quarta-feira, 11 de maio de 2011

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL - 6


Quarta, 11 de maio de 2011

Querido Diário Macabro,

Eu estava em pânico.
Parecia um pesadelo: André e eu cercados por aqueles que nos queriam ver mortos, ele segurando meus ombros, eu com as pernas bambas, e ninguém mais percebia nossa aflição.
Todos os outros presentes no pátio da escola estavam ocupados com suas brincadeiras e conversas estúpidas, contentes com suas vidinhas fúteis de adolescentes comuns.
Queria pensar em uma solução para que Jasper não me destroçasse, nem Ross acabasse com André ali mesmo.
Não que eu me importe com o que vai acontecer com ele, mas também sou da família Ricce: não estaria aqui agora se não fosse pelo pai de André, então acho que lhe devo uma.
Tínhamos que escapar dessa.
Mas como? COMO?
Já sei!
Foi minha única saída. Jasper não poderia se aproximar e Ross... Bem, de Ross eu cuido depois.
Beijei André.
Ele ficou surpreso no início, mas logo me envolveu com os braços.
Quando achei que já era suficiente, olhei para onde Jasper estava antes: ele havia sumido, como se houvesse se desintegrado no ar.
Respirei aliviada.
Um vampiro jamais pode tocar em um humano, seja quem for, se este estiver envolvido fraternalmente com outro vampiro. Essa é uma das poucas leis do vampirismo, quase um limite natural que não pode ser desrespeitado.
Meu alívio não durou muito.
Me lembrei de Ross, sabendo que ele tinha visto o meu show.
Seus olhos encontraram o meu por um segundo.
Ele estava furioso e morrendo de tristeza ao mesmo tempo, assim como eu. Quando ele se virou e começou a caminhar em direção oposta, como eu havia feito com ele, quis correr atrás dele, mas não consegui.
Ele tinha (precisava!) que saber que eu não o havia esquecido. Ele deve estar pensando (e com razão, tenho que admitir) que eu sou uma bela de uma vaca! Há apenas alguns dias eu estava com ele, e agora... Agora estava agarrada em público com um vampiro!
Stacy, a pegadora do mundo sobrenatural.
Pobre Ross...
AHHH! Mas, quer saber? Dane-se.
Não devo nada a ele.

***
Hoje desci mais cedo para o café da manhã.
Meus pais já haviam ido trabalhar, então cumpri meu ritual matinal de todos os dias: encher uma tigela de cereal, despejar leite e escutar música alta.
Bom, pode-se imaginar o susto que eu levei ao me virar e dar de cara com André, a poucos centímetros de mim.
Foi cereal para todos os lados.
- DIABO! – Grito, enquanto ele rolava de rir. – Se me assustar de novo assim, leva uma estaca!
- Perdão, querida Stacy. – Responde ele, secando as lágrimas de riso. – Juro que não foi minha intenção. Simplesmente acho que nenhum cara resiste à tentação de dar um pequeno susto na garota por quem é amarrado.
Olhei feio pra ele.
- Não tenho NADA com você, André Adornetto. – Digo. – preferiria MORRER a ter qualquer tipo de relação com um sujeito folgado e atrevido como você!
Os olhos dele escureceram, e ele jogou o cabelo castanho pra trás.
- O caçador. – Diz ele. – É dele que você gosta, não é, Stacy?
Virei rapidamente o rosto para o chão, como se estivesse analisando a melhor forma de limpar a sujeira.
- Não. Apenas somos da mesma liga.
Ele riu baixinho.
- É meio irônico você ser uma caçadora de vampiros, não é?
- Não. – Respondo, encarando-o novamente. – Sou uma meio-sangue. Estou longe de ser como você.
Me arrependi um pouquinho de dizer essas palavras, por que ele se encolheu como se tivesse sido ferido.
- Achei que éramos iguais.
Ele se aproximou violentamente, me empurrando e prensando contra a parede.
- Se afaste! – Avisei. – Não seria louco a ponto de me machucar!
- Não, não seria. – Concorda ele. – E não quero. Mas quero que me escute com atenção, Stacy Ricce: Sabe quanto tempo esperei por você? Uma meio-sangue como eu, alguém que me completaria. E aqui estamos agora! Descobri que você não passa perto do que eu imaginava e mata a própria espécie, não tem um pingo de senso...
- Chega chega chega! – Grito.
Ele se afasta com um suspiro.
- Espero que ainda sejamos amigos. – Diz ele, piscando um olho, como se não tivesse acabado de bancar o louco desvairado. – Vou tomar meu café da manhã. Um café de verdade. – Diz ele, olhando para o cereal no chão. – Algo vermelho e quente, provavelmente.
Ele jogou uma jaqueta no ombro e se foi, me deixando ali, queimando de ódio. André Adornetto ia matar alguém em Fatalville, minha cidade...
Foi demais pra mim.
Subi e me vesti, pegando uma mochila com meu kit oficial da Liga do Escorpião: Água benta, crucifixo e uma estaca afiada.
 Água benta servia para fazer umas queimaduras feias, o crucifixo só era útil contra vampiros muito velhos e nas mãos de pessoas com muita fé, mas as estacas eram minhas melhores amigas.
Para minha grande surpresa, quando abri a porta, dei de cara com Ross Christie.
- Ross! – Digo, levando o segundo susto daquela manhã. – Quase me matou! O que há com você, garrrroto?
- Onde está o seu vampiro, Stacy Ricce?
- Droga! – Digo, batendo os pés. – Não tenho porcaria de vampiro nenhum! Usei André para me proteger de Jasper, você não entende?
Ele balançou a cabeça.
Ross me empurrou e entrou na minha casa, percorrendo todos os cômodos. Esperei de braços cruzados até ele voltar.
- Acabou a inspeção?
Ele não respondeu.
- Ross, tem que aprender a confiar em mim!
Ele me encarou. Os olhos castanhos dele pareciam enxergar a minha alma.
- Eu jamais confiaria em uma meio-sangue.
Ele ia sair, mas eu o segurei pelos ombros, empurrando-o para trás.
- Sou da Liga também. Você poderia parar de ser tão...
As palavras morreram na minha boca.
Ele me encarou.
- Tão o que, Stacy? – Perguntou ele.
- Tão cretino. – Digo, finalmente.
Ele cedeu.
Eu cedi.
Ficamos nos encarando, com os braços caídos ao lado do corpo. As lembranças invadiam nossas mentes numa explosão de imagens e sensações: nosso primeiro beijo.
Então aconteceu.
Era mais forte do que nós.
Abracei Ross desesperadamente, procurando por seus lábios e encontrando todo o calor que eu precisava. Segurei o cabelo dele entre os dedos, e ele apertava minha cintura.
Aimeudeus....
Eu gosto dele. De verdade.
Estou muito apaixonada por Ross Christie e não estou sozinha nessa. Mesmo que ele negue depois, sei que está tão perdido quanto eu.
Sei que aconteceu muito de repente, mas eu nunca cheguei perto de sentir uma atração tão forte por alguém como eu sinto por ele.
Queria que o momento durasse para sempre, mas eu não podia ignorar outras preocupações.
André.
Interrompi o beijo para encarar Ross.
- Temos que ir depressa!
- Para onde?
Os olhos dele se voltaram para a escada que levava ao meu quarto.
Não pude deixar de rir.
- Não seja ridículo, Ross! Estou falando de André!
Ele revirou os olhos.
- Por Deus. O vampiro de novo...
- Não, cara! Ele vai matar! Aqui em Fatalville!
Ross me encarou, sério.
Não foi preciso dizer mais nada.
Segurei firme minha mochila e saímos correndo juntos. Paramos poucos metros depois.
- Não sabemos onde ele pode estar! – Digo, de repente, me sentindo uma lesada.
Ross ia dizer alguma coisa, mas meu celular tocou.
Selena. Reviro os olhos ao atender.
- Agora não posso, Selly...
Mas ela me interrompeu.
- Stacy! Onde você está?
- Selly?
Ela parecia apavorada.
Escutei o som de vidro quebrando, um grito, zumbidos... E a ligação caiu.
Meu coração quase saltou pela boca.
- Ross, Ele vai pegar Selena!
Corremos o máximo que podíamos para a casa de Selena, e quase desmaiei ao topar com André: suas mãos, sua boca e sua camisa estavam ensopadas de sangue.
Ele estava de pé, cacos de vidro em volta dele.
A janela do segundo andar (o quarto de Selly) estava arrebentada.
Senti minha visão escurecer.
- Seu maldito! – Meus dentes trincaram e André olhou pra mim.
-Stacy! Você não pode ficar aqui!
As lágrimas de ódio e dor começaram a encher meus olhos.
Ross pegou uma estaca e avançou para André, e eu estava pronta para ajudar...
- Stacy, Ross, não! – Era a voz de Selly.
Olhei pra cima. Ela estava lá, me observando da janela quebrada, e não parecia nem um pouco machucada. Ross acompanhou meu olhar.
- Selly, quem...?
Ela não me deixou terminar.
- Ele está aqui, não André...
Escutei um urro vindo de um pedaço da floresta que ficava na frente da casa da Selly.
Jasper.
Ele estava gravemente ferido, mas continuava forte. Os olhos chamuscavam, em busca de vingança.
Ai, que borra!
Ele ia atacar Ross, e eu não conseguiria detê-lo...
Vi Selly se posicionar para saltar da janela.
Ela estava louca? Ia cair e quebrar o pescoço!
Antes que eu pudesse impedir, ela pulou.
Mas quando chegou ao chão, não era mais Selena.
Era uma loba enorme.
A loba rosnou, e Jasper desviou o ataque de Ross para ela.

Diante dos meus olhos, uma garota loba e um vampiro começaram uma batalha mortal.

CONTINUA

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