quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL (4ª Temp.) - 2



2. EM UMA HOSPEDARIA NA ROMÊNIA

Segunda-feira, 09 de janeiro de 2012

Querido Diário Macabro:

Ontem, no mesmo avião em que eu, Ross, Selena e John estávamos, uma garota foi morta.
Eu ainda estou inconformada.
Ela era um pouco mais velha que eu, estava fazendo uma viagem planejada há tempos com o namorado... Foi um horror. Nós vimos o namorado dela, um cara bem jovem, cabelos claros, totalmente histérico.
- Ela havia ido ao banheiro – dizia ele, entre soluços. – E não voltou mais. Fui ver se ela estava bem. Mas a aeromoça a encontrou primeiro...
Coitado.
Segundo os médicos, o assassino a estrangulou e depois fez um talho na garganta dela. O que não faz sentido e me deixa envolvida ao mesmo tempo.
O assassino ainda não foi identificado. Mas sabemos que matou Bárbara em segundos com o estrangulamento. Então porque o corte na garganta?
E, não adianta dizer que foi um vampiro.
Não disseram nada sobre falta de sangue no corpo, e um vampiro não estrangularia uma vítima antes de beber: atrapalha.
Enquanto esperávamos um novo avião para nos levar até Bucareste no pequeno aeroporto que não estava na escala (o avião em que estávamos antes ficaria sendo examinado pela perícia) Ross fez vários telefonemas.
Alguns outros membros da Liga Fatalville estavam vindo em outro avião para não levantar suspeitas e evitar que algum suposto inimigo ficasse na nossa cola.
É incrível como esses caras obedecem Ross assim, olha (estou estalando os dedos). Depois que ele herdou a Liga, todos eles passaram a obedecer Ross como obedeciam Scorpion. Faz parte de um juramento: sempre seguir ordens do líder, independente do que acontecer.
Não nos interrogaram nem tomaram muito do nosso tempo: os passageiros da classe econômica não tinham acesso ao banheiro da primeira classe, o que significava que o assassino ou assassina estava na primeira classe, que estavam sendo interrogados.
Um cara de bigode, uma menininha ruiva, uma senhora que desmaiou, um garoto que parecia alemão e uma porção de outras figuras. Qual deles teria motivos para matar a pobre Bárbara?
Minha análise estilo CSI foi interrompida por um cutucão de Ross.
- Jorge chegou.
Olhei na direção indicada e quase tive um treco: Era um jatinho particular, ainda reluzente de tão novo.
- OMG... Ok... Você disse que a Liga era rica. Mas, pelo jeito, ela é “RICA”!
 Ross ergueu as sobrancelhas.
- Ah... Isso? Não é nada. Espere para ver nossa base na Transilvânia. Equipamentos de primeira.
- Ross, Stacy... – Jorge nos cumprimentou.
Jorge era um dos membros mais antigos da Liga e provavelmente o mais amigo de Ross. Quando ele tinha alguma dúvida nas mãos, era Jorge quem o aconselhava.
- Nós vamos agora? – Perguntei para Ross, lembrando dos últimos acontecimentos de repente. – Não vamos esperar para descobrir o que aconteceu com Bárbara?
Ele suspirou.
- Stacy, não temos tempo. Vamos descansar um pouco em uma hospedaria e partir de manhã bem cedo. Eu também lamento pela moça, mas teremos que deixar a polícia resolver isso, já que está na cara que não foi um vampiro. Não podemos nos meter, ou vamos arrumar encrenca.
Concordei com ele. Já desconfiavam bastante de três menores de idade viajando, tendo um cara como o John como o “responsável”.
- Ah, você tem razão... Vou avisar John e Selena.
Selly estava sentada no colo de John, no restaurante do aeroporto, depois de derramar algumas lágrimas.
- Vamos para uma hospedaria. – Avisei, pegando minha valise vermelha da Pucca e a mala de carrinho gigante da Hello Kitty da Selena.
Aff... Mas é cada uma...
Eu não sabia direito em que cidade estávamos. Eu não entendo uma palavra de romeno e os nomes nas placas são cheios de acentos bizarros e cedilhas em várias letras.
 Ainda estava longe de Bucareste, a capital da Romênia, onde planejávamos pegar um trem para a Transilvânia.
Era um lugar bem parado, até lembrava Fatalville.
Se em Fatalville houvesse ciganos acampando e correntes de alho nas portas dos poucos comércios.
Ia ser uma noite “daquelas”.

***

Eu já sabia que a Romênia era bem diferente de Fatalville. Lá as pessoas tinham crenças fortes, e se preveniam contra os vampiros. Graças a minha dieta de sangue humano constante, meus olhos estavam ficando vermelhos com mais frequência, e eu tinha que controlar isso.
Prendi a respiração ao entrar na pequena hospedaria, ignorando o cheiro ardido do alho, e fique atrás de Ross. O lugar era bem velho. Caindo aos pedaços. Mas era a único lugar em que poderíamos passar a noite nas redondezas.
Uma mulher carrancuda e muito velha veio nos atender.
Jorge falava romeno fluentemente, e Ross captava alguma coisa.
Ela apontou o dedo ossudo para Selly e John enquanto falava.
- O que ela está dizendo? – Perguntei para Ross, baixinho.
- Ela disse que sabe muito bem o que eles são, mas vai deixá-los ficar porque também sabe que eles ainda são inofensivos.
Estremeci.
Ainda? Ela acha que os Filhos da Lua são do tipo que se transformam na lua cheia ou o que?
Não ousei sair de perto de Ross, que me escondia da velha, até que ela finalmente nos entregou as chaves.
Selena e eu dividimos um dos quartos, enquanto John, Ross, Jorge e outros caras da Liga ocuparam outros dois quartos maiores. Eles ficaram de se revezar como sentinelas até o amanhecer.
- André me mandou um torpedo. – Disse Selena, enquanto eu tirava os sapatos e me deitava. – Ele garante que fez uma ronda pela cidade e está tudo nos eixos.
André e o resto da Gang das Feras ficaram em Fatalville para “cuidar” da cidade durante nossa ausência.
- Rum. Aquele lá deve ter rondado todas as garotas bonitinhas da cidade, isso sim! – Brinquei.
Selena se jogou na outra cama, sorrindo.
- Duvido que Pérola deixe isso acontecer. Os dois não se desgrudam mais.
Concordei, bocejando.
Selena apagou o abajur e caí em um sono profundo.

***
Hoje, quando acordei, vi a cama de Selena vazia, iluminada pelos poucos raios de sol que entravam pela janela.
Me espreguicei e me virei na cama, sabendo que provavelmente tinha dormido demais e Ross logo viria me acordar com beijos... E quase gritei.
A velha estava ali, parada, inclinada sobre a cama, o cabelo branco embaraçado, olhos arregalados e a boca banguela semi aberta, o rosto enrugado a pouco centímetros do meu.
Com apenas um gesto, antes que eu pudesse me recuperar do susto, ela atirou água fervendo em mim.
Dessa vez eu berrei, me esgoelei.
Não parecia que queimava.
Doía muito mais.
Como milhões de agulhas sendo espetadas na minha carne, arrancando a pele dos meus braços.
E foi no meio daquela agonia que em algum lugar da minha cabeça eu percebi: não era água fervendo.
Era água benta.

CONTINUA

Um comentário:

  1. Oi Giovanna. Lembra - se de mim? Bom, posso indicar você em uma postagem? Preciso de uma permissão para isso. me informe, ok? Amo seu blog! Esta temporada está d+! Bjinhos
    http://llacodefita.blogspot.com/

    Informações: luanastrzykalski@gmail.com

    ResponderExcluir