segunda-feira, 3 de outubro de 2011

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL (3ª TEMPORADA) - 2

Segunda-feira, 05 de Outubro de 2011

Querido Diário Macabro:
Voltar pra casa foi um desafio.
Eu estava envergonhada pela forma como tratei os meus pais. Eles achavam que eu era uma adolescente vampira e revoltada que havia se tornado uma assassina e fugido com o namorado, decepcionando todo mundo...
Enfim, não foi fácil, mas quando terminei de contar a história toda, eles ficaram tão felizes e aliviados que me fizeram jurar, por tudo o que é mais sagrado, que eu não iria mais me arriscar ou me meter em encrencas.
Cara... O que eles acham? Eu não me meto em encrencas.
É que algumas coisas só acontecem comigo, então é meio inevitável, sabe... Antes de ser a “Noiva do Demônio” me chamavam de “Stacy Ricce, a Encrenqueira” na escola, sabia?
O que eu posso fazer?
Falando em escola, a única pessoa que sentiu minha falta por lá foi Courtney.
- Por onde você andou, Stacy?!
- Ah, meus pais e eu fizemos uma viagem de última hora. – Respondo, com uma piscadela. – Sorteio de passagens aéreas pro Caribe... Não dava para esperar as férias, sabe?
Courtney sorri.
- Deve ter sido demais! Que inveja de você, garota... Como alguém pode ter uma vida tão perfeita?
Quase cai da cadeira.
- Perfeita? Minha vida? – Digo, engasgada. – Pirou geral?
Courtney revira os olhos.
- Veremos, Stacy... Namorado perfeito, notas perfeitas, pais super legais que te entendem e uma melhor amiga que te adora... O que falta?
Fiquei sem resposta.
Para quem não sabe que eu sou uma vampira e não conhece todas as confusões em que já me meti, minha vida deveria parecer perfeita, mesmo.
Como seria se eu fosse uma adolescente normal?
É... A grama do vizinho é sempre mais verde.
Depois da aula, Ross e eu fomos dar uma volta no parque.
Precisávamos conversar.
Haviam muitos assuntos pendentes que já não podiam ser empurrados pra depois para dar lugar a uma seção de amassos, embora a ideia fosse tentadora.
- Ross eu não gosto de matar – digo, de uma vez. – É claro que, para um vampiro, é prazeroso, dá uma sensação de força e mais poder... Mas eu sei que está errado.
Ele suspira.
- Como podemos evitar isso então, Stacy?
Desvio o olhar.
- Pensei em uma solução. Talvez eu não precise parar. Posso limpar a região de mafiosos e bandidos.
Ross aperta minha mão, e sou obrigada a encará-lo.
- Acha que você pode fazer justiça com as próprias mãos, Stacy? Bom... Ao meu ver, é o que a Santa Inquisição faz. Julga e condena quem eles acreditam merecer a morte.
- Não! – Digo, angustiada. – Não sou como eles. Vou mudar. Eu prometo, Ross.
Ele suspirou outra vez.
- É aí que está – diz ele. – Você já me prometeu muitas vezes, Stacy. E eu não posso culpá-la. É o seu instinto.
- Hey! – Reclamo, com uma nota de irritação na voz. – Você fala como se eu fosse um animal!
Cruzo os braços, encostada á uma árvore.
Ele me olha, com visível preocupação.
- Não fique aborrecida...
- Já estou.
- Escute... – Pede ele, e eu o olho, começando a esquecer a raiva. – Você tem que entender que nossa relação também é difícil pra mim, ok? Stacy... Eu me sinto mal ao saber que não posso satisfazer sua necessidade de sangue.
Deixo meus olhos curtirem um pouco a visão do rosto dele, tão próximo do meu, antes de responder.
- Mas eu tenho outras necessidades que você pode satisfazer melhor do que ninguém...
Seguro o rosto dele entre as mãos para beijá-lo. Pelo menos nessa parte nos dávamos perfeitamente bem.

***
Mais tarde, quando já estava escuro, me escondi em uma das ruas sem saída do “Beco”, o ninho da bandidagem de Fatalville.
Meus pais sabiam? Não.
Ross sabia? Não.
Mas eu sempre tenho que teimar.
Me postei ali, silenciosa e atenta, esperando por qualquer sinal de algum malandro que eu poderia morder (mas não pretendia matar!).
Foi quando avistei um vulto de garota, e pude ouvir seus passos na calçada de pedras.
Ela se postou diante de mim, e, para minha surpresa, eu a vi erguer uma estaca:
- Parada, sanguessuga... Você será exterminada por um membro da Liga do Escorpião!
Ótimo.
Eu mereço mais essa.

CONTINUA

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