sábado, 16 de julho de 2016

SANGRE

Não, não existe inspiração no prazer, apenas na dor. Um lugar tão horrível e atormentador de arte e frio como as minhas mãos sem luva no inverno - a única época em que meu coração fica quente como o inferno.
Eu vou colhendo as palavras ou elas são enviadas até mim de algum ponto distante do universo aonde a chama permanece acesa pelos poetas mortos.
Eu e a minha mania estúpida de tentar dizer alguma coisa quando, na verdade, não devo ter absolutamente nada para expor, nada que seja útil para alguém além de mim mesma que sente essa necessidade angustiante de escrever escrever escrever e molhar o teclado com lágrimas que nem parecem que são minhas.
Eu me transformei em algum tipo de vampira literária não literal caçadora predadora procurando em letrinhas miúdas alguma coisa que chegue perto de ser literatura para chamar de minha e quando não consigo encontrar eu me arrasto por aí fugindo do sol e me encolhendo nas sombras e sentindo meu coração acelerar em um ataque de pânico e minhas mãos tremerem como se a morte estivesse tentando me beijar me bater me despedaçar.
Eu começo a rodar no meio de ideias que não se encaixam como uma nefasta bailarina fantasma incapaz de respirar sentindo o peito se apertando e tudo girando até começar a cair e gritar e desejar mais ideias para sangrar.
Eu achava que escrever era um dom, mas agora eu sei.
É uma maldição.

4 comentários:

  1. Perfeito! Como sempre, você só me encanta Gi! Suas palavras, seus poemas sempre tão verdadeiros...

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  2. Amei Giovanna!!
    Demorei para ler, mas aqui estou!! Amei demais!
    Sabe, já pensei muitas vezes sobre isso: escrever ser uma maldição.
    Estou com saudades de A Sétima Encruzilhada </3

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    Respostas
    1. Obrigada, Carla!
      A Sétima Encruzilhada volta logo, pinky promise!

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