quarta-feira, 30 de setembro de 2015

MALDITO ROMEU! - ATO II

Na volta para o dormitório, Mercúcio e Benvólio conversavam animados, mas Romeu ia ficando cada vez mais para trás.
Romeu estivera preocupado com Benvólio. Era quase um milagre que ele tivesse saído do prédio sem ter tido nenhum ataque de pânico. Mas agora ele estava com Mercúcio, a caminho do quarto. Estava seguro.
Hesitou, mas acabou se voltando para as varandas do prédio ocupado pelas pacientes mulheres. Os quartos ficavam no segundo andar, não?
- Como posso ir embora – Romeu murmurou para si mesmo. – Se o meu coração está aqui? Dá meia volta, corpo meu. E encontra o teu centro, o teu coração, fora de mim...
Sem deixar os amigos o notarem, se escondeu atrás de um denso arbusto. Não havia contado nada a eles sobre Julieta.
- Onde está Romeu? Será que está perdido? – Benvólio sussurrou assustado, quando se deu conta de que o amigo não os seguia mais. – Ah, eu sabia que não deveríamos ter saído, eu sabia!
- Sem drama, Benvólio. – Pede Mercúcio. – Romeu deve estar atrás de sua Rosalina. Vamos embora, para nossas camas. Com sorte ele vai encontrar o caminho para a cama dela.
- Bom, se o amor é cego, o escuro lhe cai bem. – Concluiu Benvólio, cujo desejo de se encontrar bem fechado entre quatro paredes o quanto antes era maior do que a preocupação com o amigo.
Romeu os ouviu se afastando.
- Só ri de agulhas quem nunca sentiu na própria pele uma tatuagem! – Observou.
Saltou pra fora do arbusto, a procura de onde seria o quarto da garota que fatalmente, ele sabia, era agora a dona do seu coração.
Enquanto isso, Julieta percebia que era um esforço inútil tentar dormir. Rolara na cama algumas vezes, inquieta.
A Ama roncava alto no quartinho auxiliar ao lado.
Decidiu respirar um pouco de ar puro. Sabia como desligar o alarme da janela da varanda, para que não disparasse assim que ela a abrisse.
Saiu para a sacada, sentindo o ar da noite.
Como que por capricho do destino, Romeu passava ali naquele minuto. Se escondeu, achando que havia sido descoberto, mas logo viu que se tratava de Julieta.
Seu coração disparou no mesmo instante.
Mas que luz é essa? É Julieta, mais pálida e luminosa do que a Lua! Duas estrelas devem ter emprestado o brilho aos seus olhos. Do contrário, seus olhos no céu, os astros seriam apagados como a luz do dia faz com a luz dos celulares...
No entanto, o encanto foi quebrado quando Julieta abriu a boca, em um dos seus monólogos de reclamação.
- Maldito Romeu! – Exclamou, para a escuridão dos jardins, trincando os dentes. – Porque ele tinha que ser justo um louco varrido?
Romeu franziu o cenho, indignado.
Ora! Que atrevimento! Agora eu queria ser uma luva em sua mão, para dar um tapa naquela cara!
Mas, por sorte, Julieta não sabia que ele estava ali, tampouco podia ler seus pensamentos, então continuou a falar sozinha, dessa vez em um tom mais brando.
- O que é a esquizofrenia, afinal, além de uma doença? Ele deixaria de ser o Romeu que me beijou tão docemente se não fosse esquizofrênico? Ou os seus olhos só tinham aquele brilho por serem os olhos de um lunático? Uma rosa sem espinhos continuaria sendo rosa, mas seria melhor ainda. Romeu, abandona os delírios, que não são parte de você, e fique comigo inteira...
Romeu não se conteve.
- Sim, eu aceito sua proposta! – Exclamou. – A partir de agora não sou um esquizofrênico, sou apenas louco de amor por Julieta!
Julieta ficou muda com a surpresa por alguns segundos.
- Quem está aí? – Perguntou. – Quem é o covarde maníaco e psicopata que fica escutando as ponderações dos outros?
- Então de louco varrido já passei para maníaco e psicopata?
Julieta sentiu o rosto arder.
- Oh, my fucking God! Só ouvi uma meia dúzia de bobeiras saindo da sua boca, mas já consigo reconhecer a sua voz! É Romeu, o esquizofrênico?
- Nem uma coisa nem outra, se te desagrada. – Respondeu Romeu, saindo de trás da árvore onde se escondia.
Julieta teve vontade de entrar e fechar a janela na cara dele, de tão irritada e envergonhada que estava, mas a curiosidade venceu.
- Por que você está aqui? Como passou por aqueles arbustos altos e espinhentos?
Romeu sorriu.
- Com asas de Red Bull voei sobre eles, pois não existem barreiras para o amor, nem para os energéticos!
Ela não pôde evitar sorrir, embora tentasse esconder.
- Mas me diga porque está aqui. Quer que os enfermeiros te peguem e te coloquem em uma camisa de força?
Romeu começou a escalar a escada de emergência do lado da varanda.
- Não me importo com eles. Eu só queria te ver.
- Me ver? Não podia ter esperado até amanhã?
- E ficar rolando na cama, agoniado? Creio que não.
Julieta o ajudou a se sentar no parapeito da varanda, sem encará-lo, e depois se afastou para o lado oposto.
Ele falava de forma bastante coerente, não estaria delirando, estaria? Apesar de que aparecer ali na janela dela no meio da madrugada fosse um comportamento tão romântico quanto psicopata, deduziu ela, sentindo um leve calafrio na nuca.
- Julieta, precisamos conversar.
Ele havia pulado para dentro da sacada, e foi até ela, segurando-a pelo queixo.
- Julieta, eu sei sobre as feridas que você traz nos pulsos.
Ela bateu na mão dele, desafiadora.
- Você não sabe de nada sobre mim.
- Não, eu não sei. – Concorda ele. – E sou um cara apaixonado pela vida, grato pela luz do sol, e não sei o que levaria uma garota tão linda e tão jovem a querer acabar com a própria existência...
Ela deu as costas a ele, irada. Outra vez aquele papo? Quantas pessoas já a haviam alugado com aquela história? Ah, Romeu era só mais um cretino que achava que poderia julgá-la, que achava que entendia alguma maldita coisa!
- No entanto, tenho certeza de que você teve motivos dentro de você para fazer o que fez. – Continuou ele. - A vida é dura, e às vezes medonha, e é assustador se sentir sozinho. Nossas gargantas se cansam de tanto gritar, e ninguém ouve, e fica tudo tão confuso e difícil e...
- E somos devorados por dentro. – Completou ela, voltando a encará-lo.
Ela foi até ele e o abraçou com uma firmeza inesperada.
- É, eu sei... – Sussurrou ele, passando a mão pelo cabelo dela. – Julieta, você pode me achar louco, mas eu estou apaixonado por você. Eu não sei como, e está acontecendo rápido demais, mas eu quero ficar com você e curar suas feridas... É a única coisa pela qual vale a pena a minha própria vida no momento.
Romeu lhe deu a rosa que havia pego no jardim, e um beijo na bochecha dela.
Julieta deu um meio sorriso.
- Meu Deus, você fala tanta besteira... É mesmo um maluco de pedra. - Disse ela, antes de puxá-lo pela gravata para um beijo.
Romeu não hesitou, e a beijou como acreditava que uma dama merecia ser beijada, até que ela sugeriu, arfante, que ele entrasse.
- Não dá – lamentou ele. – Se eu não voltar logo, vão descobrir que eu saí, e vai ficar difícil conseguir vir te ver de novo.
- Tudo bem. – Assentiu ela. – Obrigada por ter vindo, de qualquer forma. Como faço para te encontrar outra vez?
Ele acariciou a bochecha dela, já com um pé na escada para descer.
- Mande uma enfermeira de sua confiança me procurar amanhã. Vou ver se arranjo um lugar discreto para nos vermos.
- Certo.
- Julieta, eu juro pela lua...
- Ah, não! – Interrompe ela. - Não jure pela lua porque isso é clichê, e o seu juramento vai ser clichê também.
Ele a encarou, confuso.
- Então pelo que devo jurar?
- Não jure por nada, nem por ninguém. Ou, se quiser, jure por você mesmo, que surgiu no meio dessa noite escura respondendo ao meu chamado, como se fosse o próprio Batman, só que sem máscara. Assim, eu creio.
 Romeu abriu um grande sorriso.
- Então você tem a minha palavra de Batman desmascarado.
- Agora vai, ou vão te descobrir. Boa noite. – Ela beijou a ponta dos próprios dedos e depois os encostou nos lábios dele, antes de lhe dar as costas e voltar para o quarto, fechando a janela da sacada.
Romeu se permitiu dar um suspiro apaixonado.
Ele finalmente a havia encontrado.

***
Na manhã seguinte, Frei Lourenço resolveu averiguar como estavam as coisas no alojamento masculino. Concluiu, com certa satisfação, que tudo andava nos eixos, e que não haviam descoberto a fuga dos rapazes na noite anterior.
Estava passando pelo refeitório quando Romeu veio até ele, afoito. Uma sombra se passou pelo rosto do Frei ao notar as olheiras profundas do rapaz.
Depois do que aconteceu à pobre Rosalina, por quem Romeu morria de amores, temia que o rapaz tivesse uma recaída.
Mas Romeu lhe sorriu.
- Bom dia, meu bom padre!
- Bom dia, Romeu. Acordou cedo, hoje. Como vai?
- Melhor do que nunca...
- Me corrija se eu estiver errado, mas parece que você não dormiu muito bem essa noite. – Comenta o Frei.
- Está certo. Mas tive a melhor das noites, Frei!
O senhor se alarmou, levando a mão automaticamente até o crucifixo no pescoço.
- Como assim? Isso não tem haver com... Rosalina, não é? – Perguntou, cauteloso.
- Rosalina? Eu já esqueci esse nome. Devo aceitar que ela não me ama e seguir em frente, como o senhor mesmo disse!
O Frei suspirou, com certo alívio. Parecia que Romeu ainda não sabia...
- Por onde andou, então, meu filho?
- Conheci a verdadeira dama da minha vida, Frei. Virei a madrugada trocando beijos e promessas, porque estou encantado por ela e sou correspondido!
- Por Jesus Cristo! Que mudança é essa? De quem está falando?
- Eu falo de Julieta, Frei Lourenço. A linda e deprimida Julieta, cujo coração eu pretendo animar. Sei que parece um delírio, mas é a verdade.
O Frei coçou a cabeça grisalha.
- Julieta? A moça com ataduras nos pulsos?
- Ela mesma. Não é a flor de cemitério mais linda que o senhor já viu?
Frei Lourenço estava cada vez mais confuso. Porém, viu naquela história um fio de esperança, e esse fio era lilás. Se Julieta, que insistia em se isolar em sua depressão, realmente correspondesse à paixão de Romeu, aquilo poderia fazer bem à recuperação da moça. Quanto a Romeu, ele sabia o quanto era importante para o rapaz encontrar alguém para amar, como nas histórias que ele lia, e era um alívio ver que ele não estava arrasado pela morte de Rosalina.
- Vamos, rapaz – disse, em fim. – Vamos tomar um belo café da manhã, e você poderá me contar melhor essa história.

***
Mercúcio esfregou os olhos, sentindo o gosto do próprio hálito matinal na boca. Gostava de fumar em jejum, mas seus cigarros haviam sido confiscados.
Benvólio estava comendo mingau de aveia na poltrona do quarto, e a cama de Romeu estava vazia.
- Onde se meteu Romeu? – Perguntou Mercúcio, coçando o bigode. – Por acaso deu algum sinal de vida enquanto eu dormia?
Benvólio balançou a cabeça negativamente.
- Ele não apareceu, passou a noite fora e ainda não voltou.
- Ah, é essa Rosalina raivosa e de coração de pedra que o atormenta, a ponto de deixá-lo quase tão louco quanto ela mesma!
Nessa hora Benvólio o encarou, preocupado.
- Mercúcio, tenho que te contar uma coisa. Rosalina não está mais aqui. Se suicidou ontem, escapou dos enfermeiros e se jogou do terraço do alojamento feminino durante a festa.
Mercúcio se sentou na cama em um pulo.
- Puta merda! Quem te contou isso?
- Foi Teobaldo, o Príncipe dos Gatos.
- E Romeu sabe?
Benvólio deu de ombros.
- Acho que não... Ou talvez tenha descoberto, por isso não voltou. Estou preocupado com ele. Talvez ele possa ficar mal de verdade quando souber...
Mal Benvólio fechou a boca, Romeu abriu a porta.
- Bom dia, cavalheiros.
- Bom dia, alma perdida. – Retrucou Mercúcio. – Posso saber por onde andou a noite toda?
Romeu sorriu.
- Estive na companhia de uma dama.
Benvólio e Mercúcio trocaram um olhar alarmado.
- E podemos saber de quem se trata?
Bateram na porta entreaberta do quarto.
Romeu voltou a abri-la, e a Ama ofegou, se abanando com as mãos.
- É você que é o Romeu? – Perguntou, arfante.
Os três rapazes se entreolharam.
- Sim, sou eu, na falta de outro pior. Em minha defesa, não tomei a medicação da manhã porque já me sentia muito bem disposto.
A Ama fez um sinal de pouco caso, entrando no quarto e agarrando Benvólio pela camiseta, tirando-o da poltrona como se fosse um saco de batatas, para em seguida acomodar seu quadril largo.
- Sua medicação não é da minha conta, embora eu deva dizer que não é uma atitude sensata não tomá-la. Ah, que cansaço! Procurei por você pelo hospital inteiro, rapaz!
- E o que a senhora quer comigo? – Perguntou Romeu, o que arrancou risadinhas de Mercúcio e Benvólio.
- Quero lhe falar em particular. – Declara a ofegante mulher.
- Vamos, Benvólio – declara Mercúcio, com ar afetado – Está claro que essa senhora não nos quer aqui, embora ela tenha invadido o nosso dormitório.
- Invadido? Eu bati na porta, mocinho! – Defende-se a Ama.
- Na verdade, quase a arrombou com suas poderosas ancas! – Ri Mercúcio. – Deve ter confundido o hospital psiquiátrico com um asilo, minha boa senhora.
A Ama o xingou, atirando os objetos que estavam a seu alcance na direção de Mercúcio, mas ele e Benvólio fecharam a porta do quarto antes que pudessem ser atingidos por uma meia suja.
- Por Deus... Quem era aquele rapaz sem vergonha? – Pergunta ela, se dirigindo a Romeu.
- Aquele é Mercúcio, um rapaz que em um minuto afirma mais coisas do que poderia fazer em um mês, para no minuto seguinte se contradizer. Mas não o leve a mal, ele vem travando uma verdadeira luta contra sua bipolaridade.
A Ama resmungou algo, antes de dar um pigarro.
- Bom, vou ser direta. Vim até aqui porque a menina Julieta insistiu muito para que eu lhe trouxesse um recado.
O rosto de Romeu se iluminou.
- Julieta? Que recado ela me manda?
- Espere aí... Antes que eu diga, quero saber por mim mesma quais são suas intenções, moço. Conheço Julieta e sei do momento difícil pelo qual ela está passando. Então se o senhor for apenas um garoto dissimulado que está brincando com ela, é melhor não se aproximar mais, ou lhe darei um belo safanão!
Romeu se segurou para não rir daquela ideia, e ergueu uma mão, colocando a outra sobre o peito.
- Senhora, eu juro com toda a minha lucidez que...
- Ah, que lindeza. Vou dizer a ela, e ela com certeza vai ficar satisfeita. Está bem. Vamos ao recado.
- Não vai me deixar terminar?
- Não. Se falou em lucidez, deve estar lúcido o bastante para me ouvir. E tenho pressa, Julieta deve estar impaciente e não posso atrasar seus remédios.
A Ama pigarreou e se aprumou na poltrona.
- Julieta me mandou dizer que quer vê-lo hoje, mas que não poderá ser durante o banho de sol da tarde, porque ela tem que ver o psiquiatra nesse horário.
Romeu sorriu, inflando o peito.
- Pois diga a Julieta que vá até a capela do Frei Lourenço após a consulta. Eu estarei lá.
A Ama assentiu, se levantando.
- Muito bem, rapaz. Cuide-se, heim?
- Pode deixar. E a senhora cuide de Julieta por mim, enquanto eu não puder fazê-lo.
***
No quarto, Julieta esperava.
Uma enfermeira estava sentada em uma das cadeiras, folheando uma de suas revistas. A garota normalmente não gostava quando a Ama saia, deixando-a com as enfermeiras mal humoradas do hospital, mas hoje ela mesma insistira para que a Ama procurasse por Romeu.
Julieta havia ligado o som do quarto. Fazia tempo que não ouvia música, e a festa da noite anterior a havia inspirado a procurar por mais The Killers. E agora ela escutava Romeo and Juliet enquanto esperava pelo retorno da Ama.
Como ela está demorando! Exclamou em pensamento, tamborilando os dedos impacientes na escrivaninha. Os mensageiros do amor deveriam ser como o pensamento, mais rápidos do que conversas pelo whatsapp. Que droga esse hospital não liberar a senha do wifi!
Finalmente a Ama entrou no quarto, e Julieta avançou para ela, ansiosa.
- E então, o que ele disse? Mande a enfermeira embora!
A enfermeira lançou um olhar frívolo para Julieta antes de largar a revista e sair do quarto.
A Ama se sentou no lugar dela, ofegante.
- E então? E então? – Pressionou Julieta.
- Calma! Me deixa descansar um segundo. Meus ossos doem...
- Ah, queria que você tivesse os meus ossos e eu tivesse as suas notícias! Fale logo!
- Julieta, não vê que eu estou sem fôlego?
- Como está sem fôlego, sem tem fôlego pra dizer que está sem fôlego? – Julieta era a impaciência em pessoa. – Que enrolação! O que Romeu disse? Por acaso ele nem se lembra de mim, é isso? Foi tudo um delírio dele?
A Ama balançou a cabeça negativamente.
- Não seja tão dramática! Ele concordou em te ver hoje. E pareceu feliz só de ouvir o seu nome, menina!
Julieta corou, se afastando da Ama com um meio sorriso.
- Ah, que bobagem – disse, para disfarçar a própria empolgação. – E onde vamos nos encontrar?
- Ele disse que vai te esperar na capela do Frei Lourenço. Vá para lá depois da sua consulta, e eu vou aproveitar para descansar um pouco...
- Na capela? – Indagou Julieta. – Bom, o que eu esperava, afinal? Não acho que haja um restaurante ou cinema para nos encontrarmos em um hospício. Que seja. Vou me vestir.
- Porque não usa o vestidinho branco rendado que a sua mãe te mandou? – Sugere a Ama.
Julieta ri, franzindo a testa.
- O que pensa que eu sou? Uma noiva? Me ajude a achar o meu top, aquele com uma caveira na frente!

***
Frei Lourenço terminou suas orações vespertinas e observou Romeu andando de um lado para o outro na entrada da capela, mascando um chiclete e com uma rosa vermelha nas mãos.
Havia dito ao rapaz que levasse Julieta até lá na primeira oportunidade, pois queria conhecê-la. Mas a verdade era que o Frei ansiava por saber o que realmente se passava entre os dois, e se perguntava se a moça realmente viria.
- Se acalme, Romeu. Ela deve estar para chegar. – Diz o Frei, pois se preocupava mais em ser consolador do que sincero.
- Ah, padre... Eu só quero segurar as mãos dela de novo e poder chamá-la de minha!
- Seja menos ansioso. Lembre-se de que as alegrias violentas têm fins violentos e morrem em seu triunfo. Assim como balas Mentos e Coca-Cola, que se consomem ao se beijarem...
Romeu se voltou para a fachada da capela, com anjos barrocos esculpidos, pensativo. Então o Frei viu a jovem de cabelos lilases se aproximar por trás dele, tampando-lhe os olhos, com um sorriso.
Era Julieta, e Frei Lourenço teve certeza de que ela parecia mais saudável, mais corada, e que, principalmente, nunca a havia visto sorrir antes.
Os dois se abraçaram e se beijaram com tal entusiasmo, que o Frei, constrangido, se viu obrigado a dar uma leve tossida para lembrá-los de sua presença.

***
“A love struck Romeo, sings the streets a serenade
Laying everybody low, with a love song that he made
Finds a street light, steps out of the shade
Says something like, 'You and me babe, how about it? '”

(Um Romeu apaixonado, canta para as ruas uma serenata
Acalmando todo mundo, com uma balada que ele escreveu
Encontra uma luz, sai da sombra 
Diz algo como: "Eu e você querida, o que você acha?")

Os dois estavam sentados em um banco em frente à capela, cobertos pela sombra do pé de azaleias. Julieta cantava a música que havia escutado naquela manhã, e vez ou outra uma pétala de flor caia no cabelo dela.
Romeu conhecia a canção, e a acompanhou.

“Juliet, the dice was loaded from the start
And I bet, then you exploded into my heart
And I forget, I forget, the movie song
When you gonna realize
It was just that the time was wrong, Juliet?”

(Julieta, o dado estava lançado desde o começo
E eu apostei, então você explodiu dentro do meu coração
E eu esqueço, esqueço, a canção do filme
Quando você vai perceber
Que foi só a hora que estava errada, Julieta?)

- Eu estou feliz por finalmente ter te encontrado. – Declara ele.
- Como assim? – Indaga ela, tirando uma pétala que havia caído em seus cílios, grudando no rímel.
- Eu sempre sonhei em encontrar a minha dama, e lutar por ela, e lhe dedicar minhas vitórias... Porque é isso que faz um herói. E eu venho tentado ser um herói da maneira mais difícil...
Julieta percebeu um brilho diferente nos olhos dele, como se Romeu estivesse com febre, mas não se afastou.
Delicadamente, passou a mão pelo rosto dele, sentindo a aspereza da barba.
- Meu querido, acho que devemos voltar. Já deve estar na hora dos seus remédios. 

CONTINUA

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3 comentários:

  1. Conheço a história de Romeu e Julieta e sou apaixonada por cada detalhe que sei, mas ainda não tive a chance de ler a peça. :( estou procurando por uma edição em especial, então talvez eu ainda demore um pouco, hahaha, mas me diga, eu achei algumas coisinhas familiares nesse capítulo! Tem alguma frase da peça? Ou características dos personagens?? Eu estou amando sua história! Você tem uma criatividade incrível! Nunca imaginei Romeu e Julieta assim e estou amando!!!!
    E sim, preciso falar que essa ilustração no começo do capítulo esta linda demais!!!
    E sim: continua logo, ppooooooor favor!!! *-----*

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    1. Me pedir para esperar por continuações de Romeu e Julieta é um ato de pura maldade. Meu coração não aguenta! Hahahahha

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    2. Carla, eu já li várias adaptações de Romeu e Julieta, prosa e teatro, então sim, eu adaptei muitas falas e frases do original ;)
      Eu me guiei pela peça em PDF nesse link:
      http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/romeuejulieta.pdf

      Pode deixar que logo vou postar outro capítulo, já tenho até a ilustração pronta ;)

      Muito obrigada pela visita e pelos comentários, de coração. Eu escrevo cada texto e faço cada desenho com muito carinho, muita paixão... Porque esse blog é como se fosse minha segunda casa e ao mesmo tempo um pedaço de mim <3

      Beijão! :*

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