sexta-feira, 25 de setembro de 2015

MALDITO ROMEU! - ATO I

     Romeu já tinha tomado café e a primeira medicação da manhã, mas Mercúcio se recusava a se levantar da cama, resmungando e praguejando embaixo do cobertor.
Ele estava em um dos seus momentos ruins. Romeu tentara explicar aquilo ao enfermeiro, que se limitou a anotar algo na prancheta e avisar que eles deveriam sair logo se quisessem tomar um pouco de sol hoje.
Benvólio estava ocupado empilhando livros em um canto do quarto, em ordem alfabética, e Romeu sabia que seria impossível convencê-lo a sair para uma volta no jardim.
A regra para pacientes com grau moderado de qualquer transtorno mental, como era o caso deles, era sair sempre em duplas durante os passeios, acompanhados de um enfermeiro.
Romeu suspirou, entediado, fazendo desenhos invisíveis no vidro da janela.
- Ai de mim! – Exclamou.
Benvólio ergue os olhos dos livros, o cabelo cacheado fazendo-lhe sombras na testa. Os óculos de armação grossa eram uma vã tentativa de diminuir sua aparência infantil, ressaltada pelas covinhas nas bochechas e no queixo.
- O que houve, Romeu? É o tal do “seu amor” que está te deixando assim?
Romeu deu de ombros.
- Quem me dera... Na verdade, o meu problema é a falta dele.
- Vai começar de novo – grunhiu Mercúcio, com a voz abafada pelas várias camadas de cobertores, embora fosse uma manhã quente.
- Quem diria que na aparência de tão gourmet, o amor fosse um pão velho e duro... – Comenta Benvólio. – Você escapou essa noite de novo, não foi? Como consegue sair andando por aí no escuro sem que te peguem?
Romeu dá um meio sorriso.
- Mesmo cego, o amor sabe encontrar o alvo do seu desejo... O que foi aquele rebuliço hoje no café?
- O de sempre. Um dos nossos arrumou confusão com os enfermeiros, jurava que o seu pão estava vivo. O cara tinha medo de pão, dá pra imaginar? Eu odeio esse lugar.
- O ódio dá muito trabalho por aqui, mas mais trabalho dá o amor. – Suspira Romeu. – Amor brigão, ódio amoroso. É o tudo criado a partir do nada... O amor é uma loucura sensata!
- E quem é, afinal, essa garota?
- Seu nome é Rosalina. Ela é uma criaturinha linda, vocês precisavam ver... Simplesmente o ser humano mais gracioso que eu já vi. Mas não adiantou eu admirá-la tanto, ela é inacessível. Me rejeitou de todas as formas, espumando pela boca e tentando se libertar da camisa de força quando tentei compará-la com um dia de verão.
Benvólio solta um assovio.
- Ela deve ser uma das raivosas.
Mercúcio se sentou na cama de repente, lançando os cobertores no chão com desprezo.
- Deixe-me ver uma foto dessa sua criatura linda, Romeu. – Pede ele, rude. – Vamos ver o que é verdade e o que é exagero nessa sua idolatria através do bom e velho Facebook, no laboratório de inclusão digital.
Romeu balançou a cabeça negativamente.
- Não adianta. Ela é rica em beleza, mas toda essa beleza vai morrer com ela. Parece até que prometeu jamais tirar selfies. Não tem perfil em nenhuma rede social.
- Então esqueça, cara.
Romeu suspirou em alto e bom som, voltando a olhar pela janela.
- O amor é como a fumaça que se eleva do vapor dos suspiros...
- Não. O amor é como a fumaça que se eleva dos cigarros. - Mercúcio zombou, ascendendo um de seus cigarros de cravo, que só Deus sabia onde ele os arranjava.
O silêncio no quarto se seguiu.
Benvólio voltou para os livros e Romeu não revidou a observação de Mercúcio, que começou a coçar o bigode, entediado.
- Vamos logo! – Exclamou, impaciente. – Vou te levar até onde as modelos em tratamento para distúrbios alimentares tomam sol. Lá, em meio a tantas pombinhas menos loucas, sua Rosalina vai parecer um urubu!

***
- Julieta, está na hora de trocar as ataduras.
A Ama bateu na porta de leve antes de entrar. Um quarto individual no segundo andar e uma enfermeira particular (sendo essa a velha Ama que cuidara dela quando criança) eram alguns dos luxos que sua família podia        bancar.
Julieta suspirou, erguendo os braços para que a senhora gorda e rosada desenrolasse os curativos de seus pulsos e lavasse os pontos recentes para que não infeccionassem.
- Dói, menina? – Pergunta a Ama.
- Não mais do que a vergonha de estar nesse lugar! – Exclama Julieta, irada.
Trancada em um hospício, cheio de loucos, após fracassar em seu último ato! Parecia uma piada de mal gosto. Para piorar, sua família tratava tudo aquilo como se fosse uma gripe qualquer. “Ela vai melhorar, está sendo bem cuidada e tomando todos os remédios”. “O médico disse que em breve ela receberá alta”.
- Não é tão ruim, menina. – Diz a Ama, sem se deixar abalar, enrolando os pulsos de Julieta com ataduras novas. – Sua mãe não teve tempo de vir visitá-la hoje, mas me pediu pra dizer que seu namorado Páris logo estará aqui.
Julieta arregalou os olhos para a ama, furiosa.
- Eu não quero vê-lo! Páris não passa de um completo idiota! Pra ele o meu suicídio foi demonstração de coragem, e não de desespero!
Ela se lançou para a varanda, olhando o gramado lá embaixo, onde outros pacientes tomavam o banho de sol matinal, e o cabelo tingido de lilás refletiu os raios luminosos da manhã por um instante, contrastando com as roupas pretas da garota.
- Não precisa de exaltar, querida. – Disse a Ama, pacificadora, se colocando ao lado da moça. – Está um lindo dia. Não gostaria de dar uma volta?
Julieta olhou para o gramado reluzente, onde uma das loucas corria nua, com uma enfermeira gritando em seu encalço, e apenas franziu o nariz.
Do outro lado viu dois rapazes que deviam ter a idade dela, provavelmente  internos da ala masculina, conversando com uma das anoréxicas.
Um deles, que usava um bigode charmoso e fumava um cigarro, acenou para ela.
Julieta mostrou o dedo do meio e voltou para dentro do quarto.
- Malditos hipsters – murmurou, com todo o desprezo que conseguiu reunir na voz.
- Hoje a noite haverá uma pequena festinha para os internos que estão se recuperando. – Disse a Ama, tentando animá-la. – Você está na lista dos autorizados a participar. O hospital está tentando fazer os pacientes que apresentam bons resultados de melhoria se socializarem um pouco. O que acha?
- Acho que prefiro que um raio me parta ao meio do que participar de uma festa de malucos problemáticos.
- E o seu primo, Teobaldo? – Perguntou a Ama, incansável, seguindo-a. – Soube que ele está melhorando. Gostaria de visitá-lo?
Julieta se jogou na cama, trincando os dentes.
Claro, Teobaldo, apelidado de Príncipe dos Gatos e conhecido pela sua obsessão por felinos. Na semana passada haviam encontrado oito gatos em baixo da cama dele. Até agora os enfermeiros tentavam explicar como ele havia conseguido levar todos pra lá sem que ninguém notasse.
- Talvez mais tarde – respondeu Julieta, dando-se por vencida. – Agora só quero o meu Rivotril, por favor!

***
- Mano, está sabendo da festa que vai rolar hoje? – Pergunta Mercúcio, bem humorado, saindo do chuveiro com uma toalha enrolada na cintura e espalhando colônia pelo pescoço.
Romeu estava diante do espelho, em dúvida se deveria ou não fazer a barba. Decidiu que não, e devolveu a gilete para o enfermeiro, que o vigiava de perto.
- Que festa? – Perguntou Romeu, franzindo a testa.
Antes que Mercúcio pudesse responder, o enfermeiro tossiu duas vezes.
- Vocês não estão na lista de convidados. – Anunciou.
- Como não? – Mercúcio o encarou, indignado.
Romeu também olhou para o enfermeiro. Ele deveria calar a boca. Mercúcio estava de bom humor pela primeira vez em dias, e só Deus sabia como o humor dele andava instável desde as últimas alterações em sua medicação.
Mas o enfermeiro não gostava exatamente de Mercúcio, desde que este havia lhe dado um soco no estômago em uma de suas recaídas, então continuou:
- A festa para socialização dos pacientes é estritamente para os internos que apresentaram bom comportamento e uma melhora significativa no último mês.
- E eu não me comportei, seu monte de merda?! – Berrou Mercúcio, o que fez com que outro enfermeiro entrasse no vestiário e ficasse alerta.
- Paz, Mercúcio, paz – pediu Romeu.
- É óbvio que não. – Retrucou o primeiro enfermeiro, sem se alterar. – Encontrei cigarros nos seus bolsos. E as enfermeiras disseram que você andou incomodando uma das internas em tratamento de distúrbio alimentar.
Romeu notou uma veia saltando no pescoço de Mercúcio.
- Que mentira absurda! Eu só sugeri que a gente podia sair pra comer alguma coisa qualquer dia e a garota entrou em pânico! Eu não tive culpa...  Ah, quer saber? Vá se foder! – Mercúcio abriu caminho entre os enfermeiros e foi andando de volta para o quarto, jogando a toalha no chão no meio do caminho.
Romeu revirou os olhos e o seguiu, preocupado, mas, para sua surpresa, quando chegou ao quarto, Mercúcio já estava assobiando satisfeito enquanto colocava sua melhor cueca.
- Você viu aquilo? Deve ser o suficiente para que me tragam uma dose de medicação extra antes do toque de recolher!
Romeu sorriu, aliviado.
- Mercúcio! Porque você precisa de mais remédios se está bem hoje?
- A dose extra não é pra mim, é pro Benvólio!
Benvólio ergueu a cabeça da pilha de livros que estava arrumando (em ordem de tamanho dessa vez).
- O que tem eu?
- Vamos sair hoje, meu camarada! Eu, você e o Romeu vamos àquela festa dos pacientes em recuperação!

***
Julieta virou mais uma taça de champanhe sem álcool.
Após muita insistência da Ama, acabara descendo para o saguão onde acontecia a “festa dos loucos quase sãos”, como ela chamou mentalmente.
Os outros pacientes não pareciam mais confortáveis do que ela, conversando timidamente e beliscando os sanduíches com patê de atum da mesa.
Um frei e algumas freiras, que prestavam serviço voluntário no hospital e faziam missas na capela do jardim, também estavam por lá, circulando e dizendo palavras gentis e encorajadoras para os internos em recuperação.
Ela viu Teobaldo, seu primo, sentado em um canto, com um gato gordo e malhado nos braços, que ele acariciava quase febrilmente.
- Me deixaram ficar com esse aqui. – Dissera ele, quando Julieta se sentiu obrigada a cumprimentá-lo. – Vou chamá-lo de Biscoito e vou amá-lo para sempre!
Julieta assentiu, sem saber o que dizer, e se afastou sobre o pretexto de ir pegar um sanduíche.

I'm coming out of my cage
And I've been doing just fine
Gotta gotta be down
Because I want it all...

(Eu estou saindo de minha gaiola
E estou indo muito bem
Devo ficar triste
Porque eu quero tudo isso…)

Espera aí… Aquela música ela conhecia bem. Era The Killers, Mr. Brightside. Bom, pelo menos a playlist não era ruim. Julieta diria àquilo ao seu psiquiatra quando ele perguntasse o que ela havia achado da festa.
Espero estar mesmo saindo da minha gaiola, pensou ela, limpando a boca com guardanapo. Foram tempos difíceis, mas eles vão me dar alta. E devo continuar triste, como sempre, independente do que aconteça. Parece que eu sou assim...
- Hey, você sabe quantas calorias têm nesse lanche? – Sussurrou uma garota muito magra, ao lado de Julieta.
- Não, eu não faço ideia. Mas estão gostosos.
- Ah, certo... – A garota encolheu os ombros, timidamente. – Não diga a ninguém que eu te perguntei isso, tá?
Julieta assentiu, com um suspiro.
Não estava sendo fácil.
- Julieta?
Ela se virou, surpresa.
Páris estava ali, com um buquê de flores murchas que certamente haviam sido furtadas do cemitério.
Oh, céus. Ela estava surpresa consigo mesma por ter algum dia sido apaixonada por ele. No começo, havia ficado encantada com o olhar perdido dele e a habilidade que ele tinha para recitar O Corvo, de Edgar Allan Poe, com perfeição.
Mesmo ele sendo tão esguio e tendo olheiras tão fundas, além de ridículas mãos grandes e frias que seguravam os ombros dela quando eles se beijavam (como se ela fosse, sei lá, fugir), ela havia achado que ele era sua alma gêmea gótica ao algo assim, e ficara encantada pelas ideias sombrias dele, sussurradas entre goles de vinho sobre os túmulos do cemitério da cidade.
Mas com o tempo o encanto se desmanchou e ela passou a ver Páris como ele realmente era: um playboy que não entendia absolutamente nada sobre a vida real e cuja maior preocupação era viver como um poeta morto.
- Vá embora, Páris. – Diz ela, dando-lhe as costas.
- Espere, Julieta – ele a deteve, colocando uma das mãos grandes e patéticas no ombro dela, o que lhe provocou um calafrio do tipo ruim. – Eu quero pedir perdão.
- Perdão? – Indagou ela. – Pelo que?
Por um momento ela teve esperança de que ele tivesse caído na real. Que ia confessar ser um alienado viciado em literatura gótica e que não havia estado ao lado dela quando ela mais precisava.
- Por não ter percebido que ler Alphonsus de Guimaraens te afetava. – Disse ele. – Eu deveria saber que mentes sensíveis como a sua poderiam não aguentar esse tipo de literatura e acabar fazendo alguma besteira. Mas eu te entendo, todo os sofrimento de mulheres como Ismália é tão profundo e poético que dá vontade de se matar, não é?
Julieta não disse nada por um momento.
Depois arrancou o ramalhete de flores das mãos dele e começou a golpeá-lo o mais forte que conseguia.
- Como se atreve? Ah, você é um imbecil mesmo, não é? Acha que eu tentei acabar com a minha própria vida por causa de um maldito poema? Vai pro inferno, seu playboy metido a gótico de merda!
 Para a sorte de Paris, a Ama interviu e o mandou ir embora, pedindo que Julieta se acalmasse, ou acabaria abrindo os pontos e tendo que voltar para a cama.
Graças à aquele pequeno rebuliço, Romeu, Mercúcio e Benvólio conseguiram adentrar o salão sem serem notados.
Julieta se dirigiu a mesa das bebidas, tentando recuperar a calma e desejando que o champanhe tivesse álcool, afinal.
Romeu se deteve quando a viu. O cabelo lilás e longo parecia ter saído de uma história de sereias, as roupas pretas em contraste com a pele clara. A expressão dela era fechada, o que o fez imediatamente ter vontade de vê-la sorrir.
Se aproximou de um rapaz que estalava os dedos, em uma espécie de TOC.
- Com licença, mas quem é aquela moça?
O garoto deu de ombros.
- Não sei. Não a conheço.
- Ela ensina as luzes a brilhar! – Murmurou ele para si mesmo, admirado. - Parece suspensa no nariz da noite tal como um piercing feito de diamante: belo demais para usar, caro demais pra enroscar na toalha. É como um corvo no meio de pombas brancas, ali no meio das outras meninas. Meus olhos negam que algum dia já tenha visto diante de mim uma beleza tão intrigante...
Teobaldo, escutando a voz de Romeu, foi imediatamente até Frei Lourenço, sacudindo o gato em seu colo.
- Olhe, Frei, aqueles são o esquizofrênico e sua gang, vilões que entraram aqui por zombaria para estragar a nossa festa! Expulse-os daqui, ou deixa que eu mesmo o faça!
Frei Lourenço, que conhecia melhor do que ninguém cada um dos internos, se preocupou, mas assim que viu de quem se tratava, sorriu e acariciou o gato que esperneava no colo de Teobaldo.
- Ora, não há motivo para expulsá-los, Teobaldo. Aquele é Romeu, é um bom rapaz. Mercúcio parece estar com ótimo humor, e veja só, até Benvólio saiu! Isso é um grande passo no tratamento dele. Deixe-os se divertir, são bons meninos e não representam ameaça.
Teobaldo bufou, apertando ainda mais o gato e marchando para o outro lado do salão.
Romeu se aproximou da mesa de bebidas.
Julieta ainda procurava por uma taça limpa, e quando se virou deu de cara com ele, para sua surpresa.
Nunca havia notado aquele rapaz. Com certeza ele não estava no grupo de terapia de apoio aos suicidas, tampouco deveria estar na solitária, pois só os pacientes mais calmos e em estágio avançado de recuperação estavam naquela festa.
Tudo bem, ele era meio hipster, só podia, já que usava touca em uma noite de verão, além dos suspensórios, gravata e barba. Mas o corte de cabelo dele era razoável e os alargadores? Nada mal...
E os olhos verdes e atrevidos dele estavam fixados nos lábios dela.
- Com licença, senhorita. Acho que bebi muito hoje. Você poderia absorver dos meus lábios essa embriaguez?
Ele se inclinou e Julieta permitiu que ele a beijasse.
Foi a coisa mais doce que alguém havia feito a ela nos últimos tempos. E não só por causa do gosto de champanhe de maçã que se desprendia dos lábios dele.
Quando ele se afastou, ela lhe deu um meio sorriso.
- Sinto te dizer, mas esse champanhe não tem álcool, então não tem como você se embriagar com ele.
- Como? Não tem álcool? – Romeu também sorriu. – Sendo assim, pode me devolver.
Ele a beijou de novo, de forma mais calorosa dessa vez. Julieta não se lembrava da última vez que em que havia se sentido tão viva.
E mesmo quando a música parou e eles foram bruscamente interrompidos por uma enfermeira que a levava para trocar as ataduras, ela sabia que tinha que vê-lo de novo.
- Senhora, quem é aquela moça e para onde a estão levando? – Perguntou Romeu para a Ama.
- Aquela é Julieta, foi trocar as ataduras dos pulsos. Normalmente eu faço isso, sabe, mas a enfermeira insistiu em examinar ela mesma. Os pontos já estão bem cicatrizados, logo vão cair e não restará mais do que uma linha quase invisível onde foram feitos os cortes. Minha menina é muito forte!
A Ama se afastou, indo atrás de Julieta, sem perceber a palidez de Romeu.
- Ela é uma suicida? – Murmurou ele, chocado. – Que preço alto a pagar! Agora minha vida pertence a alguém que já tentou acabar com a sua própria...
Benvólio se aproxima.
- Vamos, a festa já acabou.
- Acabou? Para mim começa agora!
Frei Lourenço trocou um olhar maroto com os rapazes, e se despediu deles, satisfeito.
Julieta, percebendo que a festa estava sendo encerrada, agarrou o braço da Ama.
- Ama, corra e pergunte ao Frei quem era o rapaz de touca, aquele com barba! Descubra também o que ele tem, se é suicida, se tem compulsão sexual ou o que! Vai rápido, ou eu juro que abro esses pontos agora mesmo!
Aquela ameaça bastou para que a pobre Ama corresse o mais rápido que suas pernas rechonchudas permitiam, e logo voltasse para junto da garota.
- E então? – Pressionou Julieta, impaciente.
- O Frei disse que o nome dele é Romeu, e que ele não deveria estar aqui. Escapou da vigília dos enfermeiros. – Ofegou a Ama. - É um dos esquizofrênicos, menina, embora o Frei tenha garantido de que não é perigoso.
- Como? Um louco? - O choque deixou Julieta transtornada. - Ah, meu único prazer nesse lugar, nascido do meu único desprezo!
Um esquizofrênico, ou seja, um louco! Como aqueles que corriam nus pelo jardim, ou babavam diante da TV da sala de visitas... Ela havia deixado um louco beijá-la, e havia gostado, e agora não conseguia tirá-lo da cabeça de jeito nenhum.
No fundo ela sabia, ela sabia que seu coração teimoso, que havia insistido em continuar batendo mesmo quando ela tentou pará-lo, não entendia nada sobre loucura ou lucidez.


2 comentários:

  1. Aaaaaaaaah!!!!! Giovanna que incrível!!! Sério, você está escrevendo cada vez melhor, estou ficando apaixonada!
    Adorei essa ideia! Com certeza vou acompanhar essa Julieta incrível e esse Romeu... *-* (Todos os Romeu s me deixam sem fala hahahha!)

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  2. Obrigada, Carla *--*
    Também sou louca por Romeu e Julieta, e estou amando escrever essa versão ;)

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