sábado, 4 de fevereiro de 2012

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL (4ª Temp.) - 7



7. O FIM DE UM ROMANCE

Segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Querido Diário Macabro:

Eu já, sei você já sabe, nós já sabemos: Desde que demos um fim em Scorpion, a única pessoa que deseja a minha morte é a sirigaita da Márcia, ex-namorada do Ross, garota psicótica que busca vingança pessoal.
A questão aqui é: Onde ela está?
Com certeza não foi ela que matou Bárbara, com as próprias mãos. Porque a pessoa que a atacou não me conhece, não conhece Ross: procurava um casal de jovens loiros, talvez tenha visto uma foto não muito nítida, e nos confundiu com eles.
Márcia errou na conjectura de que estaríamos na primeira classe. Otária.
Mas o resultado de tudo isso foi: Ross está com mania de super proteção outra vez, e quer que eu volte para Fatalville imediatamente.
Eu teria todo o prazer, mas só se pudesse arrastá-lo comigo. Mas o teimoso disse que vai ficar, e já estou por aqui com essa discussão.
- Então, a partir de agora, você não sai do prédio da base. – Decretou meu namorado ditador. – Ouviu bem, Stacy? É muito arriscado.
- Porque não compra uma gaiola e me prende nela, Ross? – Perguntei, irritada. – Ou usa uma das celas?
Ele devolveu meu olhar gélido.
- Pare, ok? Vai começar com infantilidades, agora?
- Ah, você tem razão! – Respondi, com ironia. - Eu estou sendo infantil. Deveria ser como você, se achando a mistura de Van Helsing com o cara do Matrix. Acorde, Ross Christie Scorpion... Ou Ross C. Scorpion, pra dar mais charme?
Ross passou a mão no rosto.
- Isso não está dando certo.
Eu entendi na hora o que ele queria dizer, e respirei fundo. Era uma coisa muito triste, mas no momento eu estava com raiva.
- É. Não está. – eu disse, me aproximando. – Caracas... Eu te amo tanto que chega a doer, sabia?
Ele assentiu, colocando a mão sobre o próprio coração.
- Eu sei perfeitamente. Se dói tanto, talvez não esteja tão certo.
A minha raiva foi diminuindo, e só ficou a tristeza.
- Eu não... Ah, eu não sabia que ia acabar desse jeito.
Ross desviou os olhos, e vi um brilho de lágrimas nos olhos dele.
- Stacy... Eu sinto muito. Mas está claro que, mesmo que a gente queira evitar, somos de mundos diferentes. Você é uma vampira, eu sou um caçador. Achei que a gente podia dar um jeito, mas...
- Não dá. – Completei eu, com a voz falhando. – Não dá pra continuar nessa vida de Romeu e Julieta versão terror. Eu sei, Ross. Acho que a gente sabia o tempo todo... Desde aquele dia em que eu mordi você, nós sabíamos.
Ele me encarou de novo, e passou a mão pelo pescoço, lembrando. Demorou um pouco para falar.
- Sabe, não foi tão horrível pra mim...
- Foi ótimo pra mim. – Eu disse, antes de captar o que ele queria dizer.
Ah.
Ele se aproximou de mim e me beijou, deixei que ele me abraçasse, para fingir um pouco que tudo ia se resolver e ficar bem.
Quando ele ergueu o pescoço em um gesto de conformismo, não me contive: meus dentes se alongaram, ansiando por perfurar a carne.
Eu não ia transformá-lo.
Era mais uma despedida...
Mas fomos interrompidos quando três dos homens da Liga entraram na sala de reuniões, e ficaram horrorizados com aquela cena.
Eles... Eles perguntaram pro Ross se ele estava bem, se ele queria que me levassem para uma cela...
Ross ficou fulo com aquilo, e eu saí, limpando o sangue na manga da blusa.
Já arrumei minhas coisas numa mochila, e não sei bem o que fazer agora.
Pretendo pular a janela do quarto e ir pra algum lugar isolado, um lugar onde eu não seja um monstro, nem caçadora, mas apenas Stacy Ricce, uma “Bad Girl”, uma adolescente como qualquer outra, escrevendo em um diário.
Está escurecendo, mas eu não me importo.
Já perdi o meu primeiro (talvez único) amor, não é?
Esse mundo de caçadas já não me pertence mais.
Pelo menos, não como caçadora.

CONTINUA

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