domingo, 12 de agosto de 2012

DIÁRIO DE UMA BAD GIRL (5ª Temp.) - 9


Sábado, 07 de Julho de 2012

Querido Diário Macabro;

A névoa ficou cada vez mais espessa, ao invés de desvanecer. Então percebi que não era mais a bomba de fumaça: uma neblina densa estava tornando a noite cada vez mais escura e fria.
Parei, encostando-me a uma árvore.
O silêncio era total agora.
Eu não havia corrido muito, mas já tinha me afastado bastante da confusão de gritos e tiros.
Pensei em voltar para procurar Ross e os outros, quando ouvi um leve ruído nas folhas secas ali perto.
Ela achava que me pegaria de surpresa, mas eu estava alerta.
Esperei que Márcia tentasse atravessar minhas costelas com a lâmina para virar de súbito e segurar o pulso dela.
- Filha da...! – Começou ela, deixando a lâmina cair.
Naquele momento, eu já não tinha paciência nenhuma com aquela baixinha desgraçada. Como eu podia ter deixado que ela atrapalhasse minha vida por tanto tempo, heim?
- Parabéns – digo. – Você durou bastante para alguém que estava no caminho de uma vampira.
Segurando firme a cabeça dela entre minhas mãos, girei com força, quebrando o pescoço de uma vez só, com um estalo alto.
Ela não teve tempo de esboçar nenhuma reação, apenas caiu morta.
Finalmente, eu havia exterminado Márcia.
Foi tão rápido e fácil, que me perguntei porque não tinha feito isso há muito.
Um item a menos na minha lista.
Comecei a andar na direção da clareira, disposta a encontrar Ross e lhe dar a boa notícia, quando percebi que havia mais alguém ali perto.
Me voltei para a direita e vi um caçador, dos mais velhos, segurando uma lanterna e olhando para mim fixamente.
- Stacy?
Rosnei, exibindo as presas, mesmo sem entender porque ele não tinha dado cobertura para Márcia.
- Stacy, sou eu. Jorge. – Disse ele, ainda com a expressão grave. – Se lembra?
Lembrar, eu não lembrava.
Mas tinha lido no diário.
O caçador que mais havia apoiado Ross desde sempre. Recolhi as presas, mas não baixei a guarda.
- Ross me pediu para que viesse buscá-la. – Continuou ele. Depois olhou para o corpo inerte de Márcia. – Ele também disse para tomarmos cuidado com ela, mas vejo que você já deu um jeito, menina vampira.
- Como posso saber que você está dizendo a verdade? – Perguntei.
Jorge nunca havia me feito mal, mas era um caçador.
- Bom... Teremos que confiar um no outro. Eu não estou armado, então... Quem de nós é o mais perigoso, moça?
Tive que concordar.
Sem dizer nada, Jorge caminhou pela floresta, iluminando o caminho com a lanterna, no meio da névoa espessa. O segui.
Chegamos até a estrada deserta, onde entramos em um carro bastante velho. O motor era menos barulhento do que eu esperava.
Jorge seguiu para o leste da cidade, em silêncio.
Resolvi perguntar o que me incomodava:
- Onde Ross está? – Perguntei.
- Eu não sei, moça. – Disse ele, com os olhos pregados na estrada. – Só estou fazendo o que ele me pediu: procurá-la na floresta e levá-la para um local seguro antes do amanhecer.
- Mas Márcia está morta – digo. – Não precisamos mais nos esconder.
Jorge balançou a cabeça negativamente.
- Os caçadores não sabem que ela está morta, e, mesmo quando souberem, continuarão caçando todos os vampiros que encontrarem pela frente.
Suspirei.
- Eles jamais respeitarão Ross de novo. – Era uma afirmação.
Jorge concordou.
- Eles já não gostavam de seguir ordens de um rapaz perdido de amores por uma vampira perigosa. E agora, para os caçadores, Ross é mais um monstro que eles têm que exterminar.
Olhei para Jorge.
- E você, o que pensa?
Jorge deu um sorriso cansado, me lançando um rápido olhar.
- Eu penso que a senhorita virou de vez a cabeça desse garoto. Se me contassem há um ano atrás que Ross Christie abandonaria tudo e desafiaria Scorpion por uma menina vampira, eu riria. Mas olhe como as coisas são: Ross acabou virando um vampiro.
Talvez eu tivesse feito mais perguntas se Jorge não tivesse parado o carro naquele momento.
Olhei em volta, procurando por Ross ou algum conhecido, não vendo ninguém na rua deserta.
Apenas as casas enfileiradas, onde as pessoas dormiam. Silêncio total.
Percebi que Jorge me observava com atenção.
- A senhorita... Sabe onde estamos? – Perguntou ele, parecendo curioso.
Dei uma última olhada em volta.
Meu cérebro fez um click.
Então olhei para Jorge, com os olhos arregalados, surpresa de repente.
Ele apenas assentiu.
Hesitante, sai do carro.
Me postei diante da porta de uma casa amarela de dois andares, e, criando coragem, apertei a campanhinha.
Ouve uma movimentação súbita lá dentro e uma mulher da minha estatura abriu a porta.
Havia um vampiro bem familiar atrás dela, segurando seus ombros. Ele parecia tenso, mas sorriu.
O cabelo claro e curto da mulher estava despenteado, e ela tinha olheiras profundas.
Ela colocou as mãos sobre os lábios, parecendo emocionada, quando me viu.
- Stacy!
A encarei, sentindo tudo dentro de mi se remexer.
- Oi, mãe. Oi, pai.
Não pude dizer mais nada, pois fui envolvida por dois abraços apertados de uma vez só.
Eu já havia me esquecido completamente como era estar em casa.
***

Foi uma sensação agradável passar o dia no meu antigo quarto.
Enquanto havia sol lá fora, me escondi entre aquelas quatro paredes que guardavam alguma coisa de familiar.
Como se tudo ali estivesse impregnado pela Stacy, a velha Stacy, a meio sangue.
E eu queria absorver aquela energia ao máximo.
Minha mãe não cansou de me paparicar, meu pai muito menos.
Jorge tirou um longo cochilo na poltrona da sala.
Quando anoiteceu, desci para o hall, novamente preocupada com Ross e sem entender porque ele ainda não havia dado notícias.
Porque o plano tinha mudado, subitamente?
Estariam todos bem?
A campanhinha tocou, e meu pai atendeu, com uma arma embaixo do casaco, por precaução.
Mas não era Ross.
Era Michael.
- Stacy, eu vim te buscar. – Disse ele, parecendo tranquilo. – Ross, Selena e John estão te esperando na Pista de Patinação.
Respirei fundo, me acalmando.
Então estava tudo bem.
Me despedi dos meus pais, que me fizeram prometer que eu voltaria. Minha mãe chegou a chorar.
Deveria ser duro para ela aceitar que eu nunca mais seria a mesma.
E nem meu pai queria acreditar que não poderia mais proteger a filhinha dele, que Stacy não era mais uma garotinha, e sim uma vampira morta.
Que matava e lutava para sobreviver, que tinha que se abrigar cada vez que amanhecia para não fritar na luz do sol... Mas ninguém podia mudar isso.
 Jorge apertou minha mão, com uma espécie de reverência.
- Se cuide, moça. E cuide bem do Ross também. Aquele garoto a seguirá onde quer que seja, pode ter certeza.
- Você vai continuar com a Liga? – Pergunto, de repente.
Jorge balançou a cabeça.
- Ah, não. Minha última missão já está comprida. Vou me aposentar agora. Sempre quis conhecer o México. Pelo o que eu sei, lá quase não tem vampiros.
Eu sorri, e acenei enquanto saia com Michael de carro, ouvindo música eletrônica.
Eu não fazia a menor ideia do quanto estava perto do perigo.

CONTINUA

2 comentários:

  1. adorei, quero saber de que perigo ela esta perto.. estou muito curiosa!

    ResponderExcluir