domingo, 1 de julho de 2012

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL (5ªTemp.) - 4


Sábado, 30 de junho de 2012

Diário;

Nos últimos tempos andei analisando minha antiga situação – antes de ser a vampira que sou hoje.
Eu era meio-sangue, depois me tornei uma vampira plena. Mas no meio de tudo isso eu era uma humana problemática, com sérias dificuldades sociais.
Basta ler o diário para perceber.
Eu tinha o talento de me “meter em encrencas” o tempo todo, por ser fraca e irracional, me comportando como uma idiota, correndo atrás do Caçador e gastando meu tempo com bobagens desnecessárias.
Só faço essa observação porque todas essas confusões que comecei no passado estão vindo a tona AGORA.
E isso é um saco.
Nas últimas semanas estive atarefada: Michael me repreendeu várias vezes pela confusão no restaurante. Disse que eu era uma besta selvagem sem noção, e que enquanto não me tornasse uma vampira civilizada, iria ficar presa em casa, bebendo sangue dos roedores do sótão.
Ele não podia realmente me impedir de sair se eu quisesse – não seria tão difícil acabar com ele.
Mas uma das coisas que Michael disse é certa: se eu sair por aí dilacerando gargantas, os caçadores iriam ficar na minha cola.
E, sozinha, eu não tinha muitas chances contra eles.
Então era melhor que eu entrasse de uma vez no mundo vampiresco e perfeccionista de Michael, me tornando uma vampira aristocrata.
Isso não soa totalmente ridículo?
Vampiros devem se concentrar em encurralar sua presa, não impressioná-la.
Quando disse isso a Michael, ele riu de mim.
- Você é tão bonita quanto ignorante, cara Stacy. Acha que se esconder em buracos e matar podem ser o suficiente para alguém durante uma eternidade? Você pode até se contentar com isso por um ano ou dois, mas jamais por séculos. Ou você aprende a caçar com estilo e se divertir, para poder controlar os humanos, ou vai desejar virar cinzas ao sol depois de cem anos no tédio. Sem contar que, se deixar registros das suas caçadas, é você que será encurralada.
Assim tive que aprender a andar, falar, sorrir e me vestir como uma “dama”. Michael me levava jornais para que eu ficasse atualizada sobre o mundo, e até me ensinou a fingir que estava comendo com um monte de talheres complicados.
Ele também me explicou que, na hora da mordida, existiam pontos exatos, onde o sangue não jorrava demais e não fazia tanta sujeira.
E eu passei dias e semanas intermináveis dentro daquela casa bolorenta, somente sentindo o gosto dos ratos...
E hoje, finalmente, escutei o que eu tanto esperava ouvir.
- Vou te levar para jantar hoje, querida – disse Michael, me entregando uma sacola com cheiro de roupas novas. – Essa será sua chance de mostrar o quanto aprendeu. Não ouse me decepcionar. Vamos a um restaurante francês altamente sofisticado.
Eu estava mais que pronta.
Quando escureceu, entramos em um carro vermelho com um motor que rugia, e Michael dirigiu até o outro lado da cidade.
A sede de sangue implorava para que eu agarrasse qualquer um na minha frente e o secasse, mas os olhares de alerta de Michael me fizeram sorrir para todos ao meu redor.
Minha consciência se dividia em duas: na primeira, eu era a dama em que Michael me transformara, desfilando entre as mesas, sendo gentil e conversando com várias pessoas encantadas pela minha cordialidade.
Na segunda, eu era uma fera enlouquecida, ciente de cada coração batendo, a pulsação de cada pescoço presente no restaurante, a proximidade e a facilidade em atacá-los...
Virei várias taças de champanhe, vinho, conhaque... Tudo descia seco pela minha garganta.
uma bebida poderia me satisfazer.
 Michael estava sentado entre duas garotas espalhafatosas, e haviam alguns caras ao meu redor. Eu falava com eles e eles sorriam, mas eu já não sabia o que dizia.
Tanto tempo trancada naquela casa escura, e ali tinha tantas cores, tantos cheiros... Eu iria explodir.
Um dos caras pegou no meu braço, e mesmo chocada com o toque quente, não consegui olhar para ele. Aliás, olhei, mas não o vi.
A sede me matava por dentro, e o espalhafato me matava por fora. Talvez bebidas alcoólicas afetem um pouco vampiros sedentos, não sei.
Algo me puxava, me afastando de tudo.
Agora eu via as estrelas, o céu noturno, e os risos e conversas estavam mais baixos.
Foi então que senti um calor estranho em contato com o meu corpo, e percebi que não estava me apoiando sobre minhas próprias pernas.
Alguém havia me levado par fora do restaurante, e me segurava no colo naquele mesmo momento.
Olhei para aquele rosto.
O Caçador.
- A senhorita está mesmo muito refinada – disse ele, me colocando de pé. – Mas bebeu como um porco.
Me afastei, estreitando os olhos.
- Estou com fome.
Minhas presas formigavam.
Ele se aproximou.
- Que ótimo. Eu também estou com fome. – Disse ele, sem emoção.
Eu não entendi o que ele queria dizer, e também não queria pensar.
- Vem – pediu ele, subindo em uma moto preta, parada em frente ao restaurante. – Vem comigo. John me emprestou a moto.
Talvez fosse a falta de sangue no meu cérebro.
Ou o excesso de bebida no meu sangue.
Só sei que subi na garupa da moto, e tudo em volta virou um borrão de luzes.

CONTINUA

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