sábado, 11 de maio de 2013

OS DESCOLADOS


O Descolado não esperava nada de especial daquela festa, balada barata.
Só estava a fim de sair do quarto sufocante, ficar longe das vozes da família, beber um pouco, talvez pegar alguém.
A Descolada nem sabia porque havia saído de casa.
Porque havia se produzido tanto, maquiado tão bem os olhos, subido em saltos altos, se não queria enlouquecer ninguém?
Talvez ela só precisasse de alguns olhares pervertidos, para provar a si mesma que ainda era capaz de segurar a barra. Era capaz de encarar qualquer cara, e pisar neles assim como haviam pisado nela.
O Descolado estava suave. Fazia tempo que não se apaixonava, estava legal, com muitas garotas no pé dele, sem estar no pé de nenhuma.
A Descolada estava em cacos, ainda se recuperando da febre do seu primeiro amor adolescente, uma recuperação mais longa e dolorosa do que deveria ser.
Ele queria bebida e peitos grandes.
Ela queria um tiro na testa imediatamente.
Os olhares se cruzaram no meio da boate lotada, e foi instantâneo, involuntário, perturbador.
O Descolado pousou a garrafinha de cerveja no balcão, e parou de prestar atenção no mundo para se concentrar somente nela, nas roupas estilosas, o batom vermelho nos lábios, o jeito que ela andava, jogava o cabelo... Disparou um alarme dentro dele.
A Descolada, como boa estrategista, passou reto por ele como se nem houvesse notado sua presença, enquanto fazia um raio x mentalmente (olhos verdes, cabelo arrepiado, roupas legais e deliciosamente alto!).
Se ao menos ela não estivesse chateada, triste, magoada e enjoada... Teria agarrado aquele gato de uma vez.
Para ele já era tarde: estava no modo caça. Poucas garotas despertavam isso nele. Essa vontade de ficar com ela, apenas ela, e todas as outras meninas presentes não eram mais interessantes ou dignas de um único olhar que fosse.
Ele não ia parar até conseguir.
Ela, no fundo, queria que ele tentasse.
O Descolado se aproximou dela e começou a puxar assunto, e era bom nisso. A Descolada se animou. Depois desanimou.
Ela ainda estava enferma com uma paixão tóxica e morta. Era melhor dispensar o cara gentilmente e ir pra casa molhar o travesseiro e lenços de papel.
Mas o perfume dele era bom, e ele se esticava e se exibia como um leão mostrando as proezas, cada vez mais próximo dela, com aqueles olhares insinuantes.
Começou a tocar Panic! At The Disco.
Em vez de se afastar e mentir, sei lá, dizer que sentia muito, mas era lésbica, a Descolada o puxou pela gola da camisa e sussurrou junto com a música.
- Oh, kiss me..
Maravilhado e surpreso, ele a agarrou com vontade.
Em meio aos beijos e mordiscadas, e de uma boa química, ela se afastou, se segurando ao máximo para não deixar nem uma lágrima correr, e disse que precisava ir embora.
O Descolado ficou confuso.
Passado o choque, correu atrás dela.
Ele o alcançou na rua.
Ela disse que estava em pedaços e não podia continuar. Não explicou direito, mas ele entendeu.
Viviam em um mundo onde era tudo difícil. Era difícil se relacionar. Onde todos queriam ser amados mas ninguém sabia amar.
Onde sentimentos são um jogo e você não pode errar.
Onde se você é sensível, você é fraco, e se você é frio, é solitário.
- Esqueça todas as pessoas lixo que estão tentando te destruir– disse ele, resoluto. – Venha comigo e dane-se o mundo!
A Descolada se acalmou.
Toda aquela confusão dentro dela se calou a força. Porque ela não precisava fazer as coisas certas. Precisava fazer as coisas pra ela.
Ela sorriu e pediu desculpas.
Explicou que estava meio pirada ultimamente.
Ele piscou e assentiu.
E disse que, inevitavelmente, curtia uma garota maluca para quebrar a rotina.
Os Descolados voltaram pra festa.
Muitos olharam, houveram comentários.
Aquilo podia durar pra sempre, ou só uma noite.
Não importava.
Tempo é só mais um número insignificante quando comparado ao valor dos momentos.

4 comentários:

  1. Adorei o texto, estou amando esses textos que você esta postando ;)

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  2. Obrigada, Carla!
    Acho que vou continuar com eles por um bom tempo... *-*

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  3. panic! at the disco precisa de músicas novas (mesmo as velhas sendo perfeitas) pois já estou me sufocando de tanta raiva por esperar ;\\
    ps: não vai mais postar séries? :'c pq?

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  4. Eu amo P!ATD... s2
    E quanto as séries, vão continuar sim, é só esperar. :D

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