domingo, 8 de maio de 2011

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL - 3


Domingo, 08 de maio de 2011

Querido Diário Macabro,

Na última vez em que nos vimos, eu tinha acabado de escapar das garras de Jasper, e Selena ficou com cara de besta enquanto eu era quase hipnotizada pelo meu salvador gatíssimo: Ross Christie.
Pois é: fico feliz em informar que a última parte NÃO foi um sonho nem alucinação causada pelo spray de cabelo pra peruca da Courtney.
Ross Christie tá pra mim.
Mas antes me deixe falar dos detalhes de tudo o que aconteceu na casa da Selly, já que ontem à noite eu estava quase dormindo e babando em cima das suas páginas.
Assim que Ross entrou em cena para dar um “chega pra lá” em Jasper, me salvando heroicamente, Selly começou a gritar como uma histérica, e expulsou todo mundo da festa.
Ela empurrou Ross para um sofá, e me empurrou também, quase pra cima dele (o que, se eu me lembrar, tenho que agradecer, apesar de ter dado um xingo nela na hora...), obrigando-nos a sentar e encará-la.
- Oh. My. God! – Disse ela, pausadamente, daquela maneira dramática que só ela sabia entoar. – Eu saí com um vampiro! Stacy Ricce, porque não me falou nada?
Bati os pés no chão.
- Eu tentei te convencer a dispensá-lo, lembra? – Digo, olhando-a com descrença. – E você disse que nunca mais queria me ver, porque achou que eu estava a fim do cara!
Selena abre a boca para responder, mas eu me levanto e continuo:
- Tive que invadir a festa da minha melhor amiga. Tive que arriscar minha vida. Pior: Tive que usar uma peruca! E tudo porque você não quis me escutar! Dã!
Ela suspira, sentando-se na poltrona.
- Sinto muito, Stacy. Pode me dar um abraço?
- Nem pensar! – Respondo. – Já passei por muita coisa hoje. Pode ficar com isso!
Digo, jogando a peruca da Courtney no colo dela antes de me sentar novamente.
- Loira. – Comenta Ross. Foi a primeira coisa que ele disse depois de se apresentar.
- Na maior parte do tempo, sou sim. – digo, com uma piscadela. – Ah, e também não acredite no azul dos olhos.
Ele acena com a cabeça distraidamente, olhando para o relógio.
- Já está tarde. – Comenta. – Vou levar Stacy para casa. E você – diz para Selena – Tranque bem as portas e não tire o alho que coloquei na sua janela.
- Não vou embora com você. – Digo. – Não te conheço. Como vou saber se não é mais seguro pegar uma carona com Jasper?
- Porque sou da Liga do Escorpião. – Diz ele, mostrando uma carteirinha com o selo, em um tom impaciente.
Eu tenho uma dessas também.
Mas nunca levo comigo, sabe, pra não queimar o filme. Liga do Escorpião é um nome tosco mesmo.
- Não deixe aquele vampiro entrar de novo, ok? – Diz ele para Selly, que concorda com a cabeça, tentando absorver o máximo de informação.
- Não vou com você. – Repito. – Posso ir para casa muito bem sozinha. E, se me seguir, leva uma bifa.
- Ah, tá... – Diz ele, sem esconder a irritação dessa vez. – Assim como você fez com o vampiro, não é, sabida?
Mano... Senti meu sangue ferver de raiva. Que arrogante. Idiota. E gatinho.
- Vou te ligar amanhã. – Diz Selena. – E você vai me contar TUDO, Stacy.
Não respondo, apenas pego a bolsa que Courtney me emprestou e saio como um furacão.
A noite estava agradável, e a rua, deserta. Minha casa era a uns dois quarteirões, mas logo escutei passos atrás de mim.
- Tá legal, Ross Christie! – Digo, pegando meu spray de pimenta. – Vai embora ou vou chamar a polícia!
Ele me encara na maior calma, com as mãos dentro dos bolsos do elegante casaco preto.
- Stacy, Stacy... – Diz ele. – Estou aqui para te ajudar. Também caço vampiros em Fatalville.
- Ok, Van Helsing – digo, erguendo a sobrancelha direita. – Mas eu nunca te vi por aqui antes.
- Sou discreto. – Diz ele. – Faz parte do meu trabalho. Você é o contrário disso – acrescenta, abrindo um sorriso de matar qualquer uma. – Quem nessa cidade já não ouviu falar de Stacy Ricce, a Noiva do Demônio?
Bato os pés no chão, como uma criança mimada no supermercado, quase arrancando meus próprios cabelos.
Que foi?
Todo mundo tem seu ponto fraco!
- Não me chame assim! – Grito, furiosa.
Ele se espanta com a minha reação de doida.
- Achei que você não se importasse. As pessoas se referem a você assim.
- Eu sei. – Falo, trincando os dentes. – E qual é o seu interesse nos vampiros? Eu simplesmente não tenho mais o que fazer, por isso brinco de Halloween por aí.
- Eles mataram minha mãe. – Diz ele, e uma sombra escurece suas feições.
Fico com dó. Ter alguém que você ama sugado por um vampiro... Deve ser uma dor horrenda.
- Sinto muito, cara. – Digo. – Mas tenho que ir pra casa.
- Vou te acompanhar. – Insiste ele. – Jasper pode estar nos vigiando nesse mesmo instante.
- Não fale isso, garrrroto! – Digo, com um riso nervoso e estridente. – Me deixa com calafrios.
Ele me olhou percebendo a garota anormal que eu sou. É que quando eu fico nervosa, costumo puxar o R.
É um TOC.
Fomos andando devagar até a porta da minha casa, conversando sobre os vampiros e tal, e, quando chegamos, ele resolveu tirar um barato da minha cara:
- Bom, é melhor você entrar. O demônio deve estar te esperando.
- Cretino. – Respondo, com um meio sorriso.
Dou as costas pra ele, mas paro quando uma idéia maluca me passa pela cabeça.
Dou meia volta e paro diante dele. Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, lhe dou um beijo.
Diário: Se você sabe o que é um bom beijo, ainda não vai entender do que eu estou falando.
Aquele foi um beijo MUITO quente. De MATAR.
Ele correspondeu e não deixou a desejar, mas eu o interrompi com um leve empurrão.
- Isso – Sussurro para ele. – E só uma pequena parte do que você poderia ter, se não fosse tão cretino.
Em seguida entrei e tranquei a porta, sem olhar pra trás.

***
Ross, Ross, Ross...
Esse cara não sai da minha cabeça.
Hoje de manhã levei o café da minha mãe na cama, como em todos os dias das mães. E o almoço foi por conta do meu pai.
Meus pais são bacanas, embora se preocupem demais comigo: eles são os únicos que sabem do meu segredo, e não ficam muito felizes em ter uma filha caça vampiros, embora estejam orgulhosos da minha coragem.
Selly ligou, e me obrigou a dizer tudo. Tive que contar: a Liga, minhas caçadas, Ross... E o beijo, claro! Selena voltou a ser minha BEST FRIEND.
Mais tarde a campanhinha tocou e eu quase fiquei surpresa: Ross Christie estava na minha porta.
- Hei, Cowboy. O que faz pelas redondezas? – Perguntei.
- Eu estava passando por aqui e resolvi vir conferir se você está legal depois de ontem a noite. Sem traumas?
Ah, vá. Conta outra.
- Estou inteira. – Declaro, cruzando os braços e esperando para ver se ele queria “conferir” apenas isso.
- Bonitos olhos castanhos. – Disse ele, encostado no batente da porta. – São seus?
- Não, arranquei das órbitas do último vampiro que matei. Visão noturna maneira. – Brinquei.
Ele me deu um meio sorriso sexy, que me deu vontade de beijá-lo de novo.
Olho para trás, escutando as vozes dos meus pais na cozinha.
- Por que não damos uma volta?
- Ok. – Ele concorda.
Começamos a andar em silêncio, rodeando, em direção a uma praça que ficava por ali.
- Eu sei que vai soar clichê e besta, mas parece que a gente se conhece, sabia? – Disse ele, me encarando com um meio sorriso.
- Então deveria estar com medo. – Digo, dando-lhe uma piscadinha. – Quem me conhece sabe o quanto eu sou perigosa.
- Gosto do perigo. – Diz ele. – Ou não estaria nessa vida de caçador de sanguessugas.
Chegamos ao parque do bairro: uma pequena praça com bastante árvores, onde os pássaros nos observavam de longe com seus olhinhos miúdos e perspicazes.
Suspiro, olhando para Ross.
Os olhar escuro dele me queimava.
Eu quase podia sentir a respiração dele, as batidas de seu coração... Tenho que falar pra ele. Aproveitar que estamos nesse assunto. AGORA!
- Ross... Acredita mesmo que todos os vampiros sejam criaturas demoníacas que merecem queimar no inferno? – Pergunto, depois de hesitar um bocado.
Ele me encara, enrolando uma mecha do meu cabelo no dedo, sem parecer surpreso com o meu exagero.
- Eles são monstros, Stacy. – Diz ele. – Mas não se preocupe. Podemos cuidar deles. Não vamos deixar que nos façam mal.
Ele segura minha mão, me dando um sorriso firme.
Suspiro, olhando para os meus próprios pés.
- Mas não é isso. Não estou com medo. Eu...
- Shh... – Ele me interrompe, me envolvendo com os braços, tentando me fazer ficar tranquila. – Não diga mais nada. Apenas relaxe.
Ele se inclina, me beijando novamente.
Posso sentir o coração dele bater. O desejo de posse se torna irresistível. Quero que Ross pertença a mim e a mais ninguém.
Passo os lábios pelo seu pescoço, ávida. As mãos dele deslizam do meu cabelo para a minha cintura. Minha vontade de tê-lo se torna incontrolável.
Eufórica, cravo meus dentes na veia do pescoço dele.

Sinto o sangue quente jorrar, me deleitando com o sabor, fazendo a criatura dentro de mim despertar, faminta.


CONTINUA

Um comentário:

  1. tipo eu to amando o diário de uma bad girl,is perfect!cara vc escreve muito bem.Manda superbem.

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