sábado, 8 de outubro de 2011

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL (3ª TEMPORADA) - 7

Sábado, 10 de Outubro de 2011

Querido Diário Macabro;
Ontem eu e o resto do “meu esquadrão” fomos até a casa de Ross, mas estava tudo fechado e havia alguns tiras rondando por ali.
Então voltamos lá hoje.
Pedi para Courtney vigiar a entrada dos fundos, Selly o portão da frente e André e eu invadimos a casa.
Isso aí.
Invadimos mesmo.
Entramos por uma janela aberta do segundo andar.
A casa era grande e bem decorada, moderna e clássica ao mesmo tempo.
André soltou um assobio baixo.
- Casa maneira do seu ex-namorado...
- Ele não é meu ex! – Sussurro, atenta aos sons que chegavam até nós vindos do andar de baixo. – É o meu namorado.
André ri baixinho, mas com muito gosto.
- Qual é? Aceita o fora, Stacy. Segue em frente. – Ele faz uma pausa. – Suas amigas só estão aqui para te apoiar, por que tá na cara que elas acham que o caçador te deu o fora.
- Nada... – Começo, tentando negar.
- E eu – interrompe ele. – Estou aqui por que gosto de espionar, e pretendo levar vantagem nessa...
- Como? – Indago.
- Quando você cair na real, minha linda... Topa um cinema?
- Aff... – Digo, revirando os olhos. – Sério, André. Você dá em cima de mim, da Selly, da Courtney... O que você quer, afinal?
André me encarou, e vi um brilho diferente na expressão dele.
- Eu quero alguém que olhe pra mim da mesma maneira que você olha para o caçador.
Ok. Momento tenso.
Fomos interrompidos por passos na escada, e escutei a voz de Ross:
- Vou lavar as mãos e chamar o menino.
Fiz um gesto apressado para que André pulasse da janela e entrei em um dos cômodos.
Fechei a porta do quarto, e dei de cara com Lucas, o sobrinho de Ross que levava as cartas dele pra mim quando estávamos separados.
Mordi o lábio inferior, mas ele não esboçou qualquer reação de surpresa.
- Vamos combinar: você não me viu, ok?
Ele assentiu enquanto eu me fechava no armário, no exato momento em que Ross abriu a porta do quarto. Eu podia vê-lo por uma pequena fresta...
Ele encarou o menino como se tivesse esquecido alguma coisa.
- Ahm... Lucas? Vamos descer para o lanche?
Lucas o encarou friamente e desceu.
Hmm... Suspeito.
Escutei os passos dos dois descendo para o andar térreo.
Abri a porta devagarzinho e fui até a escada. Eu podia ouvir as vozes de Ross, Lucas, uma voz de mulher e... Márcia.
Humpf. Cadelinha...
Com cuidado, desci a escadas sorrateiramente até ficar em um ponto onde eu via quatro pessoas sentadas numa mesa de jantar.
A mulher que estava com eles só podia ser Eva, a tia de Ross.
Prestei atenção na conversa.
- Que bom que os dois estão felizes juntos. – Diz Eva, satisfeita.
- Márcia é tudo. – Disse Ross, segurando a mão daquela vadia. – É tudo pra mim.
Ela riu. Ridícula...
- Veja só, o que fiz pra merecer o elogio?
Fiquei rígida.
Saí do meu esconderijo, porque sabia o que ele ia dizer, e era mais do que eu podia suportar. “Você existe”... Essa é a nossa forma de dizer o quanto nos gostamos!
Mas ele respondeu:
- Merece por ser tão linda!
Como é que é?
- Mentira! – Grito, fazendo quatro cabeças se voltarem pra mim.
Prendo a respiração enquanto Ross se levanta, alarmado.
- Stacy, o que você está fazendo aqui?
- Ela não é linda! – Grito outra vez, lembrando do que Courtney disse. – É uma baixinha que se veste mal! E... Não está certo, Ross. Se você gosta mesmo dela, deveria ter dito “você existe”...
Percebo que Lucas dá um pequeno sorriso, e a tia de Ross me encara, confusa.
- Quem é essa?
- A Noiva do Demônio – sussurra Márcia. – Piradinha...
Fervo.
- Noiva não! – Berro, avançando mais rápido do que Ross poderia me deter. – Sou o próprio!
Jogo refrigerante nos olhos dela, depois viro uma travessa de purê no cabelo da ordinária, e Ross só conseguiu me segurar me impedindo que eu fizesse muito mais, na hora em que eu espetei o braço dela com um garfo.
Ele me arrastou com brutalidade para fora da casa dele.
- Você passou dos limites! – Estourou. – Invadiu minha casa, atacou minha namorada na frente da minha família...
- Sua namorada? Você tem problemas, Ross?
- Você é o meu problema, Stacy! – Berra ele.
- Por que não me conta logo o que está acontecendo, caramba?! – Explodo também. – O que aconteceu, Ross Christie?
- Eu me cansei de você! Me cansei, sua sanguessuga, sua perturbada...
Paro. Respiro.
- Ok. – Digo, olhando-o nos olhos. – Só uma coisa. E eu vou embora.
Me inclino rapidamente e o beijo.
Ele me afasta com repulsa, mas eu já tive o suficiente.
Caminho tranquilamente para o portão e atravesso a rua, onde Selly e Courtney assistiram a cena de olhos arregalados e André me encarava com a testa franzida e braços cruzados.
- Hey... – Começa ele. – O que foi isso?
- Nada. – Respondo, dando de ombros. – Já confirmei as minhas suspeitas. Agora eu posso agir.
E é isso, diário.
Saquei a parada.
Amanhã vou atrás de James P. Scorpion acertar as contas.
De uma vez... Por todas.

CONTINUA

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