quinta-feira, 7 de julho de 2011

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL (2ª TEMPORADA) - 7


Quinta-Feira, 07 de Julho de 2011

Querido Diário Macabro,
Vamos registrar uma coisinha?

AAHHH!!!!
ODEIO JAMES P. SCORPION!
ODEIO! ODEIO! ODEIOOOO!!!

Prontinho, meu querido.
É só o que eu tenho a declarar.
Ontem Ross jogou uma pedrinha na minha janela e eu desci pela calha, tentando não fazer barulho, por que não contei aos meus pais sobre a situação.
Normalmente eu falo tudo pra eles, mas não faz sentido preocupá-los se eu vou ter que ir, eles proibindo ou não.
Sei que eles vão descobrir, mas é melhor que pensem que eu sou uma adolescente irresponsável dando uma escapulida com o namorado do que uma vampira que vai encontrar um louco psicopata líder de uma liga de maníacos para tentar evitar que seus amigos se transformem em bestas sanguinárias. Ufa!
Ross me abraçou antes de abrir a porta do carro.
- Queria que você ficasse em casa, em segurança.
Suspiro.
- E eu queria que todos nós estivéssemos em segurança. – Respondo. – Queria que eles não pudessem ameaçar você e todas as pessoas que eu amo. Estou com medo, Ross.
- Não, não fique. – Diz Ross, apertando minha mão para me transmitir força. – Não sei o que Scorpion quer, mas ele não vai conseguir por as mãos em você de novo. Para isso vai ter que me matar primeiro.
- Mas é por você e Selena que eu tenho medo... – Sussurro,
Ross ligou o Jipe e dirigiu até uma das muitas estradas abandonadas de Fatalville, e, durante parte do percurso, eu fiquei de olhos fechados, sentindo apenas a mão dele apertando a minha.
Mas quando estávamos quase chegando, abri os olhos e olhei ao redor.
Apesar da velha fábrica (que agora estava ainda mais destruída, devido ao incêndio que provocamos quando fugimos) trazer lembranças terríveis, estiquei o pescoço, tentando ver o mar depois da floresta, mas a mata fechada não permitia.
- Você lembra? – Perguntei, enquanto estacionávamos. – Foi nessa praia que eu queria matar você.
- Eu não poderia esquecer. – Diz Ross, desligando o carro. – Pronta?
- Não. Mas vamos acabar com isso logo.
Ele concordou, e descemos do carro.
Caminhamos de mãos dadas na direção da velha fábrica. Sua sombra se erguia contra a noite, e eu tinha a impressão de que era um monstro gigante avançando contra nós.
A Lua Cheia lançava um clarão na nossa direção, e ficamos ali parados, sob a luz, esperando para ver o que iria acontecer.
Então ouvimos a voz dele.
- São bem pontuais. Gosto de pessoas pontuais.
Scorpion saiu das sombras.
Usava o mesmo casaco com o broche de escorpião dourado e o mesmo chapéu, só que havia uma coisa diferente nele: metade do seu rosto estava deformado por queimaduras.
- Sua obra, Stacy Ricce. – Diz ele, percebendo meu olhar. – Lhe dá prazer observar o estrago que me causou?
- Certamente – respondo, sem hesitar. – Mas não chega nem perto do prazer que me dará vê-lo morto, Scorpion.
Ele riu secamente.
- Sempre uma mocinha atrevida... – Ele olhou para Ross. – E você, Ross Christie, que eu sempre considerei um filho? O que me diz?
- Você está ótimo, Scorpion. – Responde Ross, cruzando os braços. – Para uma batata apodrecida que foi jogada em uma fogueira.
Scorpion nos observa com os olhos semicerrados, a apenas alguns metros.
- Que casalzinho afiado. Estão com um humor excelente, não? Ótimo. Será o clima perfeito para tratarmos dos negócios.
Ele andou de um lado para o outro.
- Onde está o antídoto? – Pergunta Ross.
- O antídoto! – Diz Scorpion, sorrindo de repente. – O antídoto é o que vocês querem, não é? Muito bem. O antídoto será entregue aos Filhos da Lua amanhã antes da meia-noite, se vocês concordarem, é claro, com as minhas condições.
Ross e eu suspiramos ao mesmo tempo.
- Mas é claro. – Digo. – Fale logo qual é seu preço, qual vai ser a chantagem barata dessa vez.
Scorpion riu alto.
- Acho que os dois são muito apressadinhos. Os jovens de hoje! Mas então vamos direto ao assunto, como vocês querem...
- Você nunca se cansa de joguinhos. – Diz Ross.
Era uma afirmação, não uma pergunta, mas mesmo assim, Scorpion respondeu.
- Não, caro Sr. Christie! Não me canso. Se você fosse um caçador sério da Liga do Escorpião, entenderia que a única diversão que se pode ter é torturar, testar e jogar com seus próprios inimigos.
Encarei Scorpion, compreendendo.
- É por isso que você me odeia tanto e fez questão de me capturar, mesmo sabendo que eu era um membro da sua Liga – digo, fazendo-o olhar pra mim. – Você não pode suportar perder o seu melhor discípulo para uma meio-sangue, não pode suportar a ideia de ele abandonar a Liga do Escorpião para ser feliz, como você gostaria de fazer...
- Já chega! – Diz Scorpion, demonstrando raiva pela primeira vez. – Chega da sua insolência!
Ross e eu trocamos um olhar cúmplice.
Encontramos um ponto fraco, heim?
- Qual é a sua história, Scorpion? – Provoca Ross. – Se apaixonou por uma vampira que não gostava de você?
- Eu diria – começo. – Que ele foi abandonado. Ou, melhor ainda, “chifrado”!
- Sua... – Diz Scorpion, avançando na minha direção.
Ross ficou na minha frente, me empurrando para trás, e, olhando por cima do ombro dele, o vi encostar uma arma na testa de Scorpion.
- Se ameaçar tocar nela outra vez, você morre. – Disse Ross, simplesmente.
Scorpion deu um passo para trás, rindo.
- Atire, Ross! Mas lembre-se de que o antídoto não está comigo. Você me mata e amanhã a meia-noite terá seis feras pela cidade!
- Não pode dizer de uma vez o que você quer? – Pergunto.
Scorpion ajeitou o chapéu.
- O que eu quero é muito simples. Vou mandá-los para uma missão, em que vocês terão que me trazer um objeto da minha estima que eu... Perdi, por assim dizer. – Começou ele. – Vocês já ouviram falar na Santa Inquisição?
- Já. – Responde Ross. – Idade Média. Caça Às bruxas. E daí?
- E daí? – Pergunta Scorpion. – Pode-se notar que vocês não sabem do que estão falando. A Igreja Católica mudou seus costumes há séculos, mas existe um grupo de pessoas que ainda mantêm essas mesmas crenças, fazem sacrifícios, acorrentam bruxas e queimam os infiéis em fogueiras. Eles são a Santa Inquisição da qual eu falo.
- Pelo jeito vocês têm muito em comum. – Comento.
Scorpion dá um sorriso amargo.
- Vamos dizer que nós não costumamos entrar no caminho um do outro. Mas houve um desentendimento. Eles têm uma coisa que eu quero. E vocês vão buscar para mim.
Eu e Ross abrimos nossas bocas para protestar, mas Scorpion não deixou.
- Acham que vou lhes dar o antídoto de graça? – Interrompe ele. – Esses fanáticos da Santa Inquisição estão com uma coisa que eu quero. É um cálice de ouro do séc. XIX. Vale milhões. Mas eles acham que é o “Santo Graal”. Quero o Cálice. Até amanhã, antes da meia-noite (é o que eu recomendo a vocês). Levem até a casa dos Filhos da Lua.
- Por que você mesmo não rouba o maldito cálice? – Pergunta Ross. – Para que tem que nos chamar até aqui?
- Como eu disse, gosto de jogos. – Responde ele, começando a se afastar.
- Espere! – Grito. – Onde está a Santa Inquisição?
Scorpion olha por sobre o ombro.
- Não se preocupem. Eles estão em Fatalville. O meu guia irá levá-los até lá.
Olhamos para trás e vimos André parado a alguns metros.
- Por que você também vai até lá? – Pergunto.
- Eles estão com a minha mãe. – Responde André, sem nenhuma emoção na voz.
- Sua mãe não está com o Scorpion? – Pergunta Ross, em tom hostil.
Ele se lembrava muito bem que foi Elizzy Adornetto quem nos entregara para a Liga do Escorpião.
- Scorpion a entregou para a Santa Inquisição. Não sei se ela está viva ou foi queimada em uma fogueira. – Diz André, olhando para mim e não para Ross.
- Sinto muito. – Digo.
- Não sinta – pede André. – Eu mesmo não sinto nada.
Nossa atenção se voltou para um helicóptero que se aproximou e pousou a poucos metros. Scorpion embarcou e o helicóptero alçou vôo outra vez, desaparecendo logo em seguida na imensidão do céu noturno, deixando para trás apenas o vento frio.
***
Hoje acordei muito cedo.
Tomei café em silêncio e vesti roupas quentes.
E por mais que o sangue animal esquentado no microondas circulasse bem pelas minhas veias, tive que sair para caçar.
Eu não fazia idéia do que iria enfrentar com essa Santa Inquisição.
Tinha que ficar forte.
Precisava de sangue humano. Muito sangue.
Desculpe, pai. Desculpe, Ross.

***
A loja se sapatos Kinselle era o meu alvo.
Eu estava nervosa por que essa seria a terceira vez que eu iria beber sangue humano, e é a vez em que os vampiros matam.
Nas duas primeiras mordidas, os caninos não estão completamente formados, então não é tão difícil conter o frenesi de sugar, e é possível parar antes de matar e só deixar inconsciente.
Mas agora o formigamento na minha gengiva avisava: Se você morder, vai estar cometendo o  seu primeiro homicídio.
E o pior de tudo é que, pelo menos no momento, eu ia simplesmente ADORAR matar. Quando você suga o sangue de alguém até a morte, suga também uma espécie de essência vital.
É isso que dá força e poder de verdade.
Por isso tantos vampiros viram bestas sanguinárias...
Entrei na loja de sapatos Kinselle.
Os modelos de lá são horríveis, e normalmente eu não passo nem perto.
Mas hoje, como eu já disse, eu tinha um interesse especial, não nos sapatos, mas na dona da loja.
Sei que isso é uma coisa maligna, mas se eu tivesse que escolher alguém dessa cidade para morrer, seria a velha e gorda Sra. Kinselle.
Algum tempo atrás ela era só uma perua rica casada com um médico e que tinha uma filha loira e galinha.
O médico e a garota se mandaram, ou sei lá, tomaram chá de sumiço.
A Sra. Kinselle, então, abriu uma loja de sapatos e engordou uns vinte quilos. E a bruaca é um horror.
Trata todo mundo mal, mas o pior foi quando ela agrediu uma vendedora em um dos seus ataques de raiva e ainda demitiu a coitada, que perdeu a visão de um olho, e colocou a culpa em outro funcionário da loja.
Todo mundo sabe disso, e todo mundo também sabe que ela dorme com o Chefe da Polícia de Fatalville.
E foi ela que eu escolhi como vítima.
Matar é errado e nada justifica isso.
É um crime que eu vou cometer.
Mas preciso ajudar Selena e os outros.
E quanto a Sra. Kinselle... Ela não tem amigos ou família que vão sentir falta dela.
Entrei sorrateiramente na loja que tinha acabado de abrir, feliz por ter lembrado de colocar luvas para não deixar impressões digitais.
Não foi difícil entrar sem ser vista na sala com cheiro de cigarros onde ela ficava, com o traseiro gordo na cadeira o dia todo.
- Sra. Kinselle, preciso dar uma palavrinha com a senhora.
Ela nem levantou os olhos da revista que folheava.
- Seja breve, sou uma mulher atarefada.
A encarei, enquanto fechava a porta.
- Sra. Kinselle... Eu sou uma vampira.
Ela soltou uma baforada de fumaça no ar e colocou o cigarro em um cinzeiro.
- Vamos, filha. Tenho mais o que fazer.
- Não acredita? – Perguntei.
Sorri para ela e dei uma rápida olhada no espelho da parede ao ver a expressão horrorizada dela.
Eu estava assustadora.
Meus olhos atingiam um tom vermelho, e meus caninos tinham crescido uns cinco centímetros, como presas de verdade.
Uh.
- Não é possível! – Murmurou a Sra. Kinselle.
- Vou matar você. – Digo, com os olhos fixados na veia do pescoço dela. – Mas você tem mais uma chance. Se entregue para a polícia. Confesse que você agrediu aquela funcionária.
- Nunca! – Diz ela, sorrindo apesar do pavor. – Ela é pobre e eu sou rica. Ela está errada e eu estou certa!
Começo a avançar devagar, olhando-a nos olhos, mas quase sem acreditar no que acabei de ouvir.
- E eu sou a que não tem piedade. – Digo, antes de pular sobre ela e fincar os caninos, que tanto ardiam por causa da sede.
Foi tudo como um sonho.
Ela era tão gorda que, depois de secá-la até a última gota, me senti quase estufada.
Quando a soltei, tive a impressão de que poderia levitar de tão poderosa que eu me sentia. Podia escutar cada som mínimo na loja, até mesmo os roedores no porão.
Podia ver tudo de um modo tão nítido e maravilhoso... Que não há como descrever.
Limpei minha boca com lenços de papel, que encontrei na gaveta da Sra. Kinselle e chequei meus olhos e os dentes no espelho.
Tudo ok.
Aparência humana de novo.
Usei um estilete de papel para fazer um corte na garganta dela, ocultando as duas incisões que eu havia feito. Também deixei a bolsa dela aberta e peguei a carteira, deixando os documentos espelhados pelo chão, atrás da mesa, para que pensassem que foi um roubo mal sucedido, já que não havia um centavo ali.
Então escutei vozes familiares no prédio: Selena. E Courtney.
Droga! Ninguém deveria me ver por ali!
Arrumei a Sra. Kinselle na cadeira do escritório, debruçada sobre a revista e com o cabelo no rosto, o que dava a impressão de que ela estava lendo.
Arrumei até mesmo os braços dela por cima da mesa.
Sai devagar, tomando cuidado para que ninguém me visse e me dirigi para o canto da loja onde estavam Courtney e Selly.
Courtney não estava a vista, mas Selly estava sentada em um banco, sozinha, usando uma toca no cabelo, luvas e um vestido longo que ela devia ter tirado do armário da mãe dela.
- O que você está fazendo por aqui? – Pergunto.
Selena se sobressalta.
- Que susto, Stacy! Faça mais barulho enquanto anda, por favor! – Pede ela. – Courtney passou lá em casa e me viu assim. Insistiu em me trazer para comprar sapatos.
- Cadê ela?
- Banheiro.
- Você não me parece muito mal. – Digo, tentando dar um apoio.
Selly me olhou com a sobrancelha erguida.
- É mesmo? – Ela levantou alguns centímetros do vestido, e pude ver seus pés: as unhas estavam assustadoramente grandes e as pernas estavam peludas. – Ontem piorou muito. Senti aquela dor horrível, só que nas pernas dessa vez. Quando eu tento me transformar fica pior, me sinto ainda mais estranha. O que eu vou fazer?
Vi lágrimas nos olhos dela.
- Selly, relaxa! – Peço. – Eu vou ajudar você.
Selena aspirou o meu cabelo e disse:
- O que você andou bebendo, Stacy? Seu cheiro está diferente...
- Ah... Sangue de peixe.
- Sangue de peixe?
- É sim. – Digo, rapidamente. – Salgado e cheio de proteínas.
Selly dá de ombros.
- Te fez bem.
Courtney aparece, com um sorriso enorme.
- Selly, Stacy... Nossa! – Ela arregala os olhos, e logo percebo o por que.
O vestido de Selena ainda estava alguns centímetros levantado.
Me levanto e puxo Courtney pelo braço.
- Courtney, amiga! Selena está passando por uma fase difícil. Ela não quer falar, mas brigou com o John...
Courtney me encara.
- Ah, minha nossa! Eu não sabia. Pobrezinha...
- Ela deve ser deixada em paz, Courtney. Não faz as unhas e nem depila as pernas... Está em depressão.
Courtney assentiu, compreendendo.
- Obrigada por me contar, Stacy. Vou arranjar chocolate pra ela. E não insistir mais em compras!
Me despeço delas e vou para casa.
Ross e André me esperavam na frente da minha casa.
- Me desculpem pelo atraso. – Digo, dando um selinho em Ross.
- Onde você estava? – Pergunta ele.
André ri.
- Não está na cara? Ela andou se alimentando. E muito bem. Dá pra ver só pelo brilho da pele dela.
Encaro Ross com um sorrisinho amarelo.
Ele olha para André e indica o banco de trás do jipe e abre a porta do passageiro pra mim, sem dizer absolutamente nada.
Mas o silêncio dele já diz tudo.
Provavelmente, ele nunca mais vai confiar em mim de novo.

CONTINUA

Um comentário:

  1. Vc misturou "MINHA NAMORADA É UMA BRUXA" nessa história,ficou D+,isso foi genial!!!

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