sábado, 28 de abril de 2012

INFERNAL - 9



9.  A ARTE DE FAZER O MAL

Se Lila queria ver arrependimento, Lila ia ver arrependimento.
Estou até sendo bonzinho, fazendo a vontade dela.
E eu estou com tanta vontade de fazer uma maldade bem caprichada...
Descemos até o gramado que cercava a casa, e, em silêncio, nos esgueiramos até uma das janelas.
Aurélia abafou o riso.
- Não acredito que vamos fazer isso...
- Shh... – Fiz sinal para que ela ficasse calada.
A janela era de uma sala luxuosa. Vi o pai de Aurélia se afastar, deixando uma mulher sentada no sofá, bebericando champanhe.
Era dali que vinha a força ruim.
Vi lampejos de luxúria e ambição na áurea da mulher.
Hmm...
Ela olhou ao redor, e se levantou sorrateiramente, deixando a taça de champanhe na mesa de centro. Foi até a lareira apagada, e, silenciosamente, retirou um quadro da parede, revelando um cofre.
- Mas o que ela pensa que está fazendo? – Sussurrou Aurélia.
Continuei observando, já fazendo planos.
A mulher tirou um estetoscópio da bolsa, colocando-o nos ouvidos e examinado o cofre com habilidade, tentando decifrar a combinação.
Ela foi rápida.
Logo estava enchendo a bolsa de joias.
- Essa vaca! Está roubando as joias que eram da minha mãe! – Aurélia se levantou, pronta para fazer um escândalo, mas eu a puxei de volta pra baixo.
- Espere. – Eu disse, sem tirar os olhos da mulher. – Por enquanto vamos só observar.
Por algum motivo, ela me obedeceu.
A mulher fechou o cofre e colocou o quadro no lugar, voltando para o sofá.
Senti meus olhos esquentarem, e aquele prazer que eu só sentia quando acabava com alguém começou a se agitar dentro de mim.
- Félix, seus olhos estão vermelhos... – Sussurrou Aurélia.
A ignorei, fixado na mulher.
Ela pegou a taça de champanhe...
Sim, sim...
A levou tranquilamente até a boca, aspirando o cheiro doce...
Isso... isso!
Ela deu um pequeno engasgo...
É! Agora sim!
Bateu no peito, mas não adiantou...
- Félix? – A voz de Aurélia estava trêmula.
O engasgo começou a ficar mais violento...
Ah, isso é tão divertido!
Ela começou a tossir alto, sentindo falta de ar...
Vai! Vai! Vai!
- Meu Deus... Félix!
A mulher rolou do sofá para o chão, sem conseguir respirar, derrubando a taça...
Sufoca sufoca sufoooca!
- O que está acontecendo? – Ignorei Aurélia, que apertava meu braço.
Ela estava perdendo a cor, e começou a pingar sangue do nariz dela...
A melhor parte! Sangue! Sangue!
- Félix! – Aurélia estava descontrolada. – É você que está fazendo isso?!
Sangue pelo tapete, pelo vestido dela, nas pontas do cabelo...
Isso! Vomite sangue, vomite sua vida e queime no inferno!
- Para, Félix! Para agora!!!
Ela deu um último engasgo, sangue negro escorrendo da boca, até cair inerte sobre a poça vermelha...
Ah... Nada como a arte de fazer maldade!
O pai de Aurélia voltou.
Quase tropeçou no cadáver estendido em sua sala, o tapete encharcado de sangue e cacos de cristal. Ele correu, chamando os empregados, gritando para que chamassem a polícia...
Vi por um breve instante meu reflexo na janela.
Meus olhos estavam vermelho fogo, quase brilhantes.
Me voltei para Aurélia, com um sorriso largo.
Ela estava em estado de choque, petrificada.
Me encarou devagar.
- Meu Deus... O que você fez, Félix?
- Eu fiz o que você queria, oras! Vamos ver se o seu pai está arrependido ou não por ter trazido essa “piriguete” pra casa!
Aurélia se afastou de mim, horrorizada.
- Não! – Ela se virou e correu, na direção do bosque.
Eu não fui atrás dela.
Pra que?
Já estava satisfeito.
Foi uma noite memorável.

***
O dia seguinte foi osso.
Depois de chegar em casa de madrugada, peguei um pouco pesado na tequila e acordei com uma ressaca de matar.
Cheguei péssimo na escola, escondido do sol atrás dos óculos escuros, mas queria saber se a notícia sobre a mulher morta na casa dos Santoro havia se espalhado.
Topei com Derek no corredor assim que cheguei.
- Maluco... Você tá um horror.
Ele estava escutando Sweet Child O’ Mine nos fones de ouvido, tão baixo que eu conseguia ouvir.
- Cala a boca, seu fedorento, antes que eu resolva vomitar em você.  – Resmunguei, ascendendo um cigarro. – Alguma bomba?
Ele me encarou.
- Se liga só... Sabe a riquinha filha do empresário? A loira que você tava de olho, que agora usa cabelo cor de beterraba?
- Sei. E aí? – Perguntei, querendo saber o que exatamente tinham dito e o que houve com Aurélia.
- Parece que ela foi sequestrada ontem à noite. Ouvi alguma coisa sobre uma mulher morta, mas acho que é invenção. O fato é que a polícia iniciou uma busca, e o pai dela está fulo. Ligaram pedindo uma fortuna... Velho! Que garota cara!
Deixei o cigarro cair.
Sem dizer nada, me virei e me dirigi rapidamente para a saída, empurrando os otários no meu caminho, minhas mãos tremendo de raiva.
Quem se atreveu a sequestrar a MINHA garota?

CONTINUA

3 comentários:

  1. Otimoooo, o Felix as vezes da medo mas ele é D+.
    Agora to pirando aqui, esperando o próximo capitulo, quero muuuito saber o que vai acontecer e o que ele vai fazer
    Cada dia a serie fica mais envolvente e empolgante
    estou amando
    :D

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  2. Ah, valeu, Súh!
    E obrigada a todos que estão acompanhando a série, e às garotas que, assim como eu, são meio apaixonadas pelo Félix... ;)
    Vamos ver o que esse diabinho sedutor vai aprontar...

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  3. Estou amando essa história, todos os dias entro no blog para ver se tem capítulos novos *-*

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