos inimigos.
Ele tinha razão.
Não me contive e o beijei.
Foi um beijo longo.
- Obrigada por tudo. – Eu disse depois, quando estávamos abraçados. –Eu acho que estou apaixonada por você, Ross. Mas não o conheço ainda.
Eu nunca tinha dito algo assim para um cara, mas o que eu podia fazer? Era verdade.
- Eu também, Stacy.
Suspiro.
- Mas você tem razão. Nos afastarmos será o melhor, no momento. Pelo menos até as coisas se acalmarem. – Fico em silêncio por um tempinho – Mas eu gostaria que não perdêssemos totalmente o contato. Sei lá...
Ross sorri.
- Eu já pensei nisso.
Ele me deu um beijo de despedida, e, sem mais explicações, partiu.
Subi para o meu quarto, com as lágrimas enchendo meus olhos, apesar da tentativa de ser forte e não agir de maneira infantil.
Ao me trancar no quarto, a primeira coisa que encontrei foi um envelope vermelho, em cima do criado mudo.
Abri e comecei a ler, com a respiração suspensa:


A chuva cai
E o medo está em mim
Estou com tanto frio
Sem o seu calor

Porque você é você
E nada se compara
Podem destroçar meu corpo
Mas é com você que minha alma estará

Não vamos deixar
O veneno do escorpião nos separar

Quando seu mundo cair
Também estarei lá para te salvar

Por aí eles dizem
Que entre nós não há amor
Talvez estejam certo:
Apenas amor não explica tanto sentimento

Pensar em você
Devolve a minha coragem
E vou prosseguir lutando
Com tanta saudade que chega a doer

Atravessarei o céu e o inferno
Para te ver sorrir outra vez

Minha única luz
É o brilho que existe em você

Ross Christie


Sorrio no meio das lágrimas.
Vou prosseguir, Ross.
Por você.
Por nós.

Pelo nosso amor de sangue.

FIM DA 1ª TEMPORADA

3 comentários:

  1. Quero continuação, please!
    Foi a melhor história de vampiros que eu já li!!!
    Agora você vai ter que continuar antes que nos mate de curiosidade...
    Você já pensou em escrever um livro? Porque você escreve muito bem!
    Na hora em que sair a continuação, vou vim correndo ler!
    Aguardando...

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  2. eu qero ler maissssssssss.meu deus isso ta muito legallll (:

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  3. Essa série é muito boa,não consigo mais parar de ler desde que conheci no site Sobrenatural.Estou doida pra ler a 2º temporada!

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