quarta-feira, 21 de outubro de 2015

MALDITO ROMEU! - ATO V


Romeu acordou tarde naquela manhã.
Os novos remédios o deixavam sonolento, apesar de úteis para manter as vozes detestáveis caladas, adormecidas dentro de sua cabeça como lembranças distantes.
Se espreguiçou, cumprimentando o enfermeiro que jogava palavras cruzadas na mesa do quarto, e foi para o chuveiro.
A solitária não era tão terrível quanto ele havia imaginado. A psiquiatra parecia entendê-lo. E o enfermeiro que chegava a tarde jogava damas com ele.
Apesar da falta de privacidade e da saudade que sentia dos amigos, o sol entrava no quarto através de leves cortinas amarelas, e o ar passava pelas grades como em uma gaiola.
Até mesmo hoje, que o céu estava cinza e a chuva caia sem parar, era bom sentir o ar refrescante e úmido circulando pelo quarto.
Romeu concluiu que a solitária seria tolerável se não fosse a desesperadora falta que sentia de Julieta.
Todas as manhãs ela era a primeira coisa na qual ele pensava assim que abria os olhos.
Naquela mesma noite havia sonhado com ela. Um sonho que o deixara leve, como se estivesse ainda meio dormindo.
Se algum dia ele houvesse duvidado de que a amava, aquela dúvida teria terminado ali. Não vê-la estava se tornando um desafio em todos os sentidos.
Como é doce o amor em si mesmo, pensou ele, ao se vestir. Quando até um sonho torna a vida açucarada.
O enfermeiro estava dormindo em cima do caderno de palavras cruzadas, ainda com a caneta na mão.
Romeu suspirou, se aproximando da janela, quando escutou alguém entrando.
Se virou, achando que era outro enfermeiro que havia lhe trazido a primeira dose de remédios e o café-da-manhã, mas deu de cara com Mercúcio, vestido de branco dos pés a cabeça e usando uma máscara cirúrgica com um bigode desenhado, como se tentasse substituir o que havia perdido.
- Bom dia, meu camarada – diz, com a voz abafada pela máscara. – O que acha do meu disfarce?
Romeu sorri.
- Se sua intenção era se passar por enfermeiro, é um péssimo disfarce. Mas caso queira parecer um maluco tentando fugir do manicômio, merece um prêmio.
- Você está com inveja! Além disso, consegui chegar aqui sem ser notado, não foi?
- Mercúcio, os enfermeiros aqui usam uniforme azul claro. – Diz Romeu, indicando o enfermeiro adormecido com o queixo. – Mas fico feliz em te ver. Venha, me conte as novidades antes que ele acorde. O Frei veio na segunda, mas não pôde ficar muito. Como está Benvólio? E a recuperação de Teobaldo? Ah, e a minha amada, a moça que eu amo? Sei que ainda não os apresentei, mas o Frei te falou dela? Como ela está? Nada pode estar mal se ela estiver bem...
Mercúcio coça o queixo, hesitante, lembrando-se de Rosalina.
- Então ela está bem, e nada pode estar mal. – Responde, em fim. – Seu corpo dorme e sua alma está em paz.
- O que quer dizer?
Mercúcio se senta.
- Sente-se também, Romeu. Eu não acho certo esconder a verdade de você, por mais dura que seja.
- Mercúcio, estou tremendo...
- Sinto muito, meu amigo. Sua amada foi dominada pela loucura e se atirou do telhado. Já faz algum tempo. Eu deveria ter te contado antes.
Romeu cerrou os punhos, arregalando os olhos.
- Isso é mesmo verdade? Ela se suicidou?
Mercúcio assente, pesaroso.
- E detesto ser eu quem traz as más notícias, mas sua Rosa não aguentou as intempéries da loucura e decidiu se despetalar.
Romeu ainda estava em choque.
- Eu preciso vê-la.
- Romeu...
- Eu preciso vê-la! – Explodiu ele. – Estrelas, eu as desafio!
O enfermeiro que cochilava acordou em um pulo, vendo Mercúcio diante de si.
- Hey, o que está fazendo aqui? – Exclamou, abrindo a porta. – Dê o fora! Romeu não pode receber visitas até...
Mas ele não conseguiu terminar de falar, pois Romeu o empurrou e correu para fora do quarto.
- Julieta, essa noite me deito contigo!
Mercúcio olhou para o enfermeiro caído no chão, ambos surpresos.
- Mas quem diabos é Julieta? – Perguntou o rapaz, coçando o bigode desenhado na máscara, por força do hábito.

***
Frei Lourenço se ajoelhou, cansado, para fazer suas orações.
Havia ficado junto de Julieta na enfermaria naquela manhã. A moça estava bem, e dali algumas horas acordaria. Agora, quase na hora do almoço, havia retornado à capela para seus deveres.
- Desculpe interromper, padre – diz uma enfermeira, parada à porta da capela. – Mas o senhor viu Mercúcio hoje?
O Frei esfregou as têmporas, cansado.
- Não, não o vejo faz um certo tempo. Não está com Benvólio?
- Não, por isso mesmo eu vim. Benvólio teve um ataque de pânico hoje de manhã. Os médicos conseguiram acalmá-lo, mas acham que seria bom se ele tivesse companhia.
- Como? Benvólio não saiu hoje? – Indaga o Frei. – Achei que ele fosse visitar Romeu...
- Não, Frei. O menino fica apavorado quando chove, e não quis sair da cama de jeito nenhum.
Frei Lourenço se levanta mais do que depressa, tentando não aparentar seu nervosismo.
- Bom, vou eu mesmo visitar Romeu, então. Ele precisa de companhia.
- O senhor não quer esperar a chuva diminuir um pouco?
Frei Lourenço suspira.
- Temo que essa tempestade não vá. acabar tão cedo.

***
Páris entrou no quarto de Julieta.
Agora ela apenas dormia, mas estava assustadoramente pálida.
Olhou, com pesar, para as malas feitas da moça, abandonadas no chão. Ele havia chegado naquela manhã esperando despertá-la com beijos e de levá-la com ele para longe de qualquer amargura ou tristeza. Queria que Julieta fosse feliz. Queria fazer dela sua esposa.
Mas a sombra do suicídio havia chegado antes dele mais uma vez. Ele já não entendia Julieta. Não era como antes. Parecia que ela havia escolhido ser noiva da morte, e não dele.
As flores que ele trouxera, em meio ao pânico de vê-la inconsciente e a pressa de levá-la para a emergência, haviam ficado caídas no chão.
Suspirou, pegando o buquê.
Rosas brancas dessa vez. Compradas em uma floricultura, e não arrebatadas do cemitério. Páris estava tentando de verdade.
- Minha doce dália negra, flores brancas eu espalho em seu leito – diz ele, espalhando as pétalas sobre os lençóis de Julieta. – Oh, dor, parece que nosso amor foi transformado em pó e pedras. Devo chorar de alegria por você estar viva ou de tristeza por você ter tentado me abandonar de novo?
Ele segura a mão dela, mas não houve sinal de reconhecimento.
- Ela parece tão serena, não é mesmo?
A Ama estava parada à porta, com os olhos inchados depois de tanto chorar.
Páris apenas assente, se afastando da cama.
- Vou fazer um chá de camomila para acalmar meus nervos. – Diz ela, em tom solene. – Quer alguma coisa?
- Não, eu já vou. – Declara Páris, lançando um último olhar para Julieta. – Volto quando ela acordar.
Ele acompanhou a Ama até o andar inferior, e lá se separaram. Páris seguiu pelo jardim, tentando evitar as poças de lama, abrindo um guarda-chuva preto e desconcertantemente grande.
Um clarão provocado por um raio o fez estremecer.
Páris se deu conta de que a havia perdido para sempre. Julieta preferia morrer a estar com ele. E aquela rejeição o massacrava, quase mais do que a preocupação com o bem estar dela. Quase.
Viu um rapaz passar correndo por ele, encharcado pela chuva torrencial.
Tinha a expressão vazia e seguiu direto para uma das escadas de emergência do prédio.
- Deve ser mais um louco que escapou. – Páris diz para si mesmo, com desprezo. – Esse hospital é mesmo fraco no quesito segurança...
Observou sem se alterar o maluco começar a escalar uma das escadas, até perceber que aquela sacada deveria ser a do quarto de Julieta.
- Hey! O que está fazendo?
O louco se virou, espantado, como se tivesse sido tirado de um transe.
Olhou para baixo e viu um rapaz loiro e pálido, todo de preto, observando-o embaixo de um guarda-chuva enorme.
- Meu nome é Romeu. – Disse, limpando a garganta, tentando falar mais alto do que o barulho da chuva nas telhas. – Procuro por Julieta.
Páris franze a testa.
- Ah, foi você quem queimou o rosto de Teobaldo. Por sua causa Julieta fez o que fez! E agora tem a audácia de tentar invadir o quarto dela e perturbar seu descanso? Tenho que me conter para não te dar uma surra!
Romeu morde o lábio inferior.
- Te aviso para não se intrometer. Devo morrer, mas não sem antes me despedir dela.
Páris xinga, agarrando a perna de Romeu.
- Desça agora mesmo daí! Vou chamar os enfermeiros para que te coloquem numa camisa de força!
- Estou dizendo – Romeu range os dentes, tentando se soltar. – Me deixe em paz, e mais tarde poderá dizer que a misericórdia de um louco fez com que você fugisse.
Páris dá de ombros
- Rejeito o seu pedido e o declaro aqui preso, como um criminoso.
- Então enfrente as consequências – Romeu suspira, antes de dar um chute que acerta em cheio o nariz arrebitado de Páris, fazendo o sangue jorrar.
- Meu nariz! Você sabe quanto custou esse nariz? – Berra ele. – Ao menos tenha piedade, e poupe minhas mandíbulas!
Romeu se detém, encarando-o.
- Meu Deus... Você é tão patético que só pode ser o tal do Páris, o ex-namorado de Julieta! – Diz, antes de continuar a escalada ainda com mais urgência.
Nem mesmo a chuva fria ou as barras escorregadias da escada poderiam impedi-lo.
Quando finalmente chegou à varanda, Romeu parou diante da janela.
Primeiro viu o quarto de Julieta, tão impessoal, com malas e caixas empilhadas, sem nenhum pertence da garota a vista.
E depois ela, minúscula naquela cama, as mãos acima do peito, coberta por lençóis e pétalas de flores como se já estivesse no próprio velório.
Romeu colocou as mãos sobre o vidro da porta trancada, com a sensação de estar anestesiado.
- Ah, meu amor, minha Julieta... – Sussurrou. – A morte, que levou sua alma, não conseguiu causar nenhum estrago na sua beleza... Seus lábios ainda parecem cheios de vida, se eu pudesse os beijaria uma última vez...
Ele voltou a forçar a maçaneta, mesmo sabendo que era inútil.
- Julieta, a morte deve ter se apaixonado por você, depois que a viu de perto pela primeira vez, e eu não pude protegê-la dela quando essa tirana resolveu voltar. – As lágrimas rolavam em uma enxurrada pelo rosto de Romeu, misturando-se à chuva, como se o céu estivesse chorando com ele. – Agora você está aí, linda mesmo sem vida, prisioneira da escuridão eterna. Lembra quando eu te disse que amava a vida? Pois eu descobri que não existe vida sem você, não existe vida com a dor e a culpa por tê-la perdido. Minha amada, eu me juntarei a você em breve!
Não havia nenhuma voz em sua cabeça daquela vez. Nem mesmo elas conseguiriam fazer Romeu se sentir pior do que já estava.
O que havia dentro dele, da cabeça ao coração, era um vazio tão grande, tão doloroso e tão insuportável que ele mal conseguia respirar.
Será que era assim que Benvólio se sentia quando tinha um ataque de pânico?
E aquela dualidade, aquela vontade de chorar, de gritar, de esmurrar o vidro, de desaparecer, era isso que deixava Mercúcio tão transtornado em sua bipolaridade?
Não, concluiu Romeu. É assim que Julieta deve ter se sentido quando decidiu se matar.
Se aquele abismo de solidão, desesperança e dor que ele via quando tentava olhar para frente era real, morrer não era uma ideia tão assustadora.
Agora eu a entendo perfeitamente, minha amada.
Colocou a mão no bolso, sentindo o frasco de sedativo frio contra sua pele. Um remédio muito eficaz na dosagem certa, mas equivalente a um veneno letal se bebido de uma vez.
Romeu ofegou, embaçando o vidro da janela diante de si.
Teria que se apressar, pois Páris já deveria tê-lo dedurado, e logo o prenderiam na solitária de novo.
E então ele iria ser obrigado a continuar vivendo em um mundo onde Julieta se matou.
- Julieta, eu já estou morto! – Grita ele. – Morri quando você morreu. Irei apenas oficializar as coisas. Se existe mesmo um paraíso, irei encontrá-la. Bebo à você, amada!
O líquido amargo e incolor não tinha gosto ao descer pela garganta de Romeu.
Suas mãos tremiam, sacudindo as vidraças quando voltou a se apoiar no vidro.
- Já consigo sentir os efeitos – murmura Romeu. – Nos veremos em breve, Julieta. Vou imaginar agora que o abraço da morte é o seu abraço...
Ele se deixa cair sentado, ainda apoiado na porta.
Sente o vidro frio pressionado contra sua boceja.
Sente a chuva penetrar suas roupas, escorrer pela nuca, encharcar os tênis.
Depois não sente mais nada.

***
Julieta abre os olhos, com muito esforço.
Sua cabeça dói, e seu corpo não lhe obedece.
Parece até que ela não tem ossos. É uma coisa flácida, caída na cama, sem conseguir mover um único membro, como se tivesse virado uma boneca da noite para o dia.
A luz entrava pelo quarto, mas não havia sol.
Que horas eram?
Escuta o barulho da chuva, e sente o cheiro de grama molhada e terra úmida.
Quem havia aberto a janela?
-Frei Lourenço? – Murmura ela.
O padre arrastava alguma coisa para dentro do quarto.
Alguma coisa pesada.
- Frei Lourenço? – Repete Julieta, um pouco mais alto dessa vez. Até sua língua estava pesada, lânguida.
O Frei se sobressalta, erguendo a cabeça.
- Julieta! Fique deitada! Eu vou chamar um médico para tentar reanimá-lo.
Mas Julieta não entende.
Reanimar quem?
Ela se senta na cama, e sua cabeça gira.
- Acho que vou apagar de novo – sussurra. – Pode me dar um copo de água?
Mas o Frei não a escuta, já saiu porta a fora.
- Vou dizer para a Ama vir cuidar de você!
Julieta obriga os olhos a focalizarem o chão.
E um grito fica preso em sua garganta seca ao perceber que ali, pingando água, deixando uma mancha escura e úmida no carpete, está Romeu.
Era ele a coisa pesada que o Frei arrastara para dentro do quarto.
Julieta se levanta, se esquecendo de que não tinha mais controle sobre seus membros, e caí de joelhos no chão.
- Não posso, acreditar, não posso! – Murmurava, desesperada, se arrastando até ele. – Romeu! Romeu!
Ela o sacudiu, gentilmente, e depois grosseiramente.
- O que é isso? – Indaga, ao abrir a mão direita dele e encontrar um frasco vazio de sedativo. – Ah, vejo que overdose foi o seu fim prematuro... O que você fez, Romeu? – Soluça ela, trêmula. – Vejo que nem deixou um último gole pra mim... Terá ainda algum vestígio desse veneno na sua boca?
Julieta o beija, suas lágrimas caindo no rosto dele, misturando-se às suas próprias.
- Seus lábios estão quentes! – Exclama ela, caindo em um choro convulsivo. – Maldito Romeu! Por que fez isso? O que vou fazer agora?
Julieta levanta os olhos para o banheiro, ciente de que a qualquer momento os médicos chegariam.
Levariam Romeu e a deixariam sob vigilância pelo resto dos seus dias.
Não havia tempo.
Correu até o cubículo apertado e trancou a porta.
Rasgou com os dedos as ataduras dos pulsos e pegou a gilete em cima da pia. Havia convencido a Ama, há dias atrás, de que estava bem o suficiente para voltar a depilar as pernas sozinha.
Os pulsos deveriam ser abertos de novo, e agora a garganta também. Sem dó dessa vez. Sem tremer. Teriam que ser cortes fundos o suficiente...
- Ah, lâmina infeliz! Dessa vez, enferruje com o meu sangue e deixe-me morrer!
Abriu o primeiro pulso com um grito, e o sangue escorreu quase no mesmo instante, manchando a pia branca de vermelho, e ela teve a impressão de sentir o gosto de ferrugem.
Se preparou para o segundo corte, mas se deteve.
A visão de Romeu caído, molhado e ainda quente no tapete não a queria deixar.
Abriu o chuveiro e escancarou a porta.
Ela precisava tentar...
Foi até Romeu e começou a arrastá-lo na direção do banheiro, ciente de que não ia demorar para que alguém chegasse.
- Como você está pesado, meu amor – murmurou ela. – Diga que isso é um sinal de que sua alma cheia de bondade ainda está aí...
Ergueu Romeu o melhor que pode, entrando embaixo do chuveiro com ele.
- Você me prometeu tudo. Você me prometeu estar aqui no bom e no ruim. – Disse ela, trincando os dentes enquanto procurava com os dedos o caminho até a garganta dele. – Você acha que pode me deixar assim, agora?
Ela usou uma força que não sabia que tinha para pressionar o estômago dele com o braço que o apoiava.
- Não posso fazer tudo, mas faço qualquer coisa por você! – Continuou ela, desesperada, ao senti-lo dando os primeiros espasmos. – Não posso fazer nada, exceto te amar!
Romeu vomitou.
Com um engasgo e uma convulsão pra frente, o remédio em dose letal escorreu pelo ralo.
Julieta chorou, agarrando-se a ele.
- Nunca mais pense em me assustar assim de novo! – Grita ela, vendo-o abrir os olhos e lavar a boca com a água quente. – Você disse que faria as estrelas comigo, a qualquer hora, lembra?
Romeu a encarou.
Ainda estava tonto, e não entendia onde estava nem o que havia acontecido. Apenas estava ciente de Julieta, bem ali ao seu lado, ambos encharcados até os ossos, porém vivos, mais vivos do que nunca.
- Juliet I'd do the stars with you, anytime… - Cantou ele, com a voz rouca e baixa, acariciando o queixo dela.
Julieta fechou os olhos, ainda chorando.
Os dois estavam caídos no chão, abraçados, com o chuveiro ainda ligado derramando água quente para todos os lados, e quando os enfermeiros chegassem, acompanhados de um Frei se sentindo culpado e uma Ama histérica, seria um verdadeiro caos.
Mas Romeu estava vivo, o que mais importava?
- Me desculpe – sussurrou ele. – Me desculpe por ter te abandonado. Tudo o que eu fiz foi manter a ilusão, e as más companhias.
- E tudo o que eu fiz foi sentir sua falta e o jeito como éramos antes. – Responde Julieta. – Eu não tentei me matar de verdade, só fingi para continuar aqui, com você.
- Mercúcio disse que você tinha se jogado do telhado.
- Mercúcio é um cara com sérios problemas. Perdeu o bigode e o juízo.
- E eu acho que quebrei o nariz falso do Páris.
- Ora, isso eu gostaria de ter visto.
- E como está o rosto de Teobaldo?
- Ele quer implantar pelos de gato na cara para cobrir as queimaduras. Está enlouquecendo meus tios com essa ideia.
Os dois se calaram.
Apenas a chuva lá fora, o chuveiro ali dentro e os corações batendo dentro deles.
E então passos e vozes se aproximando, afoitos, pelo corredor.
- Julieta, você explodiu no meu coração – Sussurra Romeu. – E eu acredito que existe um lugar para nós.
- Eu quero acreditar também. – Responde ela, sentindo novas lágrimas se formarem em seus olhos. E então ela se lembra. – Querido Romeu, eu e você fugindo para Londres, o que você acha?

3 comentários:

  1. GIOVANNA!!!!! QUE SUSTO!!! Eu estava quase chorando pensando coisas horríveis!!!! Mas eu amei o final! Não foi nada como eu pensei que seria, foi um final feliz ❤️ amei!!

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    1. Ah, que bom que você gostou, Carla! <3

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