sábado, 4 de fevereiro de 2012

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL (4ª Temp.) - 8

Terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Querido Diário Macabro,

Eu sou a pessoa mais estúpida e idiota da face da terra. Só posso ser.
Porque não juntei as peças antes?
Eu fui tão cega...
Mas agora é muito tarde.
Bom, vou começar do início, para que eu mesma possa entender.
Ontem, segunda, quando saí escondida da sede para ficar isolada e colocar as idéias no lugar, encontrei uma caverna no topo da montanha. Era longe da Liga, e também longe do cemitério.
Pois bem, cheguei, me sentei em uma pedra, ao alcance dos últimos raios de sol e comecei a pensar na morte da bezerra, quando percebi a aproximação de alguém.
Senti o rastro e escutei os passos na relva antes mesmo que ela pudesse aparecer.
Me levantei e esperei pacientemente.
Nenhuma de nós parecia surpresa quando finalmente nos encaramos.
- Stacy... Você está sozinha?
- Márcia... Você está ruiva?
Não fazia sentido, mas ela usava o cabelo curto em um tom acaju.
Parei e analisei.
Ela era bem baixinha, quase do tamanho de uma criança... Então eu me lembrei. Tinha visto no aeroporto quando chegamos, e também quando Selly e John voltara para Fatalville, e provavelmente nas minhas andanças com o resto da liga pela cidade: uma menina ruiva...
- É o novo tom da estação. – Respondeu ela, passando a mão nas madeixas. – Você deveria experimentar alguns tonalizantes para dar um jeito nesse amarelo opaco.
- Não, obrigada. Os homens preferem as loiras.
- Mas se casam com as morenas...
- E mandam baixinhas ruivas para o inferrrno! – Finalizei, elevando um pouco a voz.
Maldito tique dos erres...
Achei que tinha conseguido parar com isso.
Ela começou a andar pela clareira, e eu fiz o mesmo, na outra direção. Éramos como duas predadoras tentando cercar a presa. Mas a vamp aqui não ia ser presa de ninguém, era o que eu pensava.
- Sabe quem tinha cabelos parecidos com o seu? Bárbara.
Semicerrei os olhos.
Isso mesmo, me provoque bastante para que não sobre nada quando eu pular no seu pescoço.
- Ela era adorável, mas frágil. Foi fácil matá-la.
Parei, encarando-a.
- Foi você que a matou?
Ela riu.
- Claro que não! Porque eu a mataria? Foi só um mal entendido. Peguei o mesmo vôo que vocês, mas me desencontrei com a minha comparsa. Ela agiu precipitadamente, e matou a garota errada...
Márcia fez um biquinho ridículo, mas eu não tive tempo de socá-la. Uma voz feminina veio detrás da minha pessoa.
- Então essa é Stacy Ricce? Nossa, Márcia... Você foi cruel. Ela até que é bonitinha. Mais bonita do que a outra, pelo menos.
Me virei, e dessa vez fiquei surpresa. Elizzy Adornetto, mãe do André e antiga amante de Jasper McCallough, estava lá, encostada em uma árvore, com a postura relaxada.
- Você?
- Surpresa! Pena nunca termos sido devidamente apresentada, não? Só vi você e seu namorado uma vez, de relance, ao fugir da Santa Inquisição.
Ela piscou um olho, e então eu reparei no que ela estava vestindo: um uniforme de aeromoça.
- Gostou? – Continuou ela, abrindo um largo sorriso.
A aeromoça tinha encontrado o corpo de Bárbara...
- Suas pirrranhas... – Comecei, estridentes.
- A idéia do talho no pescoço foi minha. – Márcia me interrompeu, e eu me voltei para ela. – Elizzy já tinha estrangulado a garota, e eu pensei: Por que não dar um ar Vlad Tapes nesse pequeno crime? Vamos brincar um pouco com a Stacy. Um garota parecida com ela aparece morta por estrangulamento e com um corte na garganta...
As duas riram.
- Muito bem – comecei eu, irritada. – Parabéns pras duas assassinas de avião. Já vi que se uniram contra mim, não é? Idiotas. Vocês não tem interesses em comum. Você é a vampira que já me entregou para Scorpion e você a vadia que queria fazer o mesmo. Mas agora ele está morto, e não vejo como vocês vão me ameaçar ou chantagear agora.
- Scorpion? - Márcia ergueu as sobrancelhas, e ela estava muito feia ruiva, devo acrescentar. – Ele já fez a parte dele. Tenho certeza de que você já percebeu, Stacy. Onde está o seu amado Ross agora? Liderando uma Liga de caçadores, sem tempo pra você?
Senti meu estômago se revirar. Eu estava certa, então. Fazia tudo parte do plano de Scorpion, a cartada final para nos separar.
E ele conseguiu, não é?

Nesse meio tempo, um falcão adestrado pousou no braço de Márcia, e ela sorriu pra mim, enquanto aquela galinha preta piou. Então foi isso naquele dia no terraço? Maldito pássaro!

- E nossos interesses – retomou Elizzy. – Ora, Stacy. Você nos tirou a mesma coisa: os homens que amávamos.
Fiz uma careta, mostrando a língua.
- Então é tudo dor de chifre? Primeiro, eu matei Jasper McCallough, o vampiro que estava se atirando para cima da minha melhor amiga. Depois, comecei a namorar Ross Christie, um caçador que se apaixonou por mim.
 - E onde ele está agora? – Desafiou Márcia, olhando em volta. – Ou ele já te deu um pé na bunda?
Engoli a raiva, sem fala.
- Viu só, minha querida? No fim, tínhamos razão. Um caçador jamais poderá viver ao lado de uma vampira em paz. É uma lei. Agora, imagine como Ross vai ficar tristinho ao ver a namoradinha dele transformada em uma besta sanguinária pior do que já é, tentando matá-lo?
- Mas Márcia vai consolá-lo. – Completou Elizzy, que pelo jeito já tinha escutado aquela história muitas vezes. – Eles já passaram por muita coisas juntos, e os dois são caçadores. São humanos.
As encarei, cruzando os braços.
- Eu nunca machucaria Ross, suas duas lesas. Já sei controlar minha sede.
- E quando estiver morta? – Perguntou Márcia. – E quando você pertencer as trevas e for um corpo sem vida, focada apenas no sangue e em matar?
- Do que você está falando, sua ridícula?
- Ora, você não é tão espertinha assim, né? E Ross não deixou que você soubesse por ele ou por outros membros da Liga... Que triste, querida. – Ela fez uma pausa. – Ele não queria que você soubesse que acabaria se tornando um daqueles monstros medonhos do cemitério, não é?
Congelei. Ah, não...
Isso não...
- Quando um vampiro morre, a não ser que seja por uma estaca, água benta ou outra arma adequada, ele perde sua alma para as trevas, e se torna um daqueles zumbis que você viu, que você mesma destruiu nas últimas semanas. – Continuou ela. – Além de tentar matar o Ross, você vai ficar bonitinha como aqueles vermes... Vai precisar de muita maquiagem, não é, Bad Girl?
Eu ri.
Aquilo só podia ser um blefe, uma zoação qualquer...
Eu não iria cair nessa.
Porque se fosse verdade... Se fosse verdade e elas conseguissem me matar, eu seria um perigo para o Ross, nunca mais veria meus pais, nem Selena e todos os meus amigos...
Estou tentando não me desesperar agora, que estou trancada na caverna, onde o celular não tem sinal, a passagem bloqueada por uma pedra que eu não consigo remover. Elizzy Adornetto é bem mais forte do que eu.
Aimeudeus...
Venha logo, Ross...
Por favor.

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