domingo, 25 de agosto de 2013

O ROMANCE QUÍMICO - PARTE 4

4. Um criminoso, não um artista

      Querido diário:
Eu nem deveria estar escrevendo agora.
Mas acho que se eu não escrever, enlouqueço.
Estou apavorada, e o pior é que preciso te esconder muito bem ou ele vai ler isso depois e rir. Rir do meu medo.
Eu fui sequestrada, diário.
Sequestrada por um homem que só pode ser louco.
Talvez um maníaco. Talvez ele entre nesse quarto a qualquer momento, me estrangule e depois me corte em pedacinhos.
Ah, meu Deus... Isso parece um pesadelo.
Ainda não quero acreditar que seja real.
Isso é o tipo de coisa que acontece com garotas dos jornais da TV, não comigo.
Preciso acreditar que vou conseguir escapar, que, uma hora, a polícia vai chegar e dar um tiro na cabeça desse maldito, e eu vou poder ir pra casa.
É só isso que eu quero agora.

***

Helena escutou o som de passos na sala.
Se encolheu no colchão fino do quarto, mas os passos não se aproximaram.
Devagar, abriu a capa de zíper o colchão e escondeu o caderno lilás.
Era um lugar bem óbvio, mas pelo menos assim o diário ficaria fora de vista.
Respirando fundo para criar coragem, se aproximou da porta fechada do quarto e espiou pela fechadura, o mais silenciosamente possível.
O viu.
Ele estava calçando tênis, e usava um conjunto de moletom esportivo.
Ah, então o maluco bonitão ia passear?
Viu quando ele saiu e escutou a chave girar na porta da sala.
Helena esperou alguns minutos, a adrenalina fazendo seu sangue circular mais depressa, e o silêncio se fazer total na casa.
Com todo o cuidado do mundo, deslizou a mão pela maçaneta.
Quase desmaiou de afobação quando a porta do quarto abriu – mas a emoção durou pouco.
A porta não estava trancada a chave, mas um trinco com corrente na parede do lado de fora impedia que Helena abrisse a porta mais do que dez centímetros.
E não adiantava se esticar, o braço magro dela não alcançava o maldito trinco.
Olhou para o quarto.
Nada além do colchão, uma prateleira vazia e uma janela fechada com tábuas irremovíveis.
Se ao menos ela tivesse uma régua...
O diário! Havia um marcador de página dentro do diário!
Mais do que desesperada, tirou o diário do esconderijo e pegou o precioso marcador.
Vamos, vamos, vamos...
Ela tentava empurrar o trinco de todos os ângulos possíveis, apertando firme o marcador, chegando a fazer o papelão se dobrar, mas não adiantava.
Sua mão suava, seu corpo tremia...
Até que houve um pequeno “clique” e a porta diante dela se abriu.
Helena quase gritou.
Correu para a porta da sala, mas parou.
O lugar era completamente deserto, e estava muito escuro lá fora.
Ele sem dúvida chegaria logo e a encontraria perambulando sem direção antes que ela tivesse alguma chance de escapar ou pedir ajuda...
Ela precisava encontrar um telefone!
E rápido, rápido!
Disparou escada acima, toda trêmula.
O primeiro cômodo era um banheiro.
O segundo, um quarto com cama, TV, guarda-roupa...
Mas nada de telefone.
Santo Deus, o coração dela estava batendo tão forte que ela poderia ter um ataque...
A penúltima porta revelou um escritório.
Helena passou a mão pela parede, em busca de um interruptor.
As luzes se ascenderam, e ela começou a revirar as pilhas de papeis e pastas sobre uma escrivaninha, quase em pânico, mas nada...
Nenhum telefone.
Nem na outra mesa.
Nem no criado mudo.
Droga droga droga!
Foi quando outra coisa chamou sua atenção.
Havia uma prateleira alta, repleta de câmeras fotográficas, analógicas e digitais, antigas e modernas.
Logo abaixo dela, havia um mural bem grande.
Um mural de fotos.
Helena apertou os olhos, se aproximando devagar.
As fotos... Eram mulheres.
Havia uma dúzia ou mais de mulheres diferentes, e de cada uma delas havia cerca de cinco fotos.
Todas... Banhadas em tinta vermelha.
Helena se aproximou mais.
Uma parte dela gritava que ela tinha que correr e continuar procurando por um telefone. Que tinha que ser rápida. Ele podia chegar a qualquer momento...
Mas a outra parte estava hipnotizada pelas imagens.
Não conseguia parar de olhar.
Não conseguia deixar de se aproximar mais e mais das imagens.
As mulheres eram todas inegavelmente belas.
Morenas, loiras e ruivas.
E pareciam estarem todas nuas, cobertas apenas por lençóis... E tinta vermelha.
Helena observava atentamente cada foto.
Incrível.
Ela nunca havia visto nada parecido. As expressões delas... Algumas com os olhos vagos, lábios entreabertos, outras com os olhos arregalados...
A mente de Helena começou a trabalhar.
Não eram fotos de modelos com tinta vermelha.
Não eram recortadas de revista: haviam sido reveladas.
E as modelos... Estavam mortas.
Não estavam fingindo.
Mulheres mortas, banhadas em sangue.
O coração de Helena pareceu parar de bater.
Ela nunca havia ficado tão horrorizada em toda a sua vida.
A situação só piorou quando ela percebeu um movimento na porta, e, quando se virou, ele estava lá.
Parado.
Olhando-a.
Sorrindo...
O medo, o pavor, o susto, foi demais.
Helena desmaiou.

CONTINUA

4 comentários:

  1. OMG!!! Giovanna, acho que eu fiquei tão horrorizada quanto a Helena, hahahaha.
    Continua :)

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  2. Admito q senti aflição pela Helena ><
    Muito bem escrito, adorei o cap <3

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