sexta-feira, 1 de julho de 2011

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL (2ª TEMPORADA) - 1


Sexta-feira, 01 de Julho de 2011

Querido Diário Macabro,
Sei que faz mais de um mês que eu não escrevo, mas me dê um desconto, OK?
Nada de grande importância andou acontecendo na minha vida, a não ser as cartas que eu recebo de Ross.
Que saudades insanas desse garoto!
Me perdoe pelo exagero, mas dá um tempo, falou? Eu estou apaixonada, diário... Vou ficar meio piegas e nojenta às vezes, tá?
Ross e eu trocamos cartas.
Um garotinho de oito ou nove anos me encontra todos os dias e me entrega as cartas de Ross, e eu lhe dou as minhas, para que ele leve para o meu gato.
Já perguntei para o menino sobre Ross, mas o guri não disse nada, e minha vontade de segui-lo é imensa.
Mas já combinamos de nos mantermos afastados para que nós dois fiquemos seguros. Pelo menos até as coisas esfriarem um pouco. Afinal, eu provoquei um incêndio (haha).
A cada carta nos conhecemos mais.
É incrível como combinamos, nossos gostos por músicas, filmes e tudo o mais, nossa maneira de ver o mundo, de enxergar as pessoas, de nos expressar...
Tipo, eu não digo que acredito em alma gêmea e todo esse lance, mas nós simplesmente nos completamos, cara...
Eu o sinto tão perto dele ás vezes.
Mas outras só consigo chorar de frustração.
Folhas de papel, mesmo cheias de boas histórias, nunca substituirão os amassos de um gato.
Quero o abraço dele, os beijos, as mãos na minha cintura, o pescoço e... Sangue?
Ah, não!
Estou pensando em sangue outra vez!
Desde que me tornei uma vampira, é tão difícil me controlar! Mesmo com a ajuda do meu pai, sei lá...
Beber sangue animal me faz muito bem e não requer nenhum trabalho (pelo menos não para mim, já que meu papi é que sai para caçar) além de ir até o frezeer e esquentar um copo no microondas.
Mas não é como beber sangue humano, sabe?
Aquela fonte de energia e calor, a explosão de sabor, o poder da imortalidade descendo lentamente pela garganta... Só de pensar meus caninos começam a latejar.
Meus pensamentos são vermelhos, meus sonhos são vermelhos... Sangue, sangue, sangue!
Estou tentando me concentrar em outras coisas.
Meu pai diz que esse é o melhor remédio, sempre que eu precisar esquecer o assunto.
Hoje a noite, por sorte, Selly me ligou. A parte ruim é que ela estava quase em desespero.
- Oh my God! Stacy, você tem que me ajudar! Meus pais... Me proibiram de ver o John! Eles surtaram!
Putz...
Eu sabia que isso cedo ou tarde iria acontecer.
John Ray é um cara legal. E um lobão bem sexy, viu?
Mas imagine a reação dos pais de uma garota de dezesete anos, toda patricinha, e que um dia, do nada, aparece com um motoqueiro de vinte e cinco anos, caladão, que abre a geladeira sem pedir permissão e ainda dá amassos indiscretos na garota bem na frente deles?
Fala sério!
Bom, a questão é que eu fui dormir na casa da Selly.
Quando eu cheguei, ela estava no quarto, esparramada na cama, com uma caixa de chocolate aberta e quase vazia ao seu lado.
Abri caminho entre os milhares de papeis de bombom jogados pela cama e me sentei.
- Selly...
- Não diga nada! – Gritou ela de repente. Um sorriso iluminou seu rosto. – Já liguei para o John. Meia-noite ele vai encostar a moto aqui. Vamos fugir!
Dou um pulo.
- Selena Johnson!
- Relaxa, Stacy! Não vamos fugir pra valer. Só por essa noite, entende? Dar uma volta, uns beijos ardentes, planejar nosso futuro juntos...
- Ah, ok.
- Preciso que você me dê cobertura. Vou chegar lá pelas seis da manhã.
- Tá, tá. Conte comigo! – Digo, com um suspiro. – Mas se cuide, heim, dona Selena?
Ela ficou vermelha.
- Não vamos até o fim, sua boba... Mas vamos longe!
Nós duas rimos.
- Isso aí, garota! – Digo, com uma piscadela.
Ficamos conversando e assistindo DVDs de música, mas desligamos tudo e fingimos que estávamos dormindo quando deu onze horas.
Selly foi pra frente do espelho, colocou uma blusinha azul, e uma sandália prata de salto alto. Ficou se perfumando e se maquiando por um bom tempo.
Mas quando ela tirou uma jaqueta de couro VERMELHA do armário eu quase surtei.
- Onde você comprou ISSO?
- John me deu de presente. – Diz ela, se achando. – Não é o máximo?
- Total! – Digo, ainda boquiaberta. – Que inveja, garrrota!
Ela ri.
- Você ainda tem esse TOC de puxar o R quando está nervosa ou empolgada, não é?
Reviro os olhos.

REGRAS PARA NÃO PROVOCAR A IRA DE
STACY RICCE:

1ª Nunca me chame pelo meu famoso apelido:
Noiva do Demônio.
2ª Nem pense em mexer com os meus amigos.
3ª Jamais mencione o meu TOC de puxar o R.

- Desculpe. – Diz Selly, lembrando-se das regras. – É que é tão engraçadinho!
O namorado dela deu uma buzinada baixa, e eu quase a joguei pela janela.
Mas minha amiga loba pulou até o gramado de boa, mesmo estando com aquele salto agulha finíssimo.
Vi Selly lascar um belo beijo em John antes de subir na moto, abraçada a ele.
Que inveja.
Me deitei no colchão no chão destinado a mim, mas não consegui pregar os olhos.
Eu também queria estar com o meu namorado.
Foi nesse momento que escutei o som de uma pedrinha batendo na janela.
Rá. Com certeza minha amiga Baby Doll havia esquecido alguma coisa, eu só não sabia o que poderia ser tão importante.
Olhei para o jardim, mas não vi Selena nem John.
Só vi um garoto.
Meu coração disparou, por que pensei que era Ross.
Mas quando ele se aproximou da luz, vi que era André Adornetto.
Ergui a vidraça.
- Seu filho de uma égua! - Sussurro.
E era mesmo.
Afinal, um pouco antes de ele tomar um chá de sumiço, descobri que a mãe dele, Lizzy Adornetto, havia torturado Ross e denunciado a mim e a Selena para a Liga do Escorpião.
Ele parecia tão surpreso quanto eu.
- Stacy Ricce? Onde está sua amiga loba?
Faço uma careta.
- Ela está com o NAMORADO dela. Perdeu, cara. Deveria ficar mais ligeiro.
Pude ver os olhos verdes dele faiscarem.
- Que pena! Resolvi passar por Fatalville para batermos um papo. Mas e você, ainda está com o caçador?
- Estou sim. – Digo, em um tom presunçoso. – E o nome dele é Ross Christie.
- Ah tá. – Diz André, em tom despreocupado. – Acabei de vê-lo há alguns quarteirões. Estava em uma briga de gang. E me pareceu que estava levando a pior.
Minhas pernas tremeram e eu tive que fazer um esforço enorme para não gritar e acordar os pais da Selly.
Fiz um sinal desesperado para que André me esperasse, me vesti o mais rápido que pude e desci as escadas com o máximo de cuidado.
Corri até ele no jardim.
- Você ainda é uma gata, heim Stacy?
Apertei o pescoço de André.
- Onde ele está?
Ele deu um meio sorriso, já que visivelmente meu aperto não o afetava em nada.
- Nossa... Nem um “Tudo bem, André?”. Okay. Eles estão logo ali. Posso te levar até lá.
Não respondi.
Apenas o empurrei para que corresse, e fui em seu encalço.
Eu ia me encrencar, ou podia ser uma armadilha, mas não importa.
Somente uma palavra comandava minhas ações:
Ross.
CONTINUA

Um comentário:

  1. D+,estava te seguindo no recanto,mas vejo q no blog é melhor,vou sempre vir aqui!!!

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