terça-feira, 14 de junho de 2011

MINHA NAMORADA É UMA BRUXA - PARTE 5

5. Sustos Para a Coleção

Corri de volta para o bosque tropeçando em raízes e quase trombando nas árvores.
Não demorei em avistar Annelise. Ela estava discutindo aos gritos com um homem que a segurava pelo braço, sacudindo-a.
- Onde ele está? – Vociferou ele. – Havia um rapaz aqui com você!
Annelise o encarava, sem expressão.
- Eu já disse que eu não sei. – Responde ela, trincando os dentes.
- Vou trancá-la em casa! E dessa vez você não vai fugir!
- Ahn... Com licença?
Os dois me encaram, surpresos.
O homem largou Annelise e me encara, de olhos arregalados.
Henry Campbell tinha o mesmo nariz e o formato de rosto de Annelise, só que a expressão dele era completamente diferente.
- Você está bem? – Pergunta ele, me examinando com o olhar.
A pergunta me deixou surpreso e desconcertado.
- Ela não te machucou? – Insiste ele, lançando um rápido olhar para Annelise e voltando-se para mim.
- Do que você está falando? – Pergunto.
Lembro-me da história que Ashley me contou.
Henry me encara, e percebo que ele é pálido, e há uma porção de fios brancos em sua cabeça, embora ele pareça jovem.
- Essa garota... – Ele indica Annelise. – É amaldiçoada. Quando anoitece tenho que trancá-la em casa, ou ela mata. Ela mata pessoas e bebe o sangue delas, dividindo o banquete com demônios!
Annelise tampou o rosto com as mãos, depois me encarou.
- Vá embora, Christopher. – Pediu ela, em tom seco. – Não perca seu tempo com um velho louco.
- Ela mente! – Vociferou Henry Campbell. – Ela faz com que as pessoas acreditem que ela é inocente, mas está sempre mentindo.
Continuei a encarar Annelise, em dúvida.
- Tem certeza de que não quer que eu chame alguém?
Ela balançou a cabeça.
- Não. É sempre assim. Todos os dias.
Ela olhou para o homem.
-  Vamos pra casa, Henry.
Ela começou a subir a trilha que se aprofundava na floresta, e Henry me lançou um olhar cinzento.
- Fique longe da bruxa, garoto. – Advertiu ele. – Se deixar que ela te domine, terá o mesmo fim que eu. Acredite.
Ele, então, também se afastou pela mesma trilha, sumindo de vista.
***
 Quando cheguei em casa já havia escurecido, e eu estava faminto.
Minha mãe fez cara feia.
- Onde Vossa Alteza estava? Nós já jantamos. E seu pai já ia sair atrás de você.
- Eu esqueci o celular, mãe. – Digo, aborrecido.
- Eu te disse para não se preocupar. - Disse meu pai, que nos observava encostado no batente da porta. – Christopher sabe se cuidar. Aposto que encontrou alguns amigos e estava se divertindo.
- Fez novos amigos? – Pergunta minha mãe, enquanto eu colocava um prato de comida no microondas. – Viu só? Eu disse que você logo se encaixaria.
- Conheci uma garota legal. – Digo, com o pensamento distante.
- Achei que tivesse saído com a Ashley. – Zomba minha mãe.
- Não estou tão desesperado. – Digo, e meu pai vira o rosto para esconder o sorriso.
- Mas ela gosta de você. – Diz minha mãe. – Ela passou aqui mais cedo pra pedir sua ajuda com uma lição de matemática. 
- E o que foi que você respondeu? – Indago, horrorizado.
- Que eu iria falar com você. Mas é claro que você vai, não é? – Provoca ela.
- Mas é claro que não! – Respondo. – Amanhã pretendo passar o dia na praia, tomando sol com Annelise.
- Espere aí – interrompe meu pai. – Annelise Campbell? Não é a garota que chamam de bruxa?
- Isso mesmo. – Respondo, me sentando pra comer. – Ela vai me ensinar alguns feitiços.
Minha mãe ri.
- Você tem o dom de se juntar com as pessoas erradas!
- Não fale assim dela. Ela é gente boa.
- Parece que alguém já está enfeitiçado pela Bruxa de Fatalville, não é mesmo? – Provoca meu pai.
Faço uma careta e os ignoro.
Depois do jantar, peguei um livro e me sentei na varanda.
Eu gostava muito de ficar ali depois do jantar por que era fresco, bem iluminado e ficava do lado contrário da casa de Ashley, então eu não podia ser visto pela loira.
Mal conclui meu pensamento, vi um cachorro preto de coleira cor-de-rosa correr pelo meu quintal, passando por mim e indo para os fundos da casa.
Não, Ashley.
Não vou cair nessa.
Levar o cachorrinho perdido para a vizinha? Acho que não.
Vai ter que ser bem mais criativa se quiser que...
Ouço três latidos finos e uma espécie de guincho agudo e me levanto.
Solto o livro no banco da varanda e desço para o gramado, caminhando para os fundos com raiva. Maldito cachorro. Tinha que vir estragar minha noite. Ashley ia escutar.
Quando contornei a casa e me encontrei nos fundos, estaquei, completamente paralisado.
O cachorro estava no chão, em um pedaço acimentado da lavanderia, e uma pequena poça vermelha se formava ao seu redor.
Inclinada sobre ele, estava uma garota, que eu só podia ver de costas.
Eu não queria acreditar.
Cabelo castanho, baixa estatura, camisa de flanela...
Annelise se voltou para mim, e sorriu com a boca manchada de sangue.
- Olá, Christopher.
Não consegui gritar.
Escutei passos atrás de mim e me voltei.
Era Ashley.
- Oi, Chris! Você viu o meu... Ah, meu Deus!!!

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