terça-feira, 3 de abril de 2012

INFERNAL - 4




4.  MALDADE


- Não.
Uma palavra.
Ela se virou e me olhou, quase com raiva, se afastando da beirada.
Dei de ombros.
- Pensei que você fosse mais determinada. – Caçoei.
- Quem é você?
Dei um passo na direção dela, para que ela me visse melhor.
Me bateu uma vontade louca de sussurrar algo como “Sou um Demônio”, mas aquilo não ia soar tão convincente fora do seriado Sobrenatural.
- Félix. – Respondi.
Estendi  a mão para ela.
Aurélia hesitou, desconfiada, mas apertou minha palma estendida.
Antes que ela se afastasse, me inclinei e beijei a mão dela, levantando os olhos para encará-la.
Ela me olhou, surpresa, puxando a mão devagar.
- Não conheço você. – Disse ela, mecanicamente. – E não está usando fantasia. É do serviço de buffet ou entrou de penetra?
Ergui uma sobrancelha, ofendido.
- Por acaso eu tenho cara de garçom?
Ela deu de ombros, e a expressão de menina mimada voltou ao seu rosto.
- Engraçado você estar tão preocupada com penetras na sua festa – continuei. – Quando dois minutos atrás estava pensando em se matar.
Ela se encolheu, e pareceu envergonhada por um momento, mas logo voltou a me encarar.
- Eu não ia me jogar de verdade. E você deve estar decepcionado. Parecia muito ansioso para me ver morrer.
Ela se virou, a trança loira balançando, mas eu a segurei pelo braço.
- Calminha aí, bibelô. Você ainda não se tocou? Se eu desse um passo que fosse para tentar segurá-la, era bem provável que a senhorita se jogasse. Estou errado?
Ela mordeu o lábio inferior.
- Você não sabe de nada.
- Eu simplesmente conheço as garotas. – Sussurrei, encarando-a.
Senti meus olhos esquentarem.
Não era a primeira vez que acontecia.
Quando eu queria muito fazer uma maldade, eles ficavam meio vermelhos. E aquela pobre garota rica, tão vazia, tão desesperada...
Era como estar diante de um banquete depois de uma semana sem comer.
Eu podia destruí-la facilmente.
Poderia começar a falar sobre a mãe morta, os casos do pai com mulheres pouca coisa mais velhas que ela, a maneira como ela nunca foi amada, nunca teve amizades verdadeiras, todas as coisas que a deprimiam tanto...
E ela estava quase em transe.
Aurélia estava tremendo.
Porque ela percebeu.
Sabe aquele sexto sentido que as pessoas têm?
Nesse momento uma vozinha deve ter gritado dentro da cabeça dela: Cuidado! Esse cara é perigoso!
Os humanos são engraçados...
- Aurélia!
Ela despertou do transe, e eu a larguei, quando ouvimos os gritos do pai dela, que a procurava. Ela me olhou por mais um segundo, e me deu as costas, correndo na direção das luzes.
A observei de longe, abraçando o pai, atordoada. Ela não olhou para trás. Estava amedrontada demais.
Ele passou o braço sobre os ombros dela, guiando-a de volta para o salão.
Um pai que tentava levar a filha para longe do diabo.


***
Sai assobiando pelas ruas escuras e desertas, caminhando tranquilamente pela madrugada fria.
A festa havia ficado para trás a alguns quarteirões.
Ascendi um cigarro, virando a esquina para a minha rua. Assim que cheguei em casa, percebi que minha mãe estava acordada.
Não era só o cheiro forte de café, ou o som baixo da TV da sala ligada que me fizeram chegara a essa conclusão.
É que quando atravessei o hall de entrada, quase tropecei em um cadáver.
CONTINUA

3 comentários:

  1. Brigadoo
    Ameiii o 4° capitulo, muuuito bom
    o Felix é D+++, ele é muuuito mal, mas cheio de estilo, com sua personalidade própria
    Quero ele :P

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  2. Ahhhh que lindo...
    Rsrsrsrsrsrs
    Também tenho uma baita queda por ele... :D
    Kkkkkkkkk

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  3. previsão de quando sai o próximo capitulo?
    :)

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