quinta-feira, 7 de julho de 2011

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL (2ª TEMPORADA) - 6


Quarta-feira, 06 de Julho de 2011

Querido Diário Macabro,
Não me pergunte como sobrevivi à noite passada!
Melhor contar tudo desde a parte onde eu parei, na festa da Courtney.
Encarei André. Meus sentidos ficaram alertas.
- O que quer dizer com isso? – Perguntei, cravando as unhas na minha própria mão.
- Venham comigo. – Pediu ele, indicando o jardim dos fundos.
Drake e Courtney estavam conversando tão animadamente que não nos viram.
Nos afastamos para um lugar em que ninguém podia nos ouvir.
- É o seguinte – começa André. – O pessoal da Gang das Feras podem se transformar em lobisomens, mas não sabem disso.
Ross revira os olhos.
- O que você está insinuando?
- Scorpion. – Diz André.
Percebo os músculos de Ross se contraírem de raiva por baixo da camisa.
- Então ele ainda está vivo? – Indago, mordendo o lábio inferior.
André faz um gesto afirmativo com a cabeça.
- Fale tudo. – Sussurra Ross, e eu aperto sua mão para tentar acalmá-lo.
- Quando John e Selena foram capturados, Scorpion os contaminou com algum vírus que pode transformá-los em lobisomens. A essa altura, os outros Filhos da Lua também estão contaminados.
Fico paralisada por alguns segundos.
- Como sabe disso? – Pergunto.
André olha de Ross para mim.
- Scorpion me contou.
Ross explodiu.
Ele segurou André pela gola da camisa com força e o prensou contra uma árvore.
- Onde ele está escondido? – Disse, encarando André com ódio. – E por que demorou tanto para nos avisar?
- Eu não podia! – Berra André, e percebo seu rosto se retrair de raiva. – E se soubesse onde ele está, já haveria tentado salvar a minha mãe!
Seguro o braço de Ross.
- Ross, solta ele – peço. – Deixa o cara terminar.
Ross se afasta devagar, sem deixar de encarar André.
Esse último se volta para mim.
- Ele está com a minha mãe, Stacy.
Balanço a cabeça.
- Não sei se posso te ajudar...
- Eu não quero a sua ajuda! – Interrompe André. – Apenas quero que você acredite em mim. Não sei bem o que está acontecendo, só sei o pouco que Scorpion me contou.
- Eu confio em você, André. – Digo, sem coragem de verificar a expressão de Ross.
- Obrigada, Stacy – diz ele, com uma piscadela. Ele tira alguma coisa do bolso. Era um celular. – Mais tarde Scorpion vai ligar. E acho que ele vai querer falar... Com Ross e com você.
***
Nos reunimos na casa da Gang das Feras, e o silêncio era total. Meus olhos varriam a sala de um canto para o outro.
Selly estava com os olhos arregalados, sentada no colo de John, que parecia ter o pensamento distante, e mantinha o nariz apoiado no cabelo dela.
Pérola estava sentada em um canto com uma xícara de chá apoiada nos joelhos.
Drake estava deitado no sofá, olhando para o teto.
Logan estava de pé, observando a noite pela janela.
Mia estava bem atrás dele, e eu tinha vontade de esmurrar os dois. Será que ele não percebia a maneira que ela estava olhando pra ele? E ela não iria falar nunca que estava caidinha pelo cara?
- Vai ficar tudo bem. – Sussurra Ross no meu ouvido, o que me trouxe até a situação presente outra vez.
Os passos de André na varanda era a única coisa que eu conseguia escutar além do tic-tac do imenso relógio da sala, que já marcava 11:30.
Olhei para Ross.
Podíamos nos comunicar com os olhos. Eu sabia que, embora se esforçasse para não demonstrar, ele estava tão tenso quanto eu.
- O que faremos se... Acontecer? – Pergunto baixinho.
Ross segurou meu queixo, sem deixar de me encarar.
- Vá para casa, Stacy. – Pede ele. – Vou fazer o possível para cuidar de tudo.
- Não! – Respondo, ainda sussurrando. – Não vou deixar nossos amigos. E não vou deixar você, Ross Christie. Acha mesmo que pode conter seis lobisomens sozinho?
- Sou um caçador treinado...
- Treinado para ser um cabeça dura, isso sim! – Revido.
- Stacy, tente relaxar, ok? – Pede Ross. – Afinal, nem sabemos se o vampiro está mentindo ou não.
Ergo uma sobrancelha.
- Eu sei que ele está dizendo a verdade.
Ross tira a mão do meu queixo.
- Acredita mesmo nele? – Perguntou, em tom de descrença.
- Claro. – Respondo. – André não deixa de ser meu amigo apesar de você não gostar dele e, francamente! Gostaria de saber o que você tem contra André Adornetto, Ross! Detesta tanto o cara só por que ele é um vampiro?
Percebi os olhos dele se estreitando.
- Sabe muito bem que não. Se fosse assim, eu também detestaria você.
Dou um sorriso amargo.
- Que ótimo. Então talvez eu devesse procurar apoio nos braços do André, não é? Um cara da minha própria espécie!
Ross também sorri, mas sem humor nenhum.
- Talvez deva mesmo. – Responde ele. – E aproveite para ficar amiga do Scorpion também, já que pelo jeito os dois são super chegados.
Mas o que esse... garrroto está dizendo?
- Não acredito no que eu estou ouvindo! – Digo. – Se tem alguém aqui ligado ao Scorpion, esse alguém é você, Ross! Vou ter que refrescar sua memória? Ou você se lembra de ser um dos principais membros (com muito orgulho) da Liga do Escorpião?
Ross me encarou, sem raiva ou sarcasmo agora.
- Me lembro bem. – Disse ele, simplesmente. – Mas larguei tudo por você. O ódio, a busca por vingança... Mas isso não importa.
Percebi que ele estava magoado, então baixei a guarda.
- Ross, poxa... Me desculpe. Às vezes esqueço por quanta coisa nós já passamos, e também não estamos em um bom momento.
- Você não sabe nada da minha história. – Diz ele, em um tom frio.
Olho para ele, buscando uma resposta, mas ele não estava prestando atenção em mim.
Todos olhavam para o relógio, onde os ponteiros se aproximavam cada vez mais da terrível meia-noite.
Então André entrou na sala com o celular.
- Stacy e Ross: Scorpion quer falar com vocês.
Olhei para Ross, e seguimos para a varanda.
André colocou o celular no viva-voz.
- Eles estão aqui. – Diz ele, antes de me entregar o celular.
- Ah! Como vai o casal rebelde? – Disse aquela voz horrivelmente familiar.
Parecia um pesadelo.
Eu me sentia presa, sufocada, como se estivesse em um labirinto novamente.
Minha mão começou a tremer tanto que Ross pegou o celular antes que eu o derrubasse.
- Diga de uma vez qual é o jogo, Scorpion. – Diz Ross, em um tom agressivo.
- Ah, Sr. Christie. – Responde Scorpion. – Sempre apressado e tão sério! Eu esperava um tom mais amigável vindo de um traidor... E onde está sua namorada vampira, Stacy? Que eu me lembre, ela era muito mais atrevidinha...
- Eu estou aqui. – Digo, embora preferisse só escutar. – O que você fez com John e Selly?
Scorpion suspira do outro lado da linha.
- Os Filhos da Lua? Hmm... Deram bastante trabalho. Vou lhe contar uma coisa, senhorita... Sou um cientista. Gosto de brincar com os meus prisioneiros. Consegui aplicar nos dois uma espécie de vírus raro que vai transformá-los em lobisomens ferozes – eles e todos os outros Filhos da Lua que estiveram a menos de 20 metros dos dois nas últimas semanas.
- Pelo amor de Deus, Scorpion! – Diz Ross. – O que você quer agora?
- Paz, Sr. Christie. Seja um rapaz esperto. Sabe que comigo sempre há como negociar. Hoje é a primeira noite de Lua Cheia, então eles não irão se transformar ainda. Haverá transformações na terceira noite, a não ser...
- O que você quer? – Pergunto.
- Stacy, Stacy... Você é realmente a alma gêmea de Ross, não é? Já o transformou? Ou ele não deixou? Imagino que os dois já tenham dormido juntos, mas ele conseguiu aguentar as mordidas, só por curiosidade?
Dessa vez fui eu que peguei o telefone da mão de Ross, pois ele estava apertando tanto o aparelho que poderia quebrá-lo.
- Isso não é da sua conta, seu grande otário! – Digo. – Vamos direto ao assunto. Como posso evitar que eles se transformem na terceira noite?
- Bem, Stacy... Eu tenho um antídoto. Você e Ross terão que vir buscar amanhã à noite, e iremos conversar.
Ross arrancou o celular da minha mão.
- Eu vou, Scorpion. Deixe-a fora disso. Eu irei.
- Sozinho não me servirá em nada, Sr. Christie. Venham os dois às dez, apenas os dois, me encontrar na velha fábrica incendiada, ou não haverá acordo.
- Espere! – Digo, pegando o celular e deixando que André o segurasse. – Como poderemos saber se você não está mentindo? E se inventou essa história do vírus e do antídoto?
Ele riu, e eu senti um arrepio de más lembranças na espinha. Idiota idiota idiota...
- Ora, Stacy Ricce... Já é meia-noite. Por que não dá uma olhada nos seus amigos Filhos da Lua e decide se quer mesmo esperar pela terceira noite?
No mesmo minuto, escutei um grito.
Ross e eu entramos correndo.
Os Filhos da Lua, todos os seis, pareciam muito perturbados.
Me aproximei de Selly, que tinha as mãos sobre as orelhas, e estava ajoelhada no chão.
- Selena, você está legal? – Perguntei, quase em pânico.
- Minhas orelhas – sussurrou ela. – E minhas mãos... Stacy, tive a sensação de que minha cabeça e minhas mãos estavam queimando!
- Aimeudeus... – Digo, quando ela tira a mão das orelhas.
- O que foi?
Querido Diário Macabro... Como você diz para a sua BEST FIREND que as orelhas dela estão pontudas e peludas, e que as unhas, antes perfeitas, agora são cinco garras de lobo selvagem?
Olhei para os outros cinco Filhos da Lua, que também haviam sofrido as tristes mutações.
- John – digo, quase implorando. – Por favor, não a deixe se olhar no espelho, ou ELA VAI TER UM ATAQUE!

***
Vim pra casa.
Dormi.
Bebi litros de sangue animal... Mas não foi o suficiente.
Tenho que me controlar.
Sangue animal, bom.
Sangue humano, gostoso... Não! Ruim, ruim, ruim!
Foi impossível obrigar Selly a ir para a escola hoje, mesmo eu tendo ajudado a garota a prender as orelhas pontudas embaixo do cabelo e feito o máximo para tentar lixar as garras de lobo.
Ela está apavorada, ainda mais por que os pais dela não sabem de nada.
Prometi pra minha melhor amiga que eu vou ajudá-la, tirá-la do sufoco.
Agora são 21:30.
Ross está chegando, e nós vamos nos encontrar com Scorpion.
Ah, estou com medo...
Aquele cara é pirado, e não sei o que vai acontecer.
Bom, eu já vou.
Espero poder voltar com boas notícias.
Até mais.

CONTINUA

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