domingo, 29 de janeiro de 2012

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL (4ª Temp.) - 6


6. ASSASSINATO POR ENGANO

Domingo, 29 de janeiro de 2012

Querido Diário Macabro:

Ontem tomei um dos maiores sustos da minha vida.
Eu estava bancando a rebelde sem causa na beirada do terraço, quando um falcão idiota deu um rasante direto na minha cabeça.
Isso mesmo. E não tem graça!
Pássaro estúpido.
Quase morri porque aquele saco de penas resolveu me atacar pelas costas.
Se eu pego aquele pardal gigante, o faço em pedaços.
A sorte é que Ross estava perto o suficiente para me segurar. Ele me xingou de maluca enquanto me abraçava, e me deu bronca enquanto me levava pra dentro no colo, embora eu dissesse para ele parar de drama e que minhas pernas ainda estavam inteiras.
E o assunto do resto do dia foi a minha “imprudência”.
Que lindo.
Hoje Selena e John voltaram para Fatalville.
Estou morrendo de inveja, mas foi o mais sensato. A Romênia afeta demais os Filhos da Lua. Eles andavam nervosos, rosnando por tudo. Literalmente!
Fiquei por aqui com o Ross Christie Scorpion (estou chamando o cara assim pra ver se ele se toca).
No aeroporto, Ross foi pegar um café e eu me sentei em uma mesa para esperar. Não era o mesmo aeroporto em que desembarcamos, era um bem maior.
Observei o ciclo de turistas. Mãe no celular com filhos correndo em volta dela, menina ruiva tomando sorvete, homem puxando uma mala de carrinho enorme... Espero que nenhum deles tenham as férias terminadas em lágrimas, por decidir perambular por aí depois do anoitecer.
Comecei a fuçar em uns jornais velhos em vários idiomas que estavam perto da mesa, para os turistas, tentando achar algum que tivesse escrito na minha língua. Até que uma manchete chamou a minha atenção: a morte daquela garota, Bárbara, no mesmo vôo para a Romênia em que nós estávamos.
Ainda não descobriram o responsável e tiveram que liberar os suspeitos. A aeromoça tinha declarado não ter visto ninguém por perto do banheiro onde Bárbara foi encontrada, e a policia desconfiava de suicídio, mas então onde estava a seringa que ela usou para injetar veneno nas próprias veias?
Ross voltou com o café.
- Vamos?
Eu ia largar o jornal dobrado na mesa, quando percebi um detalhe que não tinha notado antes: a foto de Bárbara. Nossa. Ela era mesmo jovem. E bonita.
Tinha o cabelo cacheado e loiro, e um sorriso que...
Espera!
Franzi o cenho e me voltei para Ross.
- Ross... Você diria que essa garota é parecida comigo?
Ele olhou para a foto, sem entender.
- Ah... Só um pouco. Por causa do cabelo. Por que?
Ele então leu a manchete, e eu cruzei os braços.
Nos encaramos.
- O namorado dela tinha cabelo claro e devia ter a mesma altura que você. – Eu lembrei, hesitante.
Ross entendeu.
A descrição de Bárbara e o namorado dela poderia se encaixar perfeitamente com uma descrição nossa.
- Não era ela que queriam matar. – Eu disse, por fim, olhando para a foto. – Era eu.

CONTINUA

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