quinta-feira, 22 de novembro de 2012

INFERNAL (2ª Temp.) - 8



8. Minha Mina

Acordei, mas demorei para abrir os olhos.
Senti a respiração suave de Aurélia ao meu lado, a maciez dos lençóis macios oferecidos pelo hotel, e a incômoda luz do sol que entrava no quarto batendo no meu rosto...
Fui recobrando a consciência aos poucos, me lembrando de pedaços da noite anterior. Quando me dei conta de onde estava e de tudo o que havia acontecido na véspera, me sentei na cama, bruscamente.
Minha cabeça explodia, bem pior do que as manhãs de ressaca que eu já havia encarado.
O inferno estava dentro de mim.
Comecei a me vestir, apressado, odiando o mundo. Odiando o zíper emperrado do meu jeans.
Minha afobação acordou Aurélia.
- Félix?!
Olhar para ela foi como uma facada nas costas, sabe?
Ela parecia uma espécie de deusa mitológica, com aquela combinação de olhos azuis, cabelo roxo e lençóis brancos. Nunca pensei que se sentir atraído por algo que você deveria odiar pudesse ser tão frustrante.
- Félix, aonde você vai? – Perguntou ela, me encarando, com a cabeça tombada para o lado e os lábios repuxados de reprovação.
Como alguém podia mudar tanto e mesmo assim permanecer a mesma coisa???
- Vou cair fora. – Digo, mau humorado, procurando pela minha camisa. – Cair fora e me livrar das suas garras de anjo.
Aurélia gargalhou.
Era sempre assim. Sempre. Eu acordava rabugento e ela ria de mim. Mas... Droga. Não ia ser mais a mesma coisa porcaria nenhuma!
- Minhas garras de anjo, bonitão? – Indaga ela, sarcástica. – Por acaso te obriguei a fazer algo que não queria?
Virei o rosto para a janela, porque ela estava me olhando daquele jeito. O jeito que sempre me convencia a voltar para a cama.
Tentei mudar de assunto.
- Vai mesmo falar sacanagem? Você não é uma emplumada divina, agora? Não deveria se portar assim.
Ela voltou a rir, aconchegando-se nos travesseiros de pena de ganso.
- Você tem uma ideia totalmente errada sobre os anjos, Félix. Não somos santos sem sexo como pintam os quadros religiosos. Pelo menos não na Terra. Nossa pureza está na nossa liberdade para amar, sentir... E a coragem para defender nossas ideias e leva-las a quem precisar, proteger quem merece e buscar a justiça.
Não me contive e a encarei, erguendo uma sobrancelha.
- Quer dizer que você, um anjo, não tem problema algum em fazer tudo o que fizemos na noite passada?
-Não só tenho nenhum problema, como estou pensando em repetir...
Ah, cara...
Porque ela faz isso comigo?
- Nossa – digo, tentando fazer pouco caso. – Está muito sabidinha para quem chegou agora nesse mundo de céu e inferno, não?
- Cala a boca, rapaz de quinze anos. – Sorriu ela. - E escute a voz da experiência.
Suspirei, colocando as meias.
- Vou embora. – Anunciei.
- Pra onde e por quê? – Pergunta ela, impaciente.
- Pra casa. – Respondo, olhando-a sem conseguir deixar de me sentir magoado. – Porque ficar perto de você está me fazendo mal...
- Isso é tão irônico!
- Eu tenho coisas pra resolver, tá legal? Meu aniversário é em cinco dias. Adeus. Pra sempre.
Ela não disse nada.
Apenas suspirou e se levantou da cama, vestindo um hobby de seda azul. Não pude deixar de olhar.
Aurélia então veio até onde eu estava sentado, e segurou meu rosto entre as mãos dela. Mano... Usei todas as minhas forças para conseguir encará-la.
- Pare – pediu ela. – Pare de se apavorar, Félix. Enquanto eu estiver com você, nada vai te machucar.
- Não estou apavorado! – Digo, irritado. – Me deixe, ok? Não há nada de errado comigo.
- Claro que há – diz ela, sem se deixar abalar. – Você era tão seguro, tão certo sobre o que queria. E agora está se sentindo sozinho... Mas eu estou aqui, cara. Ainda sou sua mina. Eu vejo escrito na sua testa o quanto você está magoado, mas não vou deixar que você vá embora. Não quero que vá.
- Aurélia... – Suspirei, fechando os olhos e beijando as mãos dela. – Não é assim tão fácil... Meu aniversário...
- Psiu – sussurra ela, colocando um dedo sobre os meus lábios. – Não pense, Félix. Se entregue. Seja livre comigo. Que tipo de suposto demônio você seria se um inocente anjinho tivesse que se dar ao trabalho de seduzir você?
Ela me envolveu com aqueles braços macios e com aquele perfume inebriante.
Não tive escolha a não ser me deixar levar por ela.
Afinal, antes de anjo ou demônio, eu sou um homem.

***

- Não posso fazer isso – digo, suspirando, quando terminamos. – Que droga, Aurélia...
Ainda estávamos na suíte do hotel, abraçados.
- O que foi agora?
- Não posso simplesmente virar um anjo e ficar com você, livre e tudo o mais. – Digo, sentindo o estresse voltar depois daquele momento de paz. – Estou preso, Lila. Acorrentado ao Inferno! Minha mãe... Não posso deixa-la. É uma droga, mas aquela louca me pois no mundo e me criou. Não dá para apenas ignorar...
- Eu entendo. – diz ela, me olhando. Ela fez uma pausa antes de continuar. – Não precisa me explicar nada. Félix, eu só queria que você soubesse que... O fato de ter voltado, achando que eu estava grávida e tals, e querer cuidar de mim... Me fez querer cuidar de você. Então vou estar ao seu lado, beleza?
Engoli em seco.
- Ah, droga... – Murmuro. – Maldição! Só me faltava essa! Ok, Lila. Sua garota mimada, seu anjo caprichoso... Você quer que eu diga, não quer?
Ela sorriu.
- Não precisa dizer se não quiser...
- Não – teimo. – Agora eu falo. Sou homem o suficiente pra isso. Ok... lá vai!
Respirei fundo. Não ia ser fácil.
- Aurélia Santoro, eu amo você! É ridículo, impróprio e me faz me sentir um bostão. Nunca achei que iria acontecer comigo, mas você é parada dura... Não sei como rolou, tá? Eu só te achava gata e da horinha. E agora estou aqui, adiando meu destino para ficar na cama com você... Não é uma bela droga?
- Um porre – concorda ela, sorrindo. – E do que você está se queixando? Sou eu que não consigo me livrar de um bad boy malandro, confuso e que não tem onde cair morto!
Ri pela primeira vez naquela manhã.
- Você me conhece tão bem, Lila...
Segurei uma mecha do cabelo roxo entre meus dedos.
Ela suspirou e me deu um selinho.
- Vamos para Fatalville quando tivermos que ir. – diz ela, séria dessa vez. – Mas por enquanto...
- O paraíso está aqui. – Digo, apertando-a mais junto a mim. – E um pouco do inferno também...
Fodam-se todos.
Eu estou com a minha mina.
Não importa de que lado.

CONTINUA

6 comentários:

  1. Maravilhoso Giovanna!! Esta muito bom mesmo! Amei o novo Designer do blog! Esta de mais! Muito lindo mesmo!

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  2. Own , esse capítulo foi super fofo!

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  3. Valeu, gente! :D
    Fiz uma pequena reforma no designe, porque o Contos & Caprichos pode até ter alguns contos puxados para o dark, mas, no geral, as histórias são bastante leves, com muito humor... Resolvi "clarear" as coisas por aqui e deixar o ar "mais leve" e divertido... XD
    Que bom que gostaram! XD

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  4. Nossa adorei Giovanna o designe fico maraaaa
    e poxa o Felix vai virar um anjo ou um Demônio do bem? pq puts ele é um cara legal

    Ps:todos os dias estava por aqui procurando novidades e atualizações sobre a serie, não comentava apenas por na maioria das vezes estar sem palavras ou não saber bem como dizer o quão bom estava cada capítulo, todos desde o inicio ficaram maravilhosos, com cada serie com cada novo capitulo vc vai se superando e nos surpreendendo

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  5. Muito, muito obrigada, garotas... XD
    Fico sem palavras para agradecer as visitas e esses comentários tão lindos... :S
    Vou me esforçar cada dia mais para que as histórias fiquem cada vez melhores e vocês possam se divertir cada vez mais aqui...
    Um grande abraço!

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