quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O ROMANCE QUÍMICO - PARTE 5


5. Dias Perigosos

Helena estava encolhida no seu canto do sofá, embrulhada em um cobertor que havia se tornado seu melhor amigo nos últimos meses.
Olhava fixamente para o aparelho de televisão antigo ligado diante dela, porém seus pensamentos passavam muito longe dos comerciais de TV.
Não sabia há quanto tempo estava trancafiada naquele inferno, prisioneira daquele homem insano e perigoso, e estava perto de enlouquecer.
Mas não era nada parecido com nenhum tipo de sequestro do qual ela havia ouvido falar.
Ela era livre para circular pela casa durante o dia, enquanto ele estivesse, e só era trancada no quarto durante a noite e quando ele precisava sair.
Às vezes ele a deixava caminhar pela praia e tomar um pouco de sol enquanto a vigiava da varanda da casa. Ele apenas empurrava Helena pra fora, afirmando que ela estava ficando muito pálida.
Ela podia tomar quantos banhos quisesse, quando quisesse. Às vezes ele ordenava que ela lavasse os cabelos, quando estavam oleosos.
E as roupas?
Ele havia lhe dado um montão de roupas. De inverno, verão, até mesmo lingeries e biquínis, de vários tamanhos, e a maioria parecia novinha em folha, mesmo que todas tivessem cheiro de naftalina.
Sapatos também.
E havia deixado frascos de perfume pela metade, bijuterias, produtos de higiene feminina e outras coisas típicas de bolsa de mulher no quarto dela.
Deixava livros a sua disposição, e havia instalado a pequena e antiquada TV na última semana para que ela pudesse se distrair.
E a comida?
Na última vez que Helena não tocara no prato de miojo com legumes descongelados, ele sussurrou, carinhosamente, as coisas horríveis que faria com ela caso ela parasse de comer, ou ele percebesse que ela havia emagrecido uma grama sequer.
Assim, apesar das “gentilezas” do seu sequestrador, Helena vivia uma constante pressão e um pavor que lhe congelava os nervos, e que a impediam de relaxar um segundo que fosse.
Além disso, agora ela sabia exatamente o que ele fazia com as mulheres que levava até a sua casa.
E temia que sua vez chegasse, em breve.

***

Depois que Helena viu as fotografias de mulheres nuas banhadas em sangue, o assassino teve a ideia de começar um sádico jogo com sua presa.
Porque não inclui-la na brincadeira, de uma vez?
Assim, no dia seguinte, saiu e voltou com três câmeras e toda uma aparelhagem de instalação.
Helena observou em silêncio o sobe-e-desce-escadas dele o dia todo, ouvindo o barulho das ferramentas.
Mais tarde, quando começou a escurecer, ele desceu vestindo roupa social e gravata, cabelo impecavelmente penteado, e exalando um perfume atraente.
Sem dizer nada, conduziu Helena até o quarto.
Amarrou firme as mãos dela com cordas e a amordaçou com um pano, sentando-a confortavelmente no colchão, diante da TV.
Só que não havia nenhum programa ou filme passando.
Ao invés disso, havia uma imagem em preto e branco de um quarto.
Ele trancou as portas e saiu.
Algumas horas depois, Helena acordou com o som de passos na sala.
Escutou uma voz feminina, e risos.
Seu coração se acelerou.
Ela fez de tudo para gritar ou fazer algum barulho, mas não adiantou.
Os passos se distanciaram, subindo a escada para o segundo andar.
Helena estava em frenesi, tentando pensar em algo, quando sua atenção foi desviada para a tela em preto e branco da TV.
Como uma cena de filme, ela viu o psicopata galanteador conduzir uma mulher que parecia uma atriz de novela mexicana (tinha o cabelo longo, cacheado e cheio, usava um vestido vermelho bem apertado na cintura, com um decote chamativo e saltos altíssimos) para a cama.
Ambos sorriam, aparentemente envolvidos, aparentemente encantados um pelo outro, enquanto se despiam.
Helena observava, de olhos arregalados.
Ele parecia um homem tão cavalheiro, tão gentil... Um amante ideal, a tocando com carinho e sussurrando palavras que a faziam sorrir.
Depois de muitas carícias, os dois ficaram abraçados na cama, entrelaçados, ofegantes...
Foi quando ele se virou, e pareceu olhar diretamente para a câmera.
Como se pudesse vê-la, ali sentada, impressionada com a cena que acabara de assistir.
Então ele sorriu, e Helena sentiu um arrepio.
Sem que a moça deitada na cama notasse, o maníaco tirou uma faca debaixo do colchão.
Em um gesto brusco, virou a mulher na cama, puxando-a para o seu lado, e a surpreendeu enfiando a faca na barriga dela.
Helena estava em choque.
Ouvia os gritos de gelar a alma vindos do andar de cima, acompanhados pelos golpes impiedosos do assassino: coxas, peito, braços, garganta...
O corpo da pobre mulher parecia um pedaço de carne no açougue.
Helena viu o sangue (cinza, na imagem em preto e branco) escorrer pelos lençóis, manchar a faca, os braços do assassino, até que os gritos pavorosos parassem, e a moça ficasse totalmente imóvel na cama, braços abertos, olhos esbugalhados e boca escancarada.
Ele, então, começou a fotografar o cadáver, parecendo muito satisfeito.

***

Quando ele se cansou de tirar fotos, começou todo o processo de eliminar as evidências.
Primeiro, o corpo: embrulhando-o muito bem embrulhado nos lençóis manchados, o desceu e o colocou na mala do carro (que ele previamente já havia forrado com plástico filme).
Depois, dirigiu alguns quilômetros até o bairro de periferia onde Marichelo, a moça estrangeira que ele havia acabado de matar, morava.
O lugar era um buraco.
E a moça trabalhava como balconista/acompanhante noturna em um boteco frequentado pelos piores tipos.
Estacionou o carro atrás do bar, em um beco imundo.
Depois de se certificar de que ninguém observava, jogou o cadáver dentro da lixeira do bar, com a faca junto...
Ah, a faca. Havia polido suas impressões digitais dela.
A faca do ex-marido ciumento de Marichelo.
Ele a havia encontrado justamente naquele beco, há algumas semanas atrás, sendo ameaçada pelo idiota com aquela mesma faca.
Sem que ele o visse, acertou a cabeça do gorila por trás e guardou a faca consigo.
Depois, levou Marichelo até a praia, onde conversaram por horas.
A vizinhança inteira sabia do ex-marido bêbado e perseguidor da moça, que vivia em um quartinho nos fundos do bar e não tinha família no país.
Então, é claro que ela escondeu de todos os encontros com o jovem e heroico galã que acabara de conhecer, em quem ela depositava as esperanças de conquistar uma vida digna.
Ele sorriu para si mesmo.
Mais um crime perfeito.
Quando encontrassem o corpo e a faca do ex-marido, e ouvissem os depoimentos das vizinhas fofoqueiras, dos frequentadores do boteco e das outras prostitutas, o idiota que vivia ameaçando matar Marichelo iria apodrecer atrás das grades.
No dia seguinte, desceu até o quarto de Helena.
Assobiando, feliz, soltou os pulsos dela e tirou o lenço que lhe tampava a boca.
Depois, sem dizer nada, colocou o par de sapatos de salto, e as roupas (vestido vermelho + lingerie) recém tiradas da secadora e dobradas, sobre o colchão.

***

Helena divagava sobre a terrível origem de provavelmente todas as roupas que vestia enquanto a TV continuava exibindo imagens que não a interessavam.
Quando, subitamente, o homem, que estava sentado na mesa, limpando as lentes de uma das máquina fotográficas, se levantou.
Helena se assustou, mas ele não olhava pra ela: olhava para a TV.
Ela acompanhou o olhar dele, e descobriu o que o assustava tanto: na tela do noticiário da tarde, estava o rosto da linda mulher que ele havia levado para a cama, e depois matado a facadas.
O repórter dizia que o corpo havia sido encontrado em uma lixeira, e que, no início das investigações, haviam suspeitado do ex-marido.
Porém, o homem está internado em uma clínica de reabilitação há mais de uma semana.
Tentavam levantar informações, agora, sobre o homem com quem a moça supostamente havia saído na noite de sua morte, segundo o relato de uma amiga.
Helena olhava da TV para a expressão vazia do assassino.
Quando a reportagem terminou, ele subiu correndo as escadas para o segundo andar.
Ela ficou ali parada, escutando os passos dele e o som de coisas sendo remexidas.
Quando ele desceu, trazia algumas malas.
Sem dizer nada, foi até o carro, e Helena o viu, pela janela da sala, coloca-las no porta-malas.
Ele voltou, e ela sentiu um calafrio.
Dessa vez sim, o assassino olhava fixamente para ela.
- O que acha de fazermos uma viagem?
Antes que ela pudesse fazer qualquer coisa para impedir, ele e jogou sobre ela, e pressionou um pano úmido em seu rosto.
Helena tentou resistir, mas acabou se rendendo ao sono do clorofórmio.


CONTINUA

7 comentários:

  1. Sem chances dele ir preso?
    Hahaha.
    Estou adorando Giovanna, continua *-* bjs.

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  2. Oii Giovanna. Passando aqui para te convidar a visitar meu novo blog:
    http://terradefagulhas.blogspot.com.br/

    Já faz um tempo que estou longe do teclado, então agora é hora de recomeçar. Um abraço!! =)

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  3. Só vi hj q vc tinha postado mais um cap LOL
    Incrível como sempre *u*

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  4. Obrigada, meninas! XD
    Com certeza irei te visitar, Michael, com muito prazer ;)

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  5. Cadê a continuação Giovanna ? haha *-*

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  6. Oi, indiquei seu blog para uma a TAG The Versatile Blogger Awar. Se quiser participar está aqui o link: http://terradefagulhas.blogspot.com.br/2014/01/tag-versatile-blogger-award.html#more
    Um abraço

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