sábado, 28 de janeiro de 2012

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL (4ª Temp.) - 5


5. A ÚLTIMA JOGADA DE SCORPION

Sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Querido Diário Macabro:

Sei que sumi, não escrevo faz tempo...
Mas ando trabalhando duro.
Caçando vampiros como nunca.
Não vou te fazer uma descrição nauseante, mas já estou enjoada de ver sangue de vampiro, e mais vampiros virando pó. E são estacas, crucifixos, alho e água benta o tempo todo.
Eu estou tão perdida, como uma barata tonta no meio disso tudo...
É bem verdade que os vampiros aqui não são como os de Fatalville. Nada de gente bonita com dieta fora do comum. São o mais perto de monstros que se possa imaginar. Parecem os zumbis do The Walking Dead (agora eu exagerei).
Eles não podem sair ao sol. Dormem em túmulos. Quase não tem como dialogar com eles. São bestas que só conseguem se focar no sangue, como se não existisse mais nada.
Mortos vivos.
Sim, mortos.
Os corações não batem, o sangue que escorre dos peitos rasgados pelas estacas é escuro e pegajoso, antes de virar uma poeira negra e sem cor.
Nós não sabemos por que os vampiros da Transilvânia são assim, não são como eu ou André. Mas esse lugar sinistro parece ter uma áurea das trevas. Sério. Até os Filhos da Lua são afetados.
Como se o ar carregasse uma tensão, uma energia que atrai qualquer “criatura” para as sombras.
Eu estou tão cansada, por dentro e por fora, que nem consigo mais sentir medo.
A Liga Fatalville está se saindo muito bem, exterminando vampiros. Mas a chance de fazer qualquer trato ou aliança com eles é nula.
Que droga.
Não agüento mais isso, esse banho de sangue, esse filminho trash. Quero ir pra casa, fazer faculdade e tentar ser normal. Voltar a ser apenas a Noiva do Demônio, uma garota de Fatalville.
Tentar esquecer essa loucura toda...
Mas não me atrevo a pedir isso pro Ross.
Ele está no comando, e tem uma responsabilidade muito grande. E, afinal, fui eu que quis vir. O que eu estava pensando? Que seria legal ser a mistura de Drácula e Van Helsing?
Ok. Eu sou ridícula.
Depois de uma breve reunião hoje a tarde, Ross veio falar comigo.
- John e Selena vão voltar para Fatalville amanhã. – Disse ele.
Cai da cadeira.
- Como é?
- Selena está pirando, Stacy. Você viu. Ela está com os nervos a flor da pele.
Era verdade.
Cara... Eu já estou atordoada, minha amiga sensível, então...
- Vamos com eles! – Gritei, por impulso.
Ross soltou um suspiro, passando a mão pelo meu cabelo.
- Ah, Ross. – Comecei, reprimindo lágrimas que estavam querendo sair há muito tempo. – Eu estou tentando ser forte, mas não estou agüentando mais. Sei que é egoísmo meu, mas não ligo. Já lutamos bastante. Por favor, vamos embora...
Ele balançou a cabeça.
- Ah, meu amor... Eu deveria saber. Não deveria ter te arrastado pra cá. Sei que está sendo muito duro pra você. Eu já sou acostumado com isso, mas você...
- Vamos voltar pra casa. O resto da Liga pode continuar, mas nós temos que ir.
Ele se sentou ao meu lado na mesa do escritório.
- Eu não posso ir, Stacy. Sou o líder. Tenho que ficar. Mas você vai amanhã com John e Selly e...
- Não, Ross. Meu, pare de bancar o forte. Não estou nem aí se você é o líder. – Disse, com a testa franzida. – Você está esgotado também. Temos a mesma idade. Você é jovem e está deixando tudo pra lá para se focar em caçar vampiros... Isso não vai te fazer bem nenhum!
Ele mordeu o lábio inferior, segurando minha mão.
- Talvez seja o meu destino. Eu não posso deixar a Liga, deixar de fazer o que eu acho certo, para ter diversão...
Tirei minha mão da dele, arregalando os olhos.
- Stacy? O que foi?
Me levantei, dando passos para trás até encostar na parede. Ross se levantou também, dando uma rápida olhada para trás e depois se voltou para mim.
- Você está bem? O que está acontecendo?
Fechei os olhos, depois abri de novo, sem conter as lágrimas dessa vez.
- Ah, Ross... Você não entende?
- O que?
- O motivo do Scorpion ter te deixado na liderança da Liga?
- Não...
- Ele sabia, Ross.
- Sabia do que?
- Sabia que você acabaria me deixando, deixando sua vida, sua família, tudo... Para caçar. Para acabar tendo uma vida solitária e amargurada como ele teve.
O rosto de Ross escureceu, e ele não conseguiu dizer nada.
- Nós não o derrotamos, Ross. – Continuei. - Foi uma última jogada de mestre. Ele está vencendo...
Então Ross reagiu.
Mas ele não correu para fazer as malas, nem nada do gênero. Ele riu.
- Stacy... Você está realmente abalada. Relaxe, ok? Você vai voltar pra casa, e eu logo vou também. Pare de viajar na batatinha e esqueça o Scorpion, tá bem?
Ele me deu uma piscadela e avançou para me abraçar.
Me desviei rapidamente, encarando-o.
- Ross... Você está me ouvindo?
- Claro que estou! Não há nenhuma chance de que eu fique como o Scorpion.
Engoli em seco.
- Tem certeza? Pense na possibilidade de comprar um chapéu!
Passei por ele apressadamente, com um nó na garganta, me dirigindo para o terraço.
Outra vez, maldito Scopion.
Ele estava morto, mas finalmente tinha vencido.
Finalmente, Ross e eu seríamos separados pelas nossas diferenças, e ele ficaria para sempre naquela Liga. Exatamente como Scorpion queria.
O sol ainda estava a pino.
Senti o calor na minha pele, me perguntando se algum dia aquela luz me queimaria, como fazia com os pobres diabos do cemitério.
Fique na beirada do prédio, ergui o pescoço e abri os braços, sentindo o vento embaraçar meu cabelo, tentando respirar.
Era quase uma cena de Titanic.
Só que eu era uma Rose sem Jack.
(Vamos concordar: essa última frase foi um clichê melodramático e beeeem ridículo.)
- Santo Deus, saia daí, moça! – Ouvi Jorge atrás de mim, mas ignorei.
Eu não ia me jogar, só queria sentir um pouco o vento e o calor do sol, com uma floresta a vinte metros abaixo de mim. Não posso?
- Stacy, saia da beirada! – dessa vez era Ross.
Que saco.
Porque eles não me deixam em paz?
Só estou curtindo. Não vou cair...
Então alguma coisa me empurrou pra frente de repente, e eu gritei ao perder o equilíbrio, certa de que despencaria na direção de uma morte bastante dolorosa.

CONTINUA


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