domingo, 3 de julho de 2011

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL (2ª TEMPORADA) - 3


Domingo, 03 de Julho de 2011

Querido Diário Macabro,
Hoje de manhã fiz o máximo para agradar meus pais e parecer uma menina bem comportada, diferente da vampira que roubou um carro e ficou meio doidona ontem de madrugada (não que eles saibam disso).
Acordei cedo e arrumei a cozinha, depois fiz o café da manhã para a minha mãe.
Só que fiz tudo muito rápido, graças a minha velocidade e reflexos vampirescos, e terminei quando eles ainda não tinham acordado.
Olhei pela janela e vi o dia ensolarado e gelado por causa do vento, típico de Fatalville. Como ficar em casa em um dia como esse?
Subi para o meu quarto e abri meu guarda-roupa.
Sabe, não tenho uma jaqueta de couro vermelha igual a da Selena, mas posso tentar algo com saia jeans, blusinha e meu par de All Star de cano longo, além de muita maquiagem nos olhos.
Fui caminhando pela rua, quase saltitando, e toquei a campainha da casa da Selly com bastante insistência.
Ela abriu a porta de camisola e com os olhos inchados.
- Stacy? São sete da manhã!
Dei de ombros.
- Me deixa entrar logo.
Ela bocejou e abriu mais a porta.
- Está animadinha assim por quê?
- Efeito das drogas. – Respondo.
- Fala sério! – Bufa ela.
- Vou ver Ross hoje! – Exclamo, sem conter um sorriso, enquanto nós duas nos esparramamos no sofá.
- Eu vou ver o John. – Diz ela, dando um sorriso tão abestalhado quanto o meu. – E podíamos sair nós quatro.
- Credo! – Exclamo. – Isso é tão cafona!
- Que nada! Vai ser divertido.
Dou de ombros.
- Se você está dizendo... Que tal cinema? Saiu um romance esse mês.
Selly me olha desconfiada.
- Romance? O que houve com você, Stacy Ricce? Não parece a mesma Bad Girl que eu conheço!
Opa.
Espera aí!
- Como assim, garrrota? Pirou? Estou apaixonada, mas não é como se eu fosse virar uma manteiga derretida! Você sabe que eu assisto romances para rir das breguices, xingar alto no cinema, jogar pipoca pro alto e atrapalhar os outros casais!
Selly ajeita o cabelo com cara de pouco caso.
- É verdade. Foi por isso que aquele menino com quem você ficava na sexta série não quis mais sair com você.
- Isso aí. – Concordo.
- Mas mesmo assim... Você anda muito boazinha, Stacy. Deveria ousar mais. Ser mais rebelde. – Ela pisca um dos olhos verdes de gata escaldada. – Aprendi isso com John.
- Oh my fucking God! – Exclamo, sem acreditar. – Por que você está me dando esse tipo de conselho?
Selena levanta e dá uma rebolada.
- Só estou dizendo, Stacy, que você não pode ficar de guarda baixa. Tem que ousar! Mostrar para Fatalville quem é a Noiva do Demônio!
- Céus! Mas que droga, Selena! Eu já disse que não gosto de ser chamada assim! E outra: eu já sou ousada. Sou mais atrevida do que deveria!
- Prove! – Desafia ela.
- Eu vou te beijar, Selena! – Zombo, colocando a língua pra fora.
- Não! – Ri ela, me jogando uma almofada.
A campainha toca outra vez e Selena revira os olhos.
- Virou festa, agora?
Quando ela abre a porta, nós dois ficamos com cara de descrença.
André dá uma piscadela.
- Será que as senhoritas não gostariam da minha ilustre companhia?
- Não. – Respondo, fechando a porta.
- Stacy! – Selena abre a porta de novo. – Não seja tão grosseira.
- Ele já arrumou problemas demais. – Resmungo.
André sorri e ergue as mãos, em sinal de redenção.
- Quem arrumou problemas foram os namorados das duas, como sempre.
Selly cruza os braços.
- Olha, André, na boa... Você não tem mais nada pra fazer?
- Na real? Não.
- Por que não cai fora? – Indago.
Ele suspira.
- Eu só estava procurando alguém pra conversar, OK? Vocês duas nunca pararam pra pensar com a vida de um vampiro sem amigos ou família pode ser solitária?
- Nossa, que dó de você. – Respondo, com a voz carregada de sarcasmo. – E onde está a mamãe traíra?
O rosto dele escureceu.
- Não sei. Nós nunca fomos muito ligados. Não somos como os Ricce, ou os Johnson, sabe? Ou como a gang de lobos do seu namorado, Selena...
Ela estaca.
- Você conhece a família de lobos do John?
- Tá brincando, né? – Diz André, com a testa franzida. – Ontem mesmo bati um papo legal com aquele pessoal. São gente bacana. E tem umas garotas muito sensuais, de um jeito selvagem, saca? Só que o John não estava por lá.
- Ele estava comigo. – Diz Selly.
André ri e ergue as sobrancelhas.
-Hmm... Espero que tenham curtido, heim?
- Espera aí, eu tô boiando! – Interrompo. – De quem ele está falando?
Selena se volta para mim.
- John não tem uma família biológica, Stacy. Ele mora em uma casa na floresta, com outros Filhos da Lua. Ele vai me levar para conhecer todos eles hoje.
Arregalei os olhos.
- Uma família de Lobos? Puxa vida...
André se encosta no batente da porta.
- É uma galera bacana. Por isso eu até estou começando a gostar de Fatalville.
***
Se ontem alguém me dissesse que eu iria passar a manhã assistindo a uma comédia estrelada por Jim Carrey, sentada em um sofá entre Selena e André e rindo pra valer, super à vontade, eu diria que esse alguém surtou.
Mas foi exatamente isso que aconteceu hoje.
Primeiro, Selena acabou convidando André para entrar.
Depois, começamos a conversar e o assunto de alguma forma se voltou para os filmes, então ela ligou a TV... E aconteceu.
Eu tinha me esquecido que André podia ser legal às vezes, e como os pais da Selly haviam saído cedo para pescar com amigos ou algo assim, até que acabamos nos divertindo.
Depois do filme André foi embora, Selly se arrumou e ligamos para os nossos caras, que vieram nos encontrar umas duas horas da tarde.
- Você está louca pelo John – zombo, como se não sentisse o mesmo por Ross.
- Estou gata? – Pergunta ela, dando uma rodopiada.
- Tá razoável. – Brinco.
Eu estava um pouco nervosa com aquele lance de encontro de casais. Afinal, nunca havia me imaginado naquele tipo de situação.
Além disso, Selena e John eram oficialmente namorados. Mas Ross e eu estávamos apenas começando o nosso lance, embora nos gostássemos muito.
John Ray chegou primeiro, em sua moto reluzente.
Ele entrou, segurando o capacete, e Selena tinha que ficar na ponta dos pés para beijá-lo.
- E aí, vamp? – Cumprimentou ele.
- Fala, lobão. – Respondo, sorrindo.
John era um cara bacana.
- Garotas, vocês vão se amarrar no pessoal lá de casa. – Diz ele, com um sorriso e encarando Selly com os olhos cinzentos. – É uma galera muito irada.
- Espero que eles gostem de mim. – Diz Selly, mordendo o lábio inferior e se olhando no espelho pela milésima vez.
- Eles já gostam. – Responde John, ajeitando a jaqueta de couro. – Só me escutam falando de você.
- Se contou a verdade sobre ela, eles devem ter vo-mi-ta-do! – Brinco, ganhando um cafuné nada carinhoso de Selena.
Nesse minuto alguém bate na porta.
Era Ross.
- Oi.
Lhe dou um beijo pouco discreto.
Ele ri e tira o óculos escuro, me encarando.
- O que eu fiz para merecer isso?
- Não sei. Tanto faz. Você existe. – Digo, ajeitando o cabelo.
Olho atrás dele e vejo um jipe vermelho estacionado.
- Onde roubou isso?
Ele sorri.
- É da minha tia, sua louca. Tirei minha carteira de motorista. Não sou um ladrão de carros como você. – Ele faz uma pausa, e eu percebo que ele vai me zoar. - Ainda está chapada, Stacy?
Ergo a sobrancelha.
- Não tem graça, seu cretino!
Ele riu, passando os braços ao redor da minha cintura.
- Adoro quando você me chama assim, sabia?
- Eu sei. Que bom, porque você é um cretino encrenqueiro. – Respondo, apertando o nariz dele com grosseria. – A propósito, você se lembra do namorado da Selly, não é? John Ray, o lobo que fugiu da Liga com a gente?
Ross assentiu.
- Ah, sei. Nos encontramos por aí às vezes. E o resto da turma dele também é legal.
Segurei o queixo dele, estreitando os olhos.
- Você já conhece a família de lobos? Legal. Fomos convidados para ir lá agora.
- Maneiro.
- Maneiro? – Pergunto. - E o que me diz, Ross Christie, de garotas lindas e selvagens?
- O que?
- Nada. – Digo, soltando o queixo dele.
Ele riu.
- Você está com ciúmes.
- Sem chance! – Digo, me afastando. – Vai se ferrar.
Ele me puxa de volta e me dá um beijo de tirar o fôlego.
- Hmm – escuto Selly atrás de mim. – Podemos ir ou vou ter que aguentar essa cena durante a tarde toda?

***
Fomos de jipe por uma das estradas desertas que subiam a montanha, que eram muito comuns em Fatalville (assim como as trilhas perto das praias e prédios abandonados) com Selena e John na nossa frente, na moto.
- Cuidado, uma tartaruga pode nos ultrapassar. – Reclamo.
- Para de ser ridícula. É pra sua própria segurança – Responde Ross. – Tirei minha carteira há pouco tempo, lembra?
Ri alto.
- Para me causar algum dano, no mínimo um avião teria que cair sobre nós!
Percebi que Ross ficou sério.
- O que foi? – Indago.
Ele suspirou.
- Stacy... Não acho legal esse lance de você beber sangue humano, mesmo que fique mais forte.
Cruzo os braços.
- Agora você está parecendo o meu pai! Não cheguei a matar. Eu só queria te ajudar, está bem? Aquele valentão podia te fazer um belo estrago. E eu não ia sair com um cara que só tivesse metade do rosto!
Ross beliscou minha bochecha.
- Obrigada por salvar o meu lindo rosto. Mas ainda sim, eu queria te pedir pra tomar cuidado com isso... Você sabe. Não acabar matando ninguém e arrumando problemas. Você não é uma assassina, Stacy.
- Ross... – Digo. – Eu não posso prometer que nunca mais vou beber sangue humano. Afinal, emergências acontecem. Mas eu vou fazer o possível, certo?
Ele dá um sorriso de canto.
- Certo. Você vai fazer o possível e o impossível.
Ross parou o jipe, e descemos em frente a uma casa grande, feita de madeira, com uma placa bem grande no portão de entrada.

PROPRIEDADE DA GANG DAS FERAS.
NÃO SE APROXIME SE NÃO QUISER TER AS ORELHAS ARRANCADAS.


CONTINUA

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