sábado, 14 de janeiro de 2012

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL (4ª Temp.) - 4



4. TÚMULOS NO CAIR DA NOITE

Quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Querido Diário Macabro:

Depois daquela cena assustadora, entramos no jipe e Ross arrancou.
Passei a língua nos dentes, sentindo as presas se retraírem devagar. Melhor assim.
Selena gemia no banco traseiro, ainda assustada.
- O que foi aquilo? – Perguntava John, perplexo. – Eu simplesmente comecei a me transformar, sem controle! Isso nunca aconteceu antes.
- Por sorte ninguém viu. – Comentei, ainda tentando assimilar o que tinha se passado.
Na verdade, os poucos comércios estavam fechando e as pessoas haviam começado a sumir das ruas, como em um toque de recolher. Mas o sol nem tinha se posto ainda...
- Acham que o vírus que Scorpion injetou em vocês pode ter retornado? – Perguntou Ross, com notável tensão na voz.
Fiquei rígida, apavorada com a idéia.
O vírus que transformava os Filhos da Lua em lobisomens violentos era um sofrimento terrível para eles, além de torná-los perigosos até para os amigos.
Foi marra conseguir o antídoto, e se o vírus voltasse...
- Não. – Respondeu Selena, me deixando um pouco mais aliviada. – Dessa vez foi diferente. Não doeu. Era como se alguma coisa dentro de mim agisse por conta própria, uma fera despertando...
- Isso mesmo. – Concordou John, ainda perturbado.
- Eu também senti! – Exclamei. – As minhas presas saltaram como se eu fosse morder alguém, até mais dessa vez... E eu nem estava pensando em sangue.
Ross me lançou um rápido olhar.
- Isso já aconteceu antes?
- Não. – Respondi.
Eu não queria dizer a ele que ultimamente meus dentes formigavam quase o tempo todo, querendo abocanhar alguém.
Era bem capaz de Ross ficar com medo de me beijar se soubesse dessa, e eu não poderia culpá-lo. Afinal, nenhum cara ficaria feliz em correr o risco de ter a língua mordida pela namorada vampira, dããã.
Ross desviou do caminho que levava para a sede e seguiu por uma estrada de terra, que subia pela montanha.
- Vamos dar uma olhada no cemitério do vilarejo antes de voltar. – Disse ele, antes que alguém pudesse perguntar. – Segundo as antigas crenças, é lá que os vampiros ficam. Precisamos saber se é verdade.
- Duvido muito – eu disse. – Vampiros se escondendo do sol em túmulos? Isso é mito. Eu saio no sol.
- Você é Crepúsculo. – Zombou Selly. – Só falta brilhar.
Fiz uma careta para ela.
- Rá. Rá. – Muito engraçado.
Descemos do jipe e começamos a rondar o cemitério.
Ainda faltava um pouco para o sol se pôr.
E não havia nada ali: só mato alto e túmulos velhos.
John se sentou em uma lápide, suspirando e ascendendo um cigarro. Naquele momento ele parecia mesmo mais velho do que a gente, cansado.
Selena se sentou ao lado dele, com os olhos fixos no sol fraco que se escondia lentamente no horizonte.
Ross estava colocando pilhas em uma lanterna.
- Pra que isso? – Perguntei, me aproximando dele.
- Vou dar uma olhada ali. – Disse ele, indicando a entrada de um mausoléu em ruínas com um dar de ombros.
Sacudi a cabeça, pegando a lanterna das mãos dele.
- Eu faço isso. – Dei um breve beijo na bochecha dele. – Relaxe um pouco, Ross.
Ele não tentou me impedir.
Com pouco esforço, fiz a porta do mausoléu ceder.
Era um cubículo de paredes mofadas e pintura descascada. Tinha uma tumba grande, daquelas em que mais de uma pessoa era sepultada.
Não precisei da lanterna, graças aos meus olhos treinados de vamp, ótimos para ver no escuro.
Era tudo bem velho ali, cheio de pó e teias de aranha.
Eca. Odeio teias de aranha.
Eu comecei a assobiar baixinho e ia dar meia volta, quando um leve ruído acompanhou um movimento quase imperceptível...
Ah, não.
Não. Não. Não.
Eu devia estar imaginando, pirando, mas não...
A tampa do túmulo tinha deslizado uns cinco centímetros...
E continuava se abrindo.
Ok. Alguém dentro da tumba estava abrindo a tampa.
Aimeudeus, que clichê...
Mas lá estava eu, paralisada – não de medo, mas de descrença – respirando fundo, tentando criar coragem para me aproximar...
Então eu vi a mão.
Uma mão branca e suja, se apoiando na beirada da cripta...
Ah, não.
A mão se ligava a um braço, e uma cabeça se levantou do túmulo. Cabelo com terra, olhos vermelhos, olheiras profundas e uma pele lívida que parecia uma máscara de papel.
Não agüentei mais.
Gritei.
Ascendi a lanterna na cara da coisa.
E ela também gritou, ou pelo menos abriu a boca medonha cheia de dentes de onde saiu um urro gutural, tampando os olhos com a mão ossuda, como se a luz da lanterna fosse demais para ela.
Quando consegui correr para fora do mausoléu, dei de cara com Ross, que estava com uma estaca e uma arma, John também armado e Selly já na forma de loba.
- Não, não! – Berrei. – Vamos pro carro! Depressa!
- Mas o que...
- Corre, Ross! Corre!
Os últimos raios de sol desapareceram além das montanhas.
Ao nosso redor, mais túmulos começaram a se abrir...

CONTINUA

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