sábado, 9 de junho de 2012

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL (5ª Temp.) - 2


Sábado, 09 de Junho de 2012

Finalmente achei um lugar para me esconder: uma casa abandonada. Eu achei que iria queimar até virar cinzas quando percebi que faltava pouco para amanhecer.
Mas agora estou segura.
Essa casa é perfeita: tem tábuas nas janelas e cortinas pesadas também: o sol não vai entrar. É longe da estrada, do barulho. E tem muitos ratos, caso eu tenha sede antes de anoitecer.
Mesmo assim, continuo sem nada para fazer, então vou escrever tudo o que aconteceu nesse caderno.
Um hábito inútil, devo dizer, mas terá que servir enquanto não tenho um passatempo melhor para passar os dias.
Há umas duas noites atrás, um vampiro veio me ver. O nome dele é André: é um vampiro vivo, do jeito que eu era antes.
Eu nem me lembraria dele, se uma discussão do tal André com o Caçado não tivesse chamado a minha atenção.
- Você não pode prendê-la para sempre. – Começou a dizer o vampiro, quase em frente a minha cela. – Na boa, Stacy não é o seu canário de estimação, Ross.
O Caçador ficou irritado.
- O que você quer que eu faça? Não posso deixá-la sair por aí, matando a cidade inteira! Não até que ela volte ao normal...
- E aí que está, cara: o que faz você pensar que ela vai voltar ao normal um dia?
- Ela tem que voltar. Desde que chegamos ela melhorou muito: já tem muito mais autocontrole. Laura está...
- Laura? A garota que brincava com cadáveres? Fala sério! Ela não vai encontrar nenhuma cura milagrosa, se é o que você espera. Liberte logo a Stacy. Deixe-a tomar as próprias decisões.
- E o que você ganha com isso? – O Caçador parecia desafiado.
O vampiro sorriu.
- Aquela monstrinha que está ali na cela é a garota mais rebelde, impulsiva e linha dura que eu já conheci. E me ensinou muito. Stacy Ricce e prisão não combinam. Ela pode ter mudado e todos os aspectos, mais isso não muda. Ela odeia ser aprisionada.
O Caçador suspirou.
- Ela também odiaria voltar a si e descobrir que matou metade dos moradores de Fatalville.
O Vampiro cruzou os braços.
- Meu... Acorda. Ela não vai voltar!
O Caçador deu um soco nele, pegando-o desprevenido. Acho que os dois começaram a brigar, e os outros caçadores os separaram.
Me afastei, sem interesse naquela coisa de loucos.
Depois eu que era a irracional.
Mais tarde, naquela mesma noite, enquanto os sentinelas cochilavam, o vampiro voltou.
Ele tinha uma chave.
E me ajudou a escapar.

***
- Continue correndo! – Ralhou o vampiro, mas eu o ignorei.
Já tinha me esforçado muito para não atacar nenhum caçador que cochilava enquanto fugíamos.
Agora eu estava livre, e ninguém mais mandava em mim.
Pulei a cerca de uma casa, a alguns quarteirões do galpão onde os caçadores me prendiam.
Foi fácil arrombar a porta dos fundos da casa, embora eu tenha feito um pouco do barulho. A sede não me deixava ser sorrateira.
A velha mulher branca e descalça, com uma camisola branca e cabelos ainda mais brancos, parada na cozinha branca, arregalou os olhos.
Não a deixe gritar.
Agarrei seu corpo fofo e enrugado com as unhas, e mordi com força, rasgando a pele, o sangue quente escorrendo pelo meu queixo enquanto eu me fartava.
Joguei o corpo no chão quando terminei de secá-lo. Eu ainda não estava totalmente saciada, mas sentia o calor da velha agora nas minhas veias.
Era bem diferente do sangue morto que o Caçador me levava. Era mil vezes melhor.
Percebi alguém se aproximando e me virei, ainda agachada, exibindo as presas e rosnando.
Era André, o vampiro.
- Uau. Você devia estar mesmo com sede, não?
Não respondi.
Apenas me levantei e passei por ele, me afastando da casa.
- Stacy, espere. – Continuei andando e ele veio logo atrás. – Venha comigo. Eu e a Pérola queremos te ajudar. Você lembra da Pérola, né? Uma Filha da Lua, como a Selena. E o John, o Drake, a Mia, o Logan...
Aqueles nomes... Deveriam ser familiares? Talvez fossem. Eu não sabia. Não me importava.
- E não queremos prender você. – Continuou ele. -  Vamos curtir com a Gang das Feras, garota! Afinal, você vai precisar de um lugar para ficar durante o dia. E ajuda para queimar os cadáveres. Se você ficar deixando rastros, a Liga vai te achar. Acho até que você deveria se alimentar sem matar...
Aquilo foi o cúmulo, me virei e o segurei pela garganta. Eu tinha força suficiente para esganá-lo.
- Sem matar? Que tipo de vampiro bebe sem matar? Eu te digo: vampiros fracos e humanos demais, como você. Desde que eu me lembro, as pessoas dizem que querem me ajudar. Mas eu não preciso de ajuda! Eu posso viver muito bem sozinha. Eu tenho uma coisa muito melhor do que amizade ou qualquer sentimento tosco: eu tenho instintos!
Ele já estava ficando azul, então o soltei bruscamente. Não sei porque não o matei. Deveria ter matado. Deveria ter partido o crânio dele ao meio como uma noz.
Me afastei, mas ainda o ouvi dizer, com a voz rouca, entre engasgos:
- Você disse “tosco”, Stacy. Talvez Ross não esteja tão enganado. Talvez um dia você volte a si.

***
Tosco. Significa algo ruim ou idiota, não é?
Pelo menos eu usava essa palavra antes. Li no diário.
Deve ser por isso que o vampiro disse aquilo.
Que seja.
“Voltar a mim”. Essa sou eu. Aquela já era. E ponto.
Está bem perto de escurecer, para a minha sorte.
Hei... Espere...
Ouvi alguma coisa no andar de cima. Grande demais para ser um rato. Parecem passos de gente...
Tem alguém aqui.
Ótimo. Eu já estava ficando entediada...

CONTINUA

4 comentários:

  1. Ainda bem que voltou!!!
    Esta simplesmente o Maximo!

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  2. amando, essa é minha história preferida desse blog e de todos que eu já, você esta de parabéns quero muito ler o próximo capitulo.....

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  3. muuuito bom
    sem palavras para descrever

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  4. Ah, valeu, gente!!! ;)
    Espero que curtam o próximo capítulo!

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