terça-feira, 13 de maio de 2014

O ROMANCE QUÍMICO - PARTE 7


7. O Funeral de Helena

- Eu acho que você vai querer dar uma olhada nos jornais de hoje. – Disse o homem.
Helena desviou o olhar da TV pra ele.
Estava no último andar de um hotel caindo aos pedaços para onde ele a havia levado há uma semana, com dois quartos, um banheiro amarelado e uma sala minúscula, com um sofá e uma TV.
Ele jogou o jornal pra ela, que tirou os braços de debaixo da manta onde estava enrolada.
A princípio, folheou as páginas sem ver nada de diferente.
Então se deparou com uma foto dela mesma, em preto e branco.
Seus olhos não conseguiram acreditar na manchete, muito menos na notícia.

Corpo incinerado encontrado na última semana é de garota desaparecida há mais de dois meses

O mistério dos restos mortais encontrados no Incinerador de Vila Maria foi sulucionado. Devido aos efeitos da carbonização, não foi possível identificar o corpo, no entanto, através das roupas encontradas pela polícia próximas à câmara de incineração, foi encontrado o DNA de Helena Guimarães, procurada há mais de dois meses.
A garota foi vista pela última vez pelos amigos, em Santa Madalena, cidade onde residia, em uma festa.
A mãe da vítima reconheceu também uma das peças de roupa como sendo da filha, e segundo registros a estatura de Helena condiz com a do corpo carbonizado.
Ainda não se sabe os motivos que levaram ao crime, e a polícia procura por um suspeito.

Helena leu e releu as palavras, sem parar, até que as lágrimas embaçassem sua visão de tal modo que era impossível continuar lendo.
Quando terminou, notou que o homem a observava, atento.
Ela se levantou, encarando-o.
- Isso não passa de uma metira. – Ela atirou o jornal no chão, com raiva. – Mais uma mentira sua pra me deixar com medo. Seu imundo!
Era a primeira vez que ela enfrentava o assassino de frente, mas ele não demonstrou nenhuma surpresa.
- Mentiroso filho da puta! – Berrou ela. – O que quer fazer, me deixar louca?
Ele cruzou os braços.
- Você está morta, Helena.
Ela bateu o pé.
-Não! – Gritou ela. –Eu estou viva!
Ele balançou a cabeça, se divertindo com a situação.
Ela investiu contra ele. Tentava bater nele, arranhá-lo, provocar algum dano. A raiva havia atingido níveis que ela não conseguia mais controlar.
Ele a rechaçou com um simples empurrão.
- Morta! – Exclamou ele. – Ninguém mais procura por você, só lamentam!
- Se eu estivesse mesmo morta, você estaria me fotografando – cuspiu ela.
Aquilo sim pareceu afetá-lo.
Sua expressão se carregou de repente.
- Cala a boca. – sussurrou ele, apontando o dedo pra ela.
Helena se calou, o medo a assaltando novamente.
Ao pouco, ele foi voltando à frieza habtual.
- Muito bem – disse ele, pegando-a pelo braço e arrastando-a para o quarto onde costumava trancá-la. – Chega de bancar a rebelde. Se não acredita em mim, vou provar. Vou provar que você não passa de uma defunta.
Ele bateu a porta diante dela.
Helena perdeu as estribeiras de novo.
- Maldito! – gritou, batendo na porta. – Você vai ver! No final dessa história, sou eu quem vai matar você!

***
Ele saiu, e quando voltou, trazia sacolas.
E um sorriso detestável.
- Levante-se. – Ordenou, assim que abriu a porta do quarto dela. – E vá tomar um banho. Tenho uma surpresa pra você.
Temendo aquela última frase, Helena preferiu obedecer.
Tomou um banho quente, tentando (inultimente) relaxar.
Quando voltou para o quarto, enrolada em uma toalha, havia um vestido preto e vermelho sobre a cama, e sapatos de salto alto também pretos.
Seus olhos nem ao menos notaram que era um vestido lindíssimo, de uma grife que ela idolatrava. Apenas procurou pelo homem, que estava na sala, de braços cruzados.
- Se vista. Use bastante maquiagem. Arrume o cabelo. Se arrume como se fosse receber um Oscar... Ou como se fosse para o seu funeral.
Helena entrou no quarto e bateu a porta, trêmula.
Era hoje.
Era hoje que ele ia matá-la.
Afinal, ele não gostava de matar mulheres bem vestidas e lindas?
Olhou para o vestido, vendo nele apenas o seu caixão.
Se vestiu devagar, sem nem sentir a maciez do cetim na pele.
Quando se aproximou do pequeno espelho da parede do quarto, se assustou.
O seu rosto estava tão mudado... Como se ela houvesse envelhecido dez anos. Não havia rugas, mas aquela expressão vazia, aquelas olheiras fundas, aquele medo em cada respiração...
Helena se lembrou daquele rosto que sorria para o espelho, e teve vontade de chorar, mas nem ao menos conseguia.
Em menos de três meses, havia gasto as lágrimas de uma vida inteira.

***

-      Vamos.
Haviam chegado ao lugar que ela desconhecia há meia hora, mas ele a havia deixado no carro até então.
Helena estava deitada no banco de trás, com os pulsos amarrados, e os pés também presos, dessa vez.
O homem puxou a manta que a cobria e desamarrou as cordas.
Ele a ajudou a descer do carro e caminharam por um estacionamento escuro, ele sempre segurando o braço dela e com a mão livre levava uma maleta.
Quando saíram para a claridade, Helena sentiu um calafrio: estavam em um cemitério.
Caminharam entre os túmulos, e ela sentia o cheiro das flores murchando em baixo do sol fraco.
Estava no final da tarde, e ela se deu conta de que eles deveriam ter viajado de carro por mais de duas horas.
Chegaram em uma parte alta do cemitério, onde o homem convidou-a a se sentar ao lado dele, sobre um túmulo.
Ficaram ali sentados em silêncio por alguns minutos.
Helena respirou fundo e o olhou, a paz que o cemitério emanava não era capaz de acalmá-la.
- Porque isso? Porque não pode simplesmente matar de uma vez?
Ele deu um meio sorriso.
- Matar de uma vez não faz o meu estilo. - Olhou para o relógio no pulso. - Já deve estar na hora.
Ele abriu a maleta e tirou de lá um tablet, junto a outros aparelhos que Helena nem sequer conhecia. Conectou alguns fios, até que um vídeo de pouca qualidade foi surgindo na tela.
O homem ofereceu o tablet para Helena.
- Aproveite, é ao vivo.
Ela segurou o aparelho entre as mãos, sem entender.
Era um velório. E o caixão estava lacrado.
Ela demorou um pouco para perceber que conhecia todas as pessoas ao redor dele.
Sua mãe chorava. Seu pai estava com ela, abraçando-a e apoiando o queixo sobre sua cabeça, de olhos fechados.
Mercedes estava do outro lado do caixão, segurando um buquê de flores brancas. Não chorava, mas estava pálida e com o rímel borrado. Helena nunca a havia visto naquele estado.
Diego estava ao lado dela, com o braço sobre o seu ombro. A expressão dele era de sofrimento, e lágrimas corriam por seu rosto.
Parecia haver muito mais gente, entre parentes, amigos e pessoas da escola. Até Letícia estava lá. Até a Evelyn Nojenta.
Helena começou a chorar, apertando a tela entre as mãos. Era irreal. Ela estava assistindo ao próprio funeral.
- Sua mãe deve ter ficado tão abalada, não acha? – perguntou o assassino. Helena não respondeu, e ele continuou. – Afinal, a última coisa que você disse a ela foi que a odiava. E o seu pai, que quase nunca te visitava? Pelo menos alguém deve estar feliz. Olhe para Mercedes. Ela está tão aliviada por não ter mais que competir com você. Agora vai poder tomar posse da escola, e do seu namorado também. Viu como Diego a está abraçando?
Helena o ignorou. Apenas conseguia chorar e soluçar, sacudindo todo o seu corpo.
- Tanta gente veio ver a garota queimada viva ser enterrada... É estranho, não é? Um caixão cheio de cinzas. Será que o seu lindo corpete também está lá? Só sei que você será o assunto da cidade por alguns dias. Mas depois todos vão esquecer você. É o que acontece com os mortos.
Helena continuou a chorar quando funcionários do velório vieram e ergueram o caixão, começando a levá-lo dali. As pessoas os seguiram, até a sala do velório ficar completamente vazia.
- Agora vem a melhor parte! – O assassino se levantou. – vêm, levante-se.
No começo, Helena não percebeu.
Mas seus olhos foram atraídos por um grupo grande de pessoas a muitos metros abaixo deles, perto da entrada do cemitério. Apertou os olhos, e começou a tremer.
Eram eles.
Sua família, seus amigos, e seu caixão.
Sem pensar, se atirou para frente, gritou, correu.
Mas é claro que ela não foi muito longe.
O assassino a segurou, fazendo-a cair de joelhos.
- Quietinha. Eles não podem te ouvir, mesmo. E estão ocupados te enterrando.
Helena apenas chorava, ajoelhada na terra.
- Esse vestido ficou ótimo em você. Parece muito o do clipe Helena, da sua banda favorita. Acho que se você não tivesse virado pó, sua mãe a vistiria desse jeito. E sua amiga Mercedes teria inveja de você pela última vez.
Ela não respondeu. Apenas assistiu de longe seu caixão ser coberto de terra, as pessoas jogarem flores sobre o túmulo, e depois irem embora, aos poucos.
Quando já não havia mais ninguém a vista, já estava escuro e frio.
- Vamos embora. – O homem juntou as coisas e a puxou pelo braço até o carro novamente.

***

O carro balançava e Helena permanecia com o cabeça encostada no vidro escuro.
Havia pedido para ir na frente, e sob a ameaça de ser destroçada ali mesmo caso fizesse alguma gracinha, seu pedido havia sido atendido.
Viu a cidade onde crescera sumir em uma das curvas e apenas mantinha os olhos vagos no céu sem estrelas.
Em certo momento, o homem colocou um CD no rádio do carro. Para a surpresa dela, era The Black Parade, do My Chemical Romance.
- Eles têm letras ótimas. – Disse o homem, enquanto dirigia. – Comecei a escutar depois que li o seu diário. Queria entender o que tanto te facinava neles. Esperava alguma banda pop e vazia. Mas me surpreendi. Só não entendo como uma garota tão fútil como você acabou gostando de letras tão complexas de caras tão estranhos.
Helena não olhava para ele, mas para a estrada.
- Bem, na época em que eu estava internada – começou ela, devagar. – Quando eu estava tão fraca que achava que ia morrer, vi um clipe deles na TV do hospital. Tinha o meu nome, Helena, e parecia que falavam comigo. Quando vi ela se levantar do caixão e depois cair nele de novo, me perguntei se era aquilo que eu queria. Se eu queria morrer e fazer todos sofrerem. E decidi que não. Então comecei a lutar, a me esforçar para me recuperar. My Chemical Romance salvou minha vida.
- Pena que eles não podem te salvar agora. – Respondeu o homem, com um meio sorriso.
Dizendo aquilo, pisou fundo no acelerador.
O coração de Helena disparou, e ela se agarrou no banco. The End tocava, com o volume alto, enquanto o carro deslizava loucamente pela pista, fechando outros carros e sendo seguido por um rastro de buzinas furiosas.
- Para! – Gritou ela, apavorada. – Vai nos matar!
- Você já está morta. – Sorriu ele. – E eu sou a morte.
Mas ele voltou a velocidade normal, talvez para não atrair a atenção da polícia.
Ficaram em silêncio por algum tempo.
- Porque você faz isso? – Perguntou ela, olhando para ele. – Gosta que eu sinta medo, não é?
- Helena – ele a olhou, franzindo a testa. – Eu sou uma pessoa muito mais simples do que pareço.
Voltaram para o hotel sem dizer mais nada.
Mais tarde, ele saiu. E voltou pouco tempo depois, trazendo muita bebida.

***

Helena olhava o homem beber whisky como se fosse água.
- Faz tempo que não encho a cara. – Disse ele, percebendo o olhar dela. – Sirva-se.
Ela foi até a mesa e virou um copo, fazendo careta.
Ele riu.
- Helena, Helena...
Ela se sentou no sofá e ligou a TV em volume baixo.
Ele continuou a beber, enquanto mexia em uma câmera que parecia muito velha.
Helena o observava com o canto do olho, se perguntando se havia alguma chance de ele ficar bêbado o suficiente para que ela pegasse as chaves do apartamento no bolso dele e fugisse.
Ela começou a ficar esperançosa quando ele esvaziou a garrafa de whisky e abriu uma de vodka.
Ele segurou a câmera velha entre os dedos e olhou para Helena, batendo uma foto com um flash qua quase a cegou.
Ela se levantou, assustada.
- Relaxe – ele sussurrou, sorrindo. – Eu só estava testando a lente nova.
Ela se aproximou da mesa, cautelosa.
Qualquer coisa, se trancaria no quarto.
- Essa câmera é velha – disse ela, engolindo em seco, pensando em como distraí-lo. – Porque não usa uma mais nova? Você tem tantas.
Ele tomou um longo gole de vodka antes de responder.
- Essa é especial. – revelou ele. – Era do meu pai. Foi a única coisa que ele me deixou antes de morrer.
Helena sentiu um calafrio. Será que aquele louco havia matado o próprio pai?
- Eu tinha cinco anos. – Continuou ele. – Fiquei só com a minha mãe. Ela era linda, Helena. Tinha olhos tão azuis...
Ele estava começando a falar um pouco enrolado.
- É melhor eu te colocar pra dormir. – Disse ele, se levantando e indicando o quarto onde sempre a trancava.
Mas agora ela estava curtiosa.
- Porque não me conta sua história? – Indagou, sem saber direito do que estava falando. – Você sabe a minha. Seria justo eu saber a sua.
Ele demorou para responder, como se estivesse pensando.
- Tudo bem. – Ele voltou a se sentar na mesa, indicando a outra cadeira pra ela.
Helena se sentou e o olhou nos olhos.
- Quer mesmo saber a minha história?
Ela assentiu.
- Muito bem. Imagine que você more sozinha com a sua mãe, Helena. Você tem seis anos. Ela trabalha duro pra cuidar de você, limpando casas, costurando a noite toda... E então ela te apresenta um homem rico e se casa com ele. No começo ele parece legal. Te dá presentes, te leva pra morar em uma casa enorme. Só que com o tempo ele começa a agir estranho. E você começa a se perguntar como ele fez todo aquele dinheiro. E sua mãe e ele começam a discutir cada vez mais.
Ele fez uma pausa, e olhou para além dela, como se não pudesse mais enxergar Helena ali.
- O que você faz quando o homem bonzinho fica mal? Quando ele se senta na sala e começa a cheirar um pó, o mesmo pó que várias pessoas ligam pedindo pra ele em troca de muito, muito dinheiro? O que você faz quando ele começa a bater em você e na sua mâe? O que você faz quando ela chora, dizendo que vocês precisam ir embora, e rápido?
Helena tinha os olhos arregalados. Ainda não sabia se ele estava tentando enganá-la ou estava mesmo dizendo a verdade.
- Então, ele chega – continuou o homem. – Chega irritado, gritando e batendo as portas. Sua mãe fica apavorada. E para de fazer as malas pra mandar você se esconder em baixo da cama. Você se esconde, segurando firme entre os dedos a câmera do seu pai. Você está com medo, e só cria coragem para olhar através do visor da câmera. Ele está vindo...
A garota começou a ficar inquieta. A voz dele não tinha nenhuma emoção.
- Então ele mata sua mãe a facadas. Você escuta os gritos dela, vê o seu corpo ensanguentado cair diante de você. Sem querer, a câmera dispara. Ele escuta e te puxa pra fora de onde estava escondido, furioso. Mas a polícia chega e cerca a casa. Ele troca tiros com os policiais. Ele morre. Ele morre, assim como a sua mãe, que continuava sangrando no tapete, com os olhos azuis tão lindos...
O homem então se levantou, e Helena se encolheu.
Ele foi até o quarto dele e voltou.
- Essa foto foi um acidente. Mas é a imagem mais linda que alguém já registrou. Há anos eu tento reproduzir algo parecido, mas nunca consegui algo que se comparasse... A vida se esvaindo dos olhos dela.
Helena olhou para a foto embrulhada em um plástico,  que ele erguia diante dela, chocada.
A mulher de cabelo escuro e olhos azuis esbugalhads olhando fixamente para frente, e o sangue escorrendo sobre os ombros dela, a boca entreaberta.
Era assustador.
Ele recolheu a foto, voltando a se sentar e encarando a mulher morta em suas mãos. E não disse mais nada. Ficou ali, apenas meditando sobre a imagem, sem alterar sua expressão.
Helena voltou para o quarto, onde se deitou e sentiu sua cabeça se embaralhar.
Assistir ao próprio enterro já havia sido muita emoção para um dia só.
Ela não queria pensar em mais nada, mas sabia que, agora, nunca mais conseguiria ver o seu sequestrador com os mesmos olhos.
CONTINUA

5 comentários:

  1. Todas as vezes que eu leio um capítulo novo me perguntou o porque do "Romance" no título, hahaha.
    Meu Deus Giovanna, esse capítulo foi um dos melhores que eu já li, incrível. A cada dia que passa eu fico mais e mais curiosa para saber o que vai acontecer com a Helena e o que esse assassino vai fazer com ela.
    Estou simplesmente amando Giovanna <3

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  2. Tô achando q a Helena vai acabar "ficando do mal"... o.O
    Essa coisa de expressão vazia, ficar olhando vagamente pro céu... Ta me cheirando a uma companheira pro assassino... Falando nisso, o nome dele é citado ou é um mistério?
    Pq eu não to lembrada se ele diz o nome e bateu uma curiosidade misturada com preguiça de procurar xD -q
    Enfim, adorei o cap, mesmo me frustrando na cena do cemitério u.u (mas não foi ruim, é até bom q a história continua,é só q eu sempre fico assim quando um personagem fica tão perto de conseguir o q quer e acaba não conseguindo xD)
    Um abraço :3

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  3. Oi, garotas!
    O "Romance Químico" será revelado em breve. ;)
    O nome verdadeiro do homem nunca foi citado, apenas o nome "Vitor Paladini", que ele deu no hospital, e que com certeza não é o verdadeiro.
    Fico muito feliz que estejam curtindo a história.
    E espero que apreciem o que mais vier por aí. ;)

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  4. Oi Giovanna eu adoro todas suas historias e estou amando de coração a ''Romance Químico'' adoro!
    Mas será que vai rolar um romance entre os dois ? espero que sim,to curiosa *-* não demore a postar por favor.

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  5. Oi, Laura!
    Que bom que você está gostando da história ;)
    Continue acompanhando e mate sua curiosidade xD

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