sábado, 2 de julho de 2011

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL (2ª TEMPORADA) - 2


Sábado, 02 de Julho de 2011

Querido Diário Macabro,
Vamos continuar de onde paramos, a confusão em que me meti ontem a noite:
- Então, Stacy – começa André, enquanto corríamos. – Você finalmente pertence ao mundo dos vampiros.
- Foi para salvar a sua vida, seu babaca. – Respondo, fazendo uma careta.
Ele ri, passando os dedos pelo cabelo castanho.
- Sempre geniosa! Mas você está ainda mais sedutora com esse olhar vampiresco. Adoro vampiras loiras!
Mano... Que cafajeste.
- Dá pra calar a boca? – Digo, quase sem fôlego por causa da corrida. – E me levar logo até o Ross?
Ele dá de ombros.
- Como queira.
Viramos mais uma esquina e eu logo percebi o problema em que estava metida.
Fatalville, no geral, era uma cidade bem sossegada.
As pessoas viviam de boa e passeavam pelas praias frias e desertas mais ao sul nos fins de semana.
Mas havia um bairro pequeno, que estava situado entre Fatalville e uma cidade vizinha, que era barra pesada.
As pessoas da cidade se referiam ao lugar como o “Beco”.
 O Beco era uma área bem pequena, mas havia todo tipo de bandidos e encrenqueiros por ali. Era sempre prudente manter distância, OK?
Mas eu conhecia um pouco do Beco, já que inúmeras vezes havia seguido e caçado vampiros por ali.
As gangs reunidas nas calçadas e as garotas mal encaradas fumando nas ruas escuras já não eram tão assustadoras.
Mas, lá pro fim da rua, havia uma movimentação estranha.
- É bem ali. – Diz André, sempre despreocupado.
Não dei atenção a ele e corri até lá.
Meu coração se agitou descontroladamente quando vi Ross, distribuindo socos e pontapés em quatro caras enormes, com uma rapidez incrível.
A camiseta dele estava manchada de sangue, mas ele não parecia machucado. Ross estaria em uma enorme desvantagem se os caras não estivessem bastante bêbados.
Ele derrubou um, e depois outro com golpes habilidosos, que os anos caçando vampiros haviam posto a prova.
Mas quando ele investiu contra o terceiro, o quarto (um cara alto cheio de tatuagens no braço) lhe deu um soco nas costelas, que o fez urrar de dor e se dobrar.
Cerrei os punhos.
- Hei! – Gritei, com a pulsação acelerada e sem saber o que estava fazendo. – Hei, seu covarde nojento!
O grandalhão se voltou pra mim.
Seus olhos baços se fixaram nos meus, que ardiam de ódio. Ele sorriu, exibindo dentes amarelos embaixo do bigode, e cambaleou dois passos na minha direção.
- Olha, o que temos aqui! Uma mocinha perdida! O que acha de um pouco de diversão, gracinha?
- Ah... – Digo, sentindo meus instintos se aguçarem e abrindo um sorriso duro. – Tenho certeza de que haverá muita diversão!
Antes que o cara piscasse de novo, eu saltei para cima dele, focada em seu pescoço, e mordi com força.
Tudo bem, vou ser mais sincera: eu arranquei um pedaço da garganta dele. Dilacerei a carne macia e o sangue brotou, como petróleo em uma mina.
Ele gritou, mas eu ignorei.
O cara caiu no chão e eu não desgrudei os dentes.
O gosto não era bom. Era o sangue sujo de um bêbado, mas mesmo não sendo saboroso, eu podia sentir a força do sangue humano correndo por cada célula do meu corpo.
Força, força, força...
 Era a sensação de ser dona do mundo, de ter tanto poder, ser invencível e...
- Stacy?
A voz de Ross, pelo jeito, é a única coisa que consegue interromper meus frenesis sanguinários.
- E ai? – Grito, levantando a cabeça para vê-lo.
Ele estava de pé, com os braços cruzados, me encarando.
Me levanto rapidamente, deixando o cara desmaiado ali, e limpo a boca com a manga do moletom.
- Ross...
Corro para ele e sinto seus braços em volta de mim.
- Eu não esperava que nosso reencontro fosse assim. – Comenta ele.
- Não importa. – Respondo, imensamente feliz só por poder olhá-lo nos olhos de novo.
- Stacy... – Ele hesita. – Nós temos que dar o fora daqui.
Olho em volta.
A rua estava deserta.
- Onde está todo mundo? – Pergunto, confusa.
Ele me encara, com a testa franzida de preocupação.
- Correram quando viram você atacar o cara. Não acho que a polícia irá dar muito crédito a esse pessoal, mas, de qualquer forma, é melhor estarmos longe do Beco quando encontrarem o nosso companheiro ali com a garganta sangrando.
Minhas mãos tremem.
- Acha que eles viram meu rosto?
Ross fez um sinal negativo com a cabeça.
- Provavelmente não. Está muito escuro. Mas temos que ir embora depressa.
Olho ao redor.
Um carro velho estava encostado a poucos metros, com a porta aberta.
- Hei, Ross. Dá uma olhada. Está com a chave.
- Stacy... – Ele me olha com ar de reprovação.
- Ah, por que não? Vem logo! A gente só pega emprestado e deixa na praia. – Digo, quase saltando para dentro do carro. – Vamos!
Ele suspira e abre um pequeno sorriso.
- Como eu poderia dizer não?

***
Peguei o volante com Ross do meu lado.
Meu pai já havia me dado algumas aulas de direção, e descer pela estrada deserta que levava até a praia foi moleza.
- Como você se meteu numa briga de gang? – Perguntei, no meio do caminho.
- Nem sei direito. – Revida ele, dando de ombros. – Os caras mexeram comigo, e eu não deixei passar.
- Ah, meu Deus! – Digo, revirando os olhos. – Olha onde você se mete, Ross Christie! Pare de ser tão encrenqueiro!
Ele sorri e dá um leve beliscão na minha coxa.
- Olha quem fala – Provoca ele.
Estacionei na praia, na mesma hora em que começava a me sentir meio tonta.
Nós dois ficamos abraçados dentro do carro, em silêncio, por alguns minutos.
Passei as mãos pelo rosto de Ross.
- As cartas já não estavam sendo o suficiente. – Digo, encostando os lábios na bochecha dele.
- Concordo. Senti falta disso. – Diz ele, me beijando.
Agora sim.
Tive vontade de parar o tempo.
Estar naquela praia silenciosa, no meio da madrugada, com a minha grande paixão e (a melhor parte) sem nenhuma sede de sangue, pois eu já estava farta, deixava minha vida parecendo um verdadeiro paraíso.
- Stacy, acabou a espera. – Diz ele, depois de nos beijarmos. – Sério. Não vou conseguir mais. Não posso ficar longe de você!
Eu sorri.
Eu estava conseguindo deixá-lo louco por mim. E esse era o objetivo.
Quando o sol começou a raiar, saímos do carro e corremos pela praia.
Eu estava descalça, com os pés na água, quando perdi o equilíbrio e caí, rindo.
Ross me segurou, erguendo uma sobrancelha.
- Está tudo bem?
- Ah, cara... – Começo, sem acreditar. – Acho que o sangue daquele desgraçado estava impregnado de álcool... E de baseado!
***
Voltei para a casa da Selena, que tinha acabado de chegar e estava preocupada comigo.
Dormimos um pouco, mas acordei com uma ressaca dos infernos.
Claro que ela me zoou à beça.
- Oh my God! A senhorita me manda tomar cuidado, mas passa a noite dentro de um carro com o Ross, e ainda acaba bêbada e meio doidona, não é?
- Cala a boca! – Eu disse, fazendo um gesto grosseiro. – Me traga um café, saco de pulgas.
Selena se vingou rindo alto no meu ouvido.
Passamos o resto do dia conversando, até que eu decidi ir pra casa tomar uma ducha.
Não sei se Selly vai conseguir se resolver com os pais dela sobre o John, só sei que hoje a noite fui eu que me encrenquei.
Assim que passei pela porta da frente, meu pai sacou tudo na hora.
- Stacy Ricce! – Exclamou ele, em tom severo. – Você bebeu sangue humano!
Não era uma pergunta.
Tive que escutar um longo sermão.
Isso não é um bom princípio. Se eu beber sangue humano vou virar um monstro. Fica cada vez mais difícil controlar a sede, e blá blá blá...
Quando ele disse que sangue humano para os vampiros é como as drogas são para os humanos, eu quase ri.
Mas sei que ele tem razão.
E vou me controlar.
Sei que vou.
Preciso.
Por que se eu não me controlar... Como vou poder ficar com Ross?

CONTINUA

2 comentários:

  1. Fiquei viciada nessa série,vc conseguiu fazer com que gostasse mais de ler e isso é difícil,parabéns

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  2. garota voç tem muito talento, eu também escrevo mais as minhas sagas não chegam a metade do que voç faz...parabens poucos sabem aproveitar esse dom

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