quarta-feira, 22 de agosto de 2012

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL (5ª Temp) - 10


 
Domingo, 08 de Julho de 2012

Querido Diário Macabro:

Cara... Ás vezes penso em toda a minha história, quando, há mais de um ano atrás, eu fui de penetra na festa da minha melhor amiga para exterminar um vampiro assanhado.
Parece coisa demais para uma vida só...
Bem, vamos aos fatos.
Onde foi mesmo que eu parei? Ah, sim...
Michael e eu estávamos no carro, a caminho da pista de patinação, e parecia estar tudo bem.
- Você e Ross já enfrentaram muita coisa, não? – Perguntou ele, enquanto a música tocava.
- É verdade. – Respondo, com um suspiro. – Acho que só agora conseguimos ficar livres.
- Incrível como os sentimentos passionais podem mudar toda a filosofia da vida de um jovem. – Comentou Michael, em um tom tranquilo.
Ergui uma sobrancelha.
- Sabe, todos sempre me julgam por ter mudado Ross e o transformado. Mas a verdade é que eu também mudei muito por ele. Nós dois mudamos para que as coisas pudessem dar certo.
Michael sorriu enquanto encostava o carro no estacionamento da pista.
- De fato. Você e o Sr. Christie combinam muito um com o outro. Nem eu poderia negar isso. Ambos são teimosos, e teimaram desde sempre em ficar juntos, não é?
O encarei.
Nunca havia visto Michael falar daquele jeito.
E porque estava se referindo a Ross como “Sr. Christie”?
- E nós conseguimos. – Eu disse, enquanto descíamos do carro. – Enfrentamos inimigos e obstáculos, mas conseguimos. Por Deus, nada pode nos separar agora.
Michael riu, enquanto caminhava ao meu lado, na direção das luzes.
- Engraçado ouvir uma vampira mencionar Deus. Irônico, até. Mas me diga uma coisa, Srta. Ricce: acha mesmo, que de alguma forma, um caçador treinado da Liga do Escorpião e uma vampira podem mesmo acabar juntos, para sempre? Estão se enganando, minha cara.
Parei, e olhei para ele.
E me senti gelada até os ossos, embora não sentisse mais frio.
Aquele jeito de falar... Aquele jeito cínico, irônico...
Me lembrei da primeira vez que havia visto Michael, apenas um meio sangue, sem metade da minha força.
Mas alguma coisa nele sempre alertou meus sentidos, o tempo todo.
E aquelas teorias dele... Sobre manipular as pessoas, controlá-las... Era familiar.
Horrivelmente familiar.
Ele parou de sorrir, e segurou meu pulso com certa força.
O encarei. Ele era jovem, sim. Mas percebi que seus olhos eram velhos.
Naquele momento eu senti que poderia enlouquecer.
- Você. – Sussurrei, sem querer acreditar.
Ele franziu o cenho.
- Vamos, minha querida.
Eu poderia ter investido contra ele, mesmo que a falta de sangue nos últimos dias tivesse me deixado um pouco fraca.
Só que ele segurava uma estaca contra as minhas costelas. Um movimento em falso e eu iria virar pó.
Me abraçando de forma protetora para que os adolescentes que patinavam tranquilamente não notassem a estaca, ele me conduziu para dentro da pista.
A Pista de Patinação Logamia (Logan + Mia... Se fosse o momento, eu zoaria com a cara deles, e muito) era bem grande.
Parecia uma espécie de estádio, mas ao invés de gramado, havia uma grande pista de gelo onde casais patinavam.
Olhando para cima, dava para ver o céu estrelado.
Colocamos os patins, com a estaca sempre me cutucando e lembrando o quanto estava fácil me exterminar. Depois, começamos a patinar, abraçados como se fossemos só mais um casal despreocupado.
Senti minhas presas formigarem, numa mistura de ódio e sede.
- Adoro estar jogando de novo. – Disse ele.
Reprimi a vontade de lhe dar um soco na cara, pois Ross vinha na nossa direção, patinando com certa cautela.
Seus olhos pousaram nos meus por um instante, e me atrevi a ter esperança. Ele sabia que havia alguma coisa errada. Bastou um olhar para que eu soubesse que Ross tinha um plano, que não pode me contar por questões de segurança.
Paramos.
Ele e eu, diante de Ross.
- Aqui está a sua muito amada Stacy. – Disse, naquele tom detestável de louco manipulador. – E acho que desta vez você terá uma surpresa, Ross Christie.
Ross abriu um sorriso brilhante.
Ele já era lindo antes, mas como vampiro... Deus!
- Eu acho que é você que terá uma surpresa, Scorpion.
O senti ficar paralisado, mantendo apenas a estaca ainda firme.
Sim, Michael era, na verdade, Scorpion.
Eu havia descoberto um pouco tarde demais, mas de alguma forma Ross já sabia.
Mas como era possível?
- Muito esperto, Sr. Christie. – Retomou ele, tentando dar a volta por cima. – Tenho que parabenizá-lo. Como me descobriu?
- Foi um chute. – Disse Ross, cruzando os braços. – Digamos que desde que assumi a liderança da Liga, ouvi alguns... “boatos”. Mas achei que eram só isso, boatos. Mas bastou vê-lo em ação nos últimos dias para compreender. Também me lembrei de um “projeto secreto” que você sempre manteve, Scorpion, e sua fascinação pelos meio-sangue.
Scorpion deu um meio sorriso.
- Sua namorada não foi tão esperta. Mas, afinal, nossa Stacy chegou a mim completamente irracional. Imagine como eu me senti quando, numa noite, na casa onde eu me escondia, topei com ela, suja de sangue, aos farrapos e quase irracional! Quase não consegui refrear meu desejo de vê-la morta.
Estremeci, mas o encarei.
- Mas, como sempre, quis esperar para jogar.
- Certamente, minha cara. Sabe, os vampiros sempre me fascinaram. Eu nunca quis admitir. Mas minhas experiências me proporcionaram descobertas incríveis. Como clonagem, o vírus que torna Filhos da Lua lobos descontrolados e transferência de consciência.
Ele fez uma pausa, nos encarando.
- Michael era um meio-sangue que eu havia aprisionado. Já estava tudo pronto para que eu fizesse a Transferência da minha consciência para o corpo dele no dia em que vocês resolveram atrapalhar meus planos. Por sorte, nenhum dos dois se preocupou com o que seria feito daquele velho corpo semimorto depois de um tiro na cabeça, não é? Mas eu sabia o que estava fazendo. E tinha minha equipe de laboratório. Na verdade, foi tudo um plano de emergência. Eu sabia que a liderança da liga o distrairia por um bom tempo, caro Ross. Tempo suficiente para que eu acordasse no meu novo corpo, tão forte, tão jovem... E aprendesse a controlá-lo.
- Você é completamente doente. – Murmurou Ross.
- Doente? Eu? Eu sou um gênio, meu rapaz! O primeiro a fazer uma transferência de alma! – Exclamou Scorpion. – Foi como nascer de novo. E agora...
- Agora o que? – Pergunto, percebendo que ele estava aumentando a pressão da estaca nas minhas costas.
- Bom... Agora que vocês já sabem quem eu sou, não me resta muito. Não tenho mais homens ao meu serviço, já que a idiota da Márcia tratou de corromper quase todos eles, e vocês exterminaram um bom número. Sem contar os traidores como Jorge... Então só me resta a pura vingança.
A estaca agora pressionava com força minhas costelas.
- O que acha que pode fazer, Scorpion? Está completamente sozinho. – Desafia Ross.
- Posso estar sozinho, mas sou rápido e forte o suficiente para fugir do seu alcance, meu caro. Mas antes, vou te tirar o que você mais ama... Assim como você destruiu minha liga, meu império... Vou destruir sua Stacy.
A essa altura, eu mal ousava respirar.
Ross percebeu o que estava se passando, e eu vi medo nos olhos dele.
- Se tocar em Stacy, eu te mato – sussurrou Ross. – Você sabe disso, Scorpion...
Ele sorriu.
- Sei, claro. Mas isso não trará Stacy de volta... E, além disso, talvez eu escape. Enquanto você estará se revelando um monstro para todas essas pessoas...
Ross voltou a sorrir.
- Essas pessoas? Acho que não...
Scorpion olhou em volta, e eu fiz o mesmo.
As pessoas alegres e distraídas haviam parado de patinar, e nos encaravam, formando um grupo ao nosso redor.
Aos poucos, fui reconhecendo cada rosto.
Outros eu não conhecia, mas suspeitei de quem (ou o que) se tratava.
Afinal de contas, Ross tinha um plano.
Estavam lá Mia, Logan, Pérola, Drake, John e Selena: a Gang das Feras completa. André e Courtney também estavam lá.
Também pararam diante de nós um cara de cabelo castanho acompanhado de uma menina baixinha de olhos verdes. Christopher e Annelise, a Bruxa, conclui pela descrição no diário.
Laura também estava lá, com um garoto alto.
Haviam alguns outros rostos que eu não conhecia.
Todos usando toucas ou perucas, mas que agora pararam de interpretar adolescentes despreocupados. Eram moradores de Fatalville que conheciam muito bem o sobrenatural.
- Ninguém aqui vai enlouquecer se ver um vampiro mostrando as presas. – Diz Ross. – Agora solte a Stacy.
Scorpion não respondeu, me apertando firme. A estaca começou a me machucar pra valer.
- Hoje a sua vampira morre. Custe o que custar. – Sussurrou ele, sombrio.
- Fala sério, Scorpion! – Digo, começando a sentir medo, por mim e por Ross. – O que você vai ganhar com tudo isso?
- Vingança. – Diz ele, em tom baixo.
- Vale perder seu novo corpo de meio sangue por isso? – Cutuca Ross.
Mas eu sabia que ele também tinha medo.
- Meu caro... Não tenho minha liga, não tenho nada. Nem Márcia me restou. O que me resta? Morrer sabendo que consegui exterminar Stacy Ricce e acabar com meu inimigo.
- Não faça isso! – Gritou Ross.
Senti a estaca começar a furar minha pele, e me retorci, me segurando ao máximo para não gritar. Já bastava a agonia no rosto de Ross.
- Meu filho – disse Scorpion, com um suspiro. – Era isso que eu deveria ter feito desde o início. Sem jogos, sem truques. Quando você e eu ainda éramos uma família, quando éramos humanos... Antes da Bad Girl aqui aparecer...
E então ele cravou a estaca no meu peito.
Uma estaca. De madeira.
Me atravessando. De verdade.
Vi a ponta dela saindo no meu peito enquanto eu gritava.
Antes de tudo apagar.

***
Acordei.
Mas não quis abrir os olhos.
Apenas tentei escutar alguma coisa.
Uma respiração. A respiração de Ross.
Então ele estava morto também.
Porque eu com toda a certeza estava mortinha da silva.
Tinha virado pó, então não tinha como abrir os olhos, não é?
Opa... Uma mão. Uma mão segurando a minha.
Ué... Se eu virei pó, como é que eu tenho uma mão???
Criei coragem, e, realmente, abri os olhos.
E Ross estava lá.
- Stacy... – Ele apenas sussurrou meu nome e me deu um beijo na testa, me abraçando.
O abracei também.
Se eu pudesse, teria chorado.
Também estava desesperada, aflita, louca... E só queria Ross, e mais nada.
- Eu não estou morta? – Pergunto, olhando em volta.
Estávamos ainda na Pista de Patinação, mas agora as luzes estavam apagadas, e as portas fechadas. Não havia mais ninguém além de nós dois e o céu estrelado sobre nossas cabeças.
Ross sorriu.
- Não, meu amor. Scorpion... Errou por um triz. Ele não atravessou o coração. – Ele fez uma pausa, e uma lágrima de sangue escorreu pelo rosto dele. A sequei com o dedo, levando-a aos lábios. – Eu achei que ia perder você. Mas Laura ajudou. Tirou a estaca e... Ficou tudo bem.
Instintivamente, passei a mão pelo meu peito, sobre a camiseta, e a pele estava completamente lisa, sem nenhuma dor ou cicatriz.
Afaguei o cabelo dele.
- E onde está Scorpion?
- No inferno – sussurrou Ross. – Digamos que os lobos deram um jeito dele. Agora acabou. Não tem mais liga, Scorpion ou Márcia. Vencemos, Stacy.
Eu só consegui olhar para ele.
Estávamos sentados no chão.
Ross então se deitou, olhando para o céu noturno, com a cabeça apoiadas na mão. Me aconcheguei junto a ele, fazendo o mesmo.
Nossas peles tinham a mesma temperatura do gelo sob nós.
- O que vamos fazer agora? – Pergunto, depois de alguns minutos silenciosos.
- O que você quer fazer?
- Primeiro, quero ficar aqui com você mais um pouco.
- E depois?
- Depois quero ir para casa, quando o sol começar a nascer...
- E depois?
- Me faça uma surpresa.
- Certo.
Ficamos em silêncio novamente.
Devagar, comecei a me virar para ele, segurando sua mão, entrelaçando nossos dedos.
Ele me encarou de volta.
- Você sabe que já encaramos de tudo em um pouco mais de um ano. – Digo.
- Eu sei.
- Mas só agora temos paz. Paz de verdade.
- E amor. Amor que não acaba.
- Nem por toda a eternidade?
- Nem por toda a eternidade.
Não era preciso dizer mais nada.
Eu sou uma vampira, Ross é um vampiro: mas nada disso interessa. Porque independente do que fôssemos, nessa ou em outra vida, foi a nossa união que nos manteve vivos.
Era quase precisar de amor para sobreviver.
Querido Diário Macabro: eu gostaria de saber se um dia alguma outra pessoa, em algum lugar no mundo, vai conhecer a nossa história e vai entender.
Entender que não se trata apenas de vampirismo ou confusões tremendas.
Porque agora eu enxergo.
Vejo que não existe aventura que valha a pena quando não se tem amigos para confiar e alguém que nunca vai abandonar você.
E quando parecer que seus inimigos jamais desistirão, o remédio é não desistir também.
E quanto ao meu futuro... Bem, Ross e eu seguiremos em frente. Não é preciso dizer, depois de termos vivido tanto em tão pouco tempo, que ele estará comigo, para sempre.
Eu aconselho todos a aumentar o volume do rock, pegar um crucifixo anti vampiros folgados e fazer de todos os dias a eternidade da sua história.
Vamos viver para sempre, ou morrer tentando...
=D

FIM

3 comentários:

  1. ameiiiiiii, uma pena que acabou, mais esta perfeita!!!!

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  2. Lindoooooo. Não queria que tivesse acabado.

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  3. Q pena que acabou...Vou sentir tanta falta da Stacy...

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